Vigário, MarinaAguiar, Natalia Parush2022-05-252022-05-252021-12-162021-09-14http://hdl.handle.net/10451/53169The present work is a study on acquisition of weak forms of function words in English as a second language by native speakers of European and Brazilian Portuguese. Considering that the two varieties of Portuguese differ from each other and from English in terms of rhythm patterns and unstressed vowel system, we supposed that reduction in the weak forms of function words in L2 English would be different for the speakers of L1 EP and L1 BP. The participants were divided into five groups according to their L1 and the level of L2. There were two groups of participants with a lower and a higher level of L2 both for L1 EP and L1 BP. They were asked to read out loud three dialogues in English, the voices were recorded and the data was segmented in Praat. The materials contained three categories of clitics: the indefinite article, auxiliary verbs, and object pronouns. The statistical analysis showed certain differences between the speakers of L1 EP and L1 BP and the native speakers of AE. On the whole, the speakers of L1 EP seem to show more tendency to reduction in the weak forms of English function words than the speakers of L1 BP. At the same time, the speakers of both varieties of L1 Portuguese had less tendency to reduction in auxiliary verbs than the native speakers of AE.O presente estudo é dedicado à aquisição das formas fracas das palavras funcionais em inglês como segunda língua (L2) por falantes nativos de duas variantes de português que são diferentes em termos de ritmo e de sistema de vogais átonas, o português europeu (PE) e o português brasileiro (PB). O objetivo principal da pesquisa foi verificar se existem diferenças na aquisição das formas fracas em inglês L2 por falantes de L1 PE e L1 PB. Como a maioria dos voluntários falantes de L1 português que participaram na pesquisa falam inglês americano (IA), esta foi a variante apresentada no estudo. No quadro teórico, partimos da ideia de que as formas fracas contribuem para a redução vocálica que, por seu turno, faz parte do ritmo. Adotamos a abordagem ao ritmo sugerida por Ramus, Nespor & Mehler (1999). De acordo com este modelo, o inglês é uma língua acentual (Giegerich, 1992; Ramus, Nespor & Mehler, 1999; Roach, 2009; Ladefoged & Johnson, 2011; Carr, 2013), o PE é acentual em termos de variação dos intervalos consonânticos e silábico com relação à proporção dos intervalos vocálicos e o PB é silábico em termos de variação dos intervalos consonânticos e moraico com relação à proporção dos intervalos vocálicos (Frota & Vigário, 2001). De acordo com Yuan (2010), Ordin, Polyanskaya & Ulbrich (2011) e Ordin & Polyanskaya (2014, 2015), o ritmo em L2 acentual se desenvolve do silábico para o acentual, e a velocidade e a profundidade desse processo dependem da L1 do falante. Li & Post (2014) especificam que alguns parâmetros do ritmo em L2 desenvolvem-se seguindo um padrão universal, enquanto outros, como a proporção do material vocálico, dependem da L1 do falante. No sistema de acentuação, uma característica em comum entre IA, PE e PB é que a duração permite distinguir entre as vogais tónicas e átonas (McCully, 2009; Ladefoged & Johnson, 2011; Grant, 2014; Plag et al., 2011; Correia, Butler, Vigário & Frota, 2015; Mendes Cantoni, 2009). A redução vocálica em inglês e em PE é mais forte do que em PB (Giegerich, 1992; Mateus & d’Andrade, 2000; Câmara, 1972; Wetzels, 1992; Mateus & d’Andrade, 2000; Bisol, 2000; Bisol & de Magalhães, 2004; Bisol, 2005; Bisol & Veloso, 2016). Quanto às formas fracas, o inglês possui mais classes de palavras funcionais que podem comportar-se como clíticos do que ambas as variedades de português. Em particular, verbos auxiliares e modais em inglês possuem formas fracas e em PE e PB não (Selkirk, 1996; Vigário, 2003; Dixon, 2007; Hewings, 2007; Roach, 2009; Cruttenden, 2014; Toneli, 2014; Carley & Mees, 2019). iv As formas fracas em inglês são clíticos simples (Zwicky, 1977). Uma palavra funcional pode ter várias formas que resultam de reduções sucessivas, cuja escolha não pode ser definida de uma maneira fácil (Ladefoged & Johnson, 2011). Em português europeu, as formas fracas de pronomes são clíticos especiais, as outras formas fracas são “bound words”, na aceção de Zwicky 1977 (Vigário, 2003). Em português brasileiro as formas fracas de pronomes são clíticos especiais, outras podem ser também da mesma categoria ou “bound words” (Toneli, 2014). Em relação à posição dos clíticos, adotamos o ponto de vista de Lahiri & Plank (2011) de que 1) o fraseamento fonológico e sintático em inglês nem sempre coincidem, 2) em inglês predomina a ênclise. Assumimos que os pronomes objeto e os verbos auxiliares em frases afirmativas em inglês são enclíticos. Verbos auxiliares em perguntas e os determinantes são proclíticos (Selkirk, 1996; Dixon, 2007; Lahiri & Plank, 2011). A maioria das formas fracas - inclusive os artigos, as preposições e os pronomes preverbais - em PE são proclíticos; apenas os pronomes fracos objeto em posição pós-verbal são enclíticos (Vigário, 2003). Em PB, os proclíticos também predominam, sendo os enclíticos pronominais cada vez mais raros na fala (Bisol, 2000; Toneli, 2014). Com base do quadro teórico apresentado acima, supomos que: 1) Os falantes de L1 PE L2 IA não mostrarão necessariamente os resultados que podem ser esperados de falantes de uma L1 com ritmo puramente acentual; 2) Os falantes de L1 PE L2 IA serão mais próximos dos falantes de L1 IA em termos da redução das formas fracas em comparação com os falantes de L1 PB L2 IA; 3) Os falantes de L1 PE de nível mais avançado de L2 IA demostrarão uma tendência mais forte para a redução nas formas fracas do que os falantes de nível menos avançado. Os falantes de L1 PB podem mostrar menos essa tendência. 4) Os falantes de L2 IA serão mais próximos dos falantes de L1 IA em relação à redução nas formas fracas dos artigos do que nos verbos auxiliares; 5) Os falantes de L1 PE L2 IA serão mais próximos dos falantes de L1 IA do que os falantes de L1 PB L2 IA em relação à redução nas formas fracas dos pronomes objeto. Os participantes da pesquisa foram 5 grupos de falantes: 1) L1 IA; 2) L1 PE e L2 IA B1/B2; 3) L1 PE e L2 IA C1/C2; 4) L1 PB e L2 IA B1/B2; 5) L1 PB e L2 IA C1/C2. Como material para a pesquisa, foram usados três textos em formato de diálogos curtos em inglês que contêm três categorias de palavras funcionais: o artigo indefinido (9), verbos auxiliares/modais (8) e pronomes objeto (8). Os participantes leram os textos em voz alta. A sua leitura foi gravada em formato WAV e segmentada em Praat. Para cada participante foi medida a duração da palavra prosódica que contém o elemento de teste e a duração dos clíticos (elementos de teste). Em seguida, foi feita a v computação da proporção do clítico para cada PW e a proporção da vogal nos verbos auxiliares e pronomes objeto. A análise de dados foi feita através de testes estatísticos em SPSS Statistics. De acordo com os testes de Kolmogorov-Smirnov e Shapiro-Wilk, os dados relacionados com a PC (proporção do clítico na PW) não apresentam uma distribuição normal. Os dados relacionados com a PV (proporção da vogal na PW) não apresentam uma distribuição normal para os verbos auxiliares, mas apresentam-na para os pronomes objetos. Os testes foram aplicados de acordo com estes resultados. A análise de dados confirmou parcialmente a primeira hipótese, sendo que os falantes de L1 PE L2 IA exibiram menos redução em verbos auxiliares comparado com os falantes nativos de IA. Apesar de não apresentarem diferenças significativas relativamente aos falantes nativos no nível mais alto de L2 IA em relação ao artigo indefinido, eles mostraram alguma dificuldade quando o artigo surgiu combinado com palavras multi-silábicas. O estudo mostrou que os falantes de L1 PE com o nível mais alto de L2 IA foram em geral mais próximos dos falantes nativos de IA do que os falantes de L1 PB com o mesmo nível, o que comprova a terceira hipótese. Entretanto, os falantes de L1 PB com o nível mais baixo apresentaram um comportamento mais próximo do dos falantes nativos nos resultados para o artigo indefinido do que os falantes de L1 PE com o mesmo nível. Assim sendo, a segunda hipótese foi comprovada apenas parcialmente. Os verbos auxiliares foram a categoria de clíticos em que os falantes de L1 PE e L1 PB foram menos próximos dos falantes nativos, em comparação com o artigo indefinido, já que para os verbos auxiliares as diferenças foram encontradas independentemente do nível de L2. Assim, a hipótese quatro foi comprovada. Os falantes de L1 PB com o nível mais alto de L2 IA mostraram significativamente menos redução vocálica em pronomes objeto comparado com os falantes nativos. Entretanto, as diferenças foram registadas apenas para o pronome us e não para o pronome me, o que significa que não podemos relacionar estas diferenças com a direção de cliticização em PB. Considerando que os dados analisados no presente estudo foram limitados, podemos falar apenas com mais certeza sobre o caso dos verbos auxiliares. Julgamos que a ausência de formas fracas desta classe de palavras no português dificultou sua aquisição em L2 IA por falantes de L1 português. Supomos que um estudo com um maior número de participantes poderia esclarecer com mais precisão se a direção de cliticização em L1 tem impacto na aquisição das formas fracas em L2. Apesar de encontrarmos algumas diferenças entre os falantes de L1 PE e L1 PB em relação às formas fracas de palavras funcionais em L2 IA, seria necessário estudar mais casos para poder concluir sobre o impacto do ritmo em L1 para aquisição das formas fracas em L2. Nesta altura, podemos dizer que houve algumas indicações nesse sentido.engLíngua inglesa - Aquisição linguística - Falantes do portuguêsLíngua inglesa - Palavras funcionaisTeses de mestrado - 2021Acquisition of phonologically weak function words in L2 english by speakers of L1 brazilian and european portuguesemaster thesis202885321