UNIVERSIDADE DE LISBOA FACULDADE DE PSICOLOGIA USO PROBLEMÁTICO DA INTERNET E DAS REDES SOCIAIS: RELAÇÃO COM A REGULAÇÃO DA SATISFAÇÃO DAS NECESSIDADES PSICOLÓGICAS E A SAÚDE MENTAL Carolina Franco Rosa Costa de Lemos MESTRADO INTEGRADO EM PSICOLOGIA Área de Especialização em Psicologia Clínica e da Saúde – Psicoterapia Cognitiva- Comportamental e Integrativa 2019 UNIVERSIDADE DE LISBOA FACULDADE DE PSICOLOGIA USO PROBLEMÁTICO DA INTERNET E DAS REDES SOCIAIS: RELAÇÃO COM A REGULAÇÃO DA SATISFAÇÃO DAS NECESSIDADES PSICOLÓGICAS E A SAÚDE MENTAL Carolina Franco Rosa Costa de Lemos Dissertação orientada pelo Professor Doutor António Branco Vasco MESTRADO INTEGRADO EM PSICOLOGIA Área de Especialização em Psicologia Clínica e da Saúde – Psicoterapia Cognitiva- Comportamental e Integrativa 2019 i Agradecimentos Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao meu orientador Professor Doutor António Branco Vasco por todo o apoio que me deu ao longo da realização deste trabalho, pela disponibilidade e a ajuda facultadas, pela transmissão de conhecimentos imensuráveis ao longo destes 5 anos e pela oportunidade de explorar este tema, tão importante nos dias de hoje. A sua ajuda foi imprescindível. Obrigada a todos aqueles que se disponibilizaram para partilhar e responder ao meu questionário, a vossa contribuição foi fundamental para o meu trabalho. Um enorme agradecimento à minha família, especialmente aos meus pais, por todo o apoio incondicional que me têm dado ao longo da minha vida, pelos conselhos, as palavras de encorajamento e o voto de confiança que depositam em mim todos os dias. Sem vós nada disto seria possível. Obrigada à minha irmã e ao meu irmão, por estarem presentes e disponíveis para ajudar sempre que precisei, o carinho é mútuo. Obrigada também aos meus tios e primos, que me acompanharam ao longo deste percurso e estiveram presentes durante todas as tribulações e aprendizagens inerentes a esta nova etapa de vida, longe de casa. Um beijinho aos meus avós, de quem gosto muito. Agradeço também a todos os meus professores da Faculdade de Psicologia, pelos conhecimentos transmitidos e por terem enriquecido o meu percurso académico. Um agradecimento à minha orientadora de estágio Professora Doutora Ana Catarina Silva, por todo o apoio fornecido e pelo enriquecimento das minhas aprendizagens. Obrigada a todos os meus amigos e colegas que a faculdade me facultou, pelo apoio prestado, pelas experiências passadas, pelas memórias adquiridas e pelos momentos de alegria e boa disposição que passámos em conjunto, desejo-vos o maior sucesso para o vosso futuro. À minha amiga Salomé, obrigada por tudo, o apoio, as conversas, a amizade, bendito o dia em que a faculdade nos juntou. Ao meu tio António Jorge e à Joana, obrigada por tudo. Não vos esquecerei. ii Resumo Os meios de comunicação digitais estão cada vez mais presentes no quotidiano dos indivíduos, apresentando variados benefícios para as suas vidas, assim como possíveis riscos para a sua saúde mental e bem-estar psicológico. Neste sentido, o presente estudo pretendeu perceber de que forma a utilização da Internet e das Redes Sociais afeta a regulação da satisfação das necessidades psicológicas e a adaptação das pessoas, com base no Modelo de Complementaridade Paradigmática. Participaram 476 sujeitos, tanto utilizadores como não utilizadores das Redes Sociais, que foram avaliados através de cinco escalas de autorrelato: Escala do Uso Generalizado Problemático da Internet 2 (EUGPI2), Escala de Adição às Redes Sociais (EARS), Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI), Inventário de Saúde Mental (ISM) e Escala de Regulação da Satisfação das Necessidades (ERSN-43). Os resultados demonstraram que, no geral, níveis mais elevados de uso problemático da Internet e das Redes Sociais estão associados a menos bem-estar psicológico e a uma menor capacidade para regular a satisfação das necessidades psicológicas e, por outro lado, a mais distress psicológico e sintomatologia e a uma maior quantidade de tempo passada nas plataformas online. Estes resultados apresentam implicações importantes para a consciencialização do impacto negativo e dos riscos causados pela utilização da Internet e das Redes Sociais e para o aumento do conhecimento sobre esta área em Portugal, sendo importante promover hábitos saudáveis e adaptativos de utilização destas plataformas e prevenir o desenvolvimento de problemas e de dependências relacionadas com o uso problemático nos seus utilizadores. Palavras-Chave: Internet; Necessidades Psicológicas; Redes Sociais; Sintomatologia; Uso Problemático. iii Abstract Digital media are increasingly more present in the daily lives of individuals, presenting several advantages for their lives, as well as possible threats to their mental health and psychological well-being. In this sense, the present study intended to understand in what way does the use of the Internet and of Social Media affects the regulation of psychological needs satisfaction and the adaptation of individuals, based on the Paradigmatic Complementarity Model. In this study, 476 subjects, both users and non-users of Social Media, were evaluated across five self-report scales: Generalized Problematic Internet Use Scale 2 (GPIUS2), Social Media Addiction Scale (SMAS), Brief Symptom Inventory (BSI), Mental Health Inventory (MHI) and Psychological Needs Satisfaction Regulation Scale. The results showed that, in general, higher levels of problematic Internet use and of problematic Social Media use are associated with less psychological well-being and a lower ability to regulate the satisfaction of psychological needs and, on the other hand, with more psychological distress and symptomatology and a greater amount of time spent on online sites. These results have important implications for the awareness of the negative impact and the risks originated by the Internet and Social Media use and for the increase of knowledge about this field in Portugal. It is important to promote healthy and adaptive usage habits of these online platforms and to prevent the development of problems and addictions related with its problematic use. Keywords: Internet; Psychological Needs; Problematic Use; Social Media; Symptomatology. iv Índice Geral Página Resumo ii Abstract iii Introdução 1 Internet e Redes Sociais 1 Relação entre Uso Problemático da Internet e das Redes Sociais e Variáveis de Bem- estar e de Sintomatologia 7 Necessidades Psicológicas e o Modelo de Complementaridade Paradigmática 13 Relação entre Uso Problemático da Internet e das Redes Sociais e as Necessidades Psicológicas 17 Problemática 20 Método 22 Caracterização da Amostra 22 Instrumentos de Avaliação 23 Escala do Uso Generalizado Problemático da Internet 2 (EUGPI2) 23 Escala de Adição às Redes Sociais (EARS) 24 Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI) 25 Inventário de Saúde Mental (ISM) 25 Escala de Regulação da Satisfação das Necessidades (ERSN-43) 26 Resultados 27 Correlações entre as Variáveis 27 Regressões Lineares Múltiplas Standard 30 Teste t – Comparação de valores médios para grupos independentes 31 Discussão 33 Referências Bibliográficas 39 Anexos 65 v Índice de Quadros Página Quadro 1. Médias Aproximadas, Desvios-padrão e Amplitude: EUGPI2, EARS, BSI, Bem-estar e Distress psicológicos e ERSN-43 (n = 476) 27 Quadro 2. Correlações entre o Uso Problemático da Internet (EUGPI2), o Uso Problemático das Redes Sociais (EARS), a Sintomatologia (BSI), a Saúde Mental, o Bem-estar Psicológico e o Distress Psicológico (ISM) e a Regulação da Satisfação das Necessidades Psicológicas (ERSN-43) (n = 476, com exceção na EARS, com n = 439) 28 Quadro 3. Caracterização da Amostra (n = 476) 67 Quadro 4. Consistência Interna (Alfa de Cronbach) da Escala do Uso Generalizado Problemático da Internet 2 (EUGPI2) e respetivas subescalas 72 Quadro 5. Consistência Interna (Alfa de Cronbach) da Escala de Adição às Redes Sociais (EARS) e respetivas subescalas 74 Quadro 6. Consistência Interna (Alfa de Cronbach) do Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI) e respetivas subescalas 76 Quadro 7. Consistência Interna (Alfa de Cronbach) do Inventário de Saúde Mental (ISM) e respetivas subescalas 78 Quadro 8. Consistência Interna (Alfa de Cronbach) da Escala de Regulação da Satisfação das Necessidades (ERSN-43) e respetivas subescalas 80 Quadro 9. Correlações Significativas entre o Uso Problemático da Internet (EUGPI2), o Uso Problemático das Redes Sociais (EARS) e as Necessidades Psicológicas (ERSN-43) (n = 476, exceto para EARS, com n = 439) 82 vi Índice de Figuras Página Figura 1. Valores Médios do uso problemático da Internet (EUGPI2) e das Redes Sociais (EARS) consoante o tempo de utilização (em horas) das respectivas plataformas, Internet e Redes Sociais, para fins pessoais, num dia típico. 29 Figura 2. Valores médios do uso problemático da Internet (EUGPI2), da sintomatologia (BSI), do bem-estar e distress psicológicos (ISM) e da regulação da satisfação das necessidades psicológicas (ERSN-43), para os utilizadores e não utilizadores das Redes Sociais. 31 Figura 3. Valores médios do uso problemático da Internet (EUGPI2), do uso problemático das Redes Sociais (EARS), da sintomatologia (BSI), do bem-estar e distress psicológicos (ISM) e da regulação da satisfação das necessidades psicológicas (ERSN-43), para os utilizadores “passivos” e utilizadores “ativos” das Redes Sociais. 32 Figura 4. Valores médios do uso problemático da Internet (EUGPI2), do uso problemático das Redes Sociais (EARS), da sintomatologia (BSI), do bem-estar e distress psicológicos (ISM) e da regulação da satisfação das necessidades psicológicas (ERSN-43), para a utilização “adequada” e “problemática” da Internet (em cima) e das Redes Sociais (em baixo). 33 vii Anexos Anexo A – Caracterização da Amostra Anexo B – Consistência Interna da Escala do Uso Generalizado Problemático da Internet 2 (EUGPI2) Anexo C – Consistência Interna da Escala de Adição às Redes Sociais (EARS) Anexo D – Consistência Interna do Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI) Anexo E – Consistência Interna do Inventário de Saúde Mental (ISM) Anexo F – Consistência Interna da Escala de Regulação da Satisfação das Necessidades (ERSN-43) Anexo G – Quadro de Correlações Significativas entre o Uso Problemático da Internet (EUGPI2), o Uso Problemático das Redes Sociais (EARS) e as Necessidades Psicológicas (ERSN-43) Anexo H – Questionário viii “In this age of instant communication, emoticons are replacing words, body language replacing language and visuals replacing text.” ― Haresh Sippy 1 Introdução As novas tecnologias estão cada vez mais presentes na vida quotidiana das pessoas, sendo que o seu desenvolvimento tem sido exponencial nas últimas décadas. Da mesma forma, a Internet e, especialmente, as Redes Sociais são cada vez mais utilizadas, desde as gerações mais jovens até às mais idosas, o que se deve à elevada atratividade que apresentam e à grande facilidade de acesso e de utilização. Estas plataformas digitais apresentam benefícios variados para a vida dos indivíduos, tanto a nível pessoal, como profissional, permitindo a comunicação com aqueles que se encontram distantes, a partilha de experiências de vida inspiradoras e a aquisição de novos conhecimentos; porém a sua utilização traz, também, consequências preocupantes, principalmente quando parece que as novas gerações crescem “ligadas” à Internet e aos aparelhos eletrónicos e que a sociedade, no geral, está a tornar-se dependente das suas vantagens e do facilitismo alcançado, ignorando os possíveis riscos para a saúde mental e física da população. As Redes Sociais, devido à sua dimensão social, revelam-se particularmente preocupantes, podendo contribuir para o isolamento do indivíduo da sociedade e para a sua alienação da realidade. Assim, torna-se importante perceber qual o impacto que a utilização da Internet e das Redes Sociais, especialmente aquela que é excessiva e desadequada, tem na saúde mental dos indivíduos e na satisfação das suas necessidades psicológicas básicas. Neste sentido, a presente investigação pretende perceber de que forma é que o uso problemático da Internet e das Redes Sociais afeta a regulação da satisfação das necessidades psicológicas e a adaptação das pessoas. Assim, pretendeu-se estudar as relações entre o uso problemático da Internet e das Redes Sociais e a saúde mental, o bem-estar psicológico, o distress psicológico e a sintomatologia apresentada pelos seus utilizadores, com base no Modelo de Complementaridade Paradigmática e na regulação da satisfação das necessidades psicológicas que este avalia. Internet e Redes Sociais A rápida evolução da tecnologia levou ao desenvolvimento da Internet, que, atualmente, é utilizada diariamente pela maioria dos indivíduos por todo o mundo. A globalização provocada pelo desenvolvimento da tecnologia e da Internet trouxe vantagens e desvantagens, associadas ao seu uso excessivo ou problemático e à realização de que nem tudo é possível e que a “realidade” transmitida pela Internet não é perfeita, nem “real”, o que é frequentemente a imagem transmitida pelos media, pela Internet e, mais recentemente, pelas Redes Sociais. A imagem difundida por estes meios de comunicação e a realização de que os feitos e os avanços da Humanidade, associados à globalização, são, cada vez, mais admiráveis e deslumbrantes 2 precipitaram o desenvolvimento da crença de que “tudo é possível” e que não existem limites para aquilo que se quer obter e, por outro lado, tornam difícil ao indivíduo sentir-se satisfeito com as próprias realizações e sentir que o que realizou é suficientemente bom. Isto dificulta ao indivíduo conservar a sua identidade e construir autoestima no contexto atual (Strenger, 2012). A possibilidade de partilhar apenas aquilo que se pretende e o que interessa ao próprio, cria a ideia de que a vida é “perfeita”, pois, muitas vezes, apenas se partilha o que é positivo e agradável, o que origina elevadas expectativas difíceis de alcançar. A ambição de atingir a perfeição e o desejo de alcançar cada vez mais e melhor originam uma insatisfação constante com o próprio e com a sua vida e uma elevada necessidade e procura de reconhecimento e de validação pelos outros online, mesmo por aqueles que não conhece, visto que, como as Redes Sociais permitem conectar todas as pessoas do planeta, a competição é enorme e constante. Neste sentido, surge a preocupação da autoestima parecer ser, cada vez mais, determinada pelo reconhecimento dos pares, nomeadamente através das Redes Sociais («ditadura dos “likes”»), e menos pela capacidade de se estimar a si próprio, como defende Vasco (2018). É como se, atualmente, o valor e o sucesso das pessoas fossem definidos por aquilo que publicam nas Redes Sociais, pelo seu “perfil online”, e não por quem são realmente na “vida real” e pelos seus feitos, pelas suas realizações, tanto pessoais, como profissionais. O estudo da Internet é um fenómeno relativamente recente em Psicologia. Dado o carácter omnipresente da Internet, a sua natureza envolvente como uma ferramenta da sociedade moderna e os problemas subjacentes ao seu uso excessivo e abuso por uma parte da população, Internet Addiction tem se tornado um tema fundamental na investigação, a qual tem crescido rapidamente ao longo da última década (Pontes, Kuss & Griffiths, 2015). Vários estudos empíricos têm vindo a sugerir a necessidade deste fenómeno ser encarado com seriedade por psicólogos, psiquiatras e neurocientistas (Pontes et al., 2015). O surgimento das Redes Sociais tem tornado esta problemática da Internet Addiction cada vez mais prevalente devido à sua componente de interação social. Por ser um fenómeno relativamente recente na literatura, existe uma grande variedade de abordagens conceptuais, de caracterizações deste constructo e incertezas relativas ao seu diagnóstico e caracterização clínica (Griffiths, 1996, 2000; Pontes et al., 2015). Também não existe um instrumento consensualmente utilizado na investigação para avaliar este constructo, nem critérios consensuais para o mesmo, o que origina diversas inconsistências e diferenças metodológicas na literatura, respeitantes à natureza, às taxas de prevalência da problemática e à sua existência ou não, que têm dificultado o progresso nesta área (Pontes et al., 2015). Atualmente, a Perturbação de Jogo (Gambling Disorder) é a única dependência comportamental aceite no DSM-5 e, relativamente às potenciais 3 dependências da Internet, apenas a Perturbação do Jogo pela Internet (Internet Gaming Disorder) foi adicionada ao DSM-5, como uma perturbação potencial que requer mais investigação e experiência clínica de modo a ser considerada uma perturbação oficial (Gmel, Notari & Schneider, 2017). Até ao momento, não há evidências suficientes que permitam a definição de critérios de diagnóstico, necessários para identificar os comportamentos problemáticos relacionados com a Internet como perturbações mentais (SICAD, 2017), por isso ainda não foram incluídos no DSM-5 como Perturbações Não Relacionadas com Substâncias, à semelhança das anteriores (APA, 2013; Clark, 2014; SICAD, 2017). Alguns autores consideram a Internet Addiction uma perturbação de controlo do impulso, outros uma dependência comportamental (como a Perturbação de Jogo), outros uma perturbação de uso de substâncias e outros, ainda, uma perturbação de comportamentos obsessivos e compulsivos (semelhante às apostas, às perturbações de comportamento alimentar e ao roubo compulsivo), o que dificulta a caracterização da problemática e provoca uma grande heterogeneidade de escalas, que são, geralmente, desenvolvidas com base nos critérios do DSM-IV para essas perturbações (Laconi, Rodgers & Chabrol, 2014). A perspetiva mais defendida é a correspondente à dependência comportamental (Pontes et al., 2015) ou à perturbação de controlo do impulso, uma vez que não se verifica dependência de uma substância química (Armstrong, Phillips & Saling, 2000). No entanto, ainda se conhece pouco sobre as semelhanças e as diferenças entre Internet Addiction e outros tipos de dependências ou compulsões (Armstrong et al., 2000). Este fenómeno foi inicialmente relatado e descrito na literatura por Young (1996, 1998) e Griffiths (1996, 1998) em meados da década de 1990 (Pontes et al., 2015). Desde esta altura, tem-se verificado um debate científico relativo às dependências tecnológicas, principalmente no que diz respeito à diferença entre “dependências na Internet” (addictions on the Internet) e “dependências da Internet” (addictions to the Internet) (Pontes et al., 2015), que consiste em saber se a Internet Addiction é uma perturbação, merecendo um diagnóstico clínico independente, à qual podem estar subjacentes outras perturbações (addicted TO the internet) ou se existem dependências comportamentais gerais (dependências ao sexo, jogos, compras) que também existiriam sem a Internet, sendo esta apenas o meio escolhido para atingir esses fins (addicted ON the Internet) (Gmel et al., 2017). Outros autores negam a existência de uma perturbação de Internet Addiction, assumindo apenas que pode existir um uso problemático da Internet, que pode levar a consequências negativas (Gmel et al., 2017). Assim, existem duas perspetivas diferentes e opostas relativas ao uso da Internet: o uso da Internet que é patológico e implica a noção de perturbação psicológica e o uso da Internet que é problemático, mas que 4 não implica a noção de perturbação. A terminologia escolhida pelos vários autores está intimamente relacionada com a conceção que lhe está subjacente (Demetrovics, Szeredi & Rózsa, 2008). Assim, por um lado, termos como Internet Addiction (Young, 1998), Internet Addiction Disorder (Goldberg, 1995), Internet Dependency (Anderson, 1998; Scherer, 1997) e Internet Use Disorder (Gmel et al., 2017) refletem a perspetiva de uma perturbação mental independente, definida clinicamente por critérios de diagnóstico e que merece ser incluída no DSM-5, sendo que a Internet é o único meio em que o comportamento pode ocorrer (e.g., Redes Sociais, jogos online de role-playing para multi-jogadores – MMORPG), pelo que a perturbação não ocorreria sem a Internet (Gmel et al., 2017). Por outro lado, termos como Pathological Internet Use (Davis, 2001; Morahan-Martin & Schumacher, 2000), Problematic Internet Use (Caplan, 2002; Davis, Besser & Flett, 2002a; Shapira et al., 2003), Excessive Internet Use (Hansen, 2002) e Compulsive Internet Use (Greenfield, 1999) não indicam a existência de uma perturbação independente, sendo que não requer critérios definidos e a sua severidade é contínua (Gmel et al, 2017). Este uso problemático pode ocorrer sozinho, pode ser secundário a outras perturbações mentais, ou pode ocorrer devido ao facto da Internet ser o meio escolhido para satisfazer uma dependência comportamental (Gmel et al., 2017). Inicialmente a abordagem da perturbação era a mais predominante, apesar de existirem diferentes visões relativamente a qual perturbação já existente seria mais útil para descrever clinicamente Internet Addiction, como referido, porém a segunda perspetiva tem sido cada vez mais defendida (Demetrovics et al., 2008). Entre os autores que defendem o uso da Internet como perturbação, destaca-se a definição de Internet Addiction de Young (1996), uma das primeiras autoras a definir este conceito. A partir do diagnóstico de Jogo Patológico (Pathological Gambling), referenciado no DSM-IV, Young (1998) definiu Internet Addiction como uma perturbação do controlo do impulso, sem uma substância química. Deste modo, os critérios utilizados para distinguir o uso da Internet normal do dependente prendem-se com: 1) preocupação com a Internet relativamente a atividades realizadas previamente ou antecipação da próxima ligação à Internet; 2) necessidade de usar cada vez mais a Internet para alcançar satisfação (tolerância); 3) repetição de esforços sem sucesso para controlar, reduzir ou parar o uso da Internet; 4) existência de sentimentos de inquietação, mau humor, depressão ou irritação ao tentar reduzir/interromper o uso da Internet; 5) permanência online mais do que o planeado; 6) risco de perder uma relação significativa, um emprego, uma oportunidade de educação ou de carreira devido à Internet; 7) omissão à família, ao terapeuta ou a outros do envolvimento com a Internet para esconder a extensão do seu problema; e 8) utilização da Internet para escapar aos 5 problemas ou para aliviar um humor disfórico (e.g., sentimentos de desamparo, culpa, ansiedade ou depressão). Por sua vez, Griffiths (1995) insere as dependências tecnológicas nas comportamentais, as quais não implicam o consumo de substâncias químicas, mas a interação entre os indivíduos e os aparelhos eletrónicos. Os autores Goldberg (1995) e Griffiths (1998) definiram Internet Addiction Disorder, com base nos critérios de diagnóstico do DSM-IV para abuso de substâncias, tendo-os adaptado à problemática da Internet: 1) necessidade de passar cada vez mais tempo online para obter a mesma satisfação (aumento da tolerância); 2) sintomas de abstinência, como ansiedade, agitação psicomotora, pensamentos obsessivos relativamente ao que está a ocorrer na sua ausência e mudanças de humor, quando o indivíduo não está na Internet; 3) desejo (craving) em aceder à Internet com maior frequência e durante mais tempo; 4) consequências de vida negativas, como possibilidade de ocorrerem problemas profissionais, financeiros, familiares ou conjugais; 5) preocupação excessiva com a utilização da Internet (saliência da atividade para o indivíduo); e 6) ocorrência de recaída aquando da interrupção do uso da Internet. Outros autores definem a Internet Addiction como um padrão não adaptativo de uso da Internet, geralmente consumidor de tempo, e que causa prejuízos e/ou sofrimento clinicamente significativos (Goldberg, 1995; Shaw & Black, 2008; Weinstein & Lejoyeux, 2010) e consequências comportamentais, psicossociais ou físicas negativas (Wallace & Masiak, 2011; Zhang & Xin, 2013). Vários estudos referem que a Internet Addiction também está relacionada com o uso regular e excessivo da Internet, a negligência das responsabilidades pessoais, o isolamento social, o secretismo das atividades online, a exigência de privacidade dos outros quando está online (Young, 2017); e dificuldade em controlar a quantidade de tempo que passa na Internet ou no computador (Beard, 2005; Cash, Rae, Steel & Winkler, 2012; Lopez-Fernandez, Freixa-Blanxart & Honrubia-Serrano, 2013; Shotton, 1991; Young, 1998). Por outro lado, Pathological Internet Use, também referido como Problematic Internet Use por outros autores (e.g., Caplan, 2002; Shapira et al., 2003), é descrito como o uso perturbado da Internet, que origina dificuldades psicológicas, físicas, sociais, escolares e/ou profissionais (Beard & Wolf, 2001; Spada, 2014) e que provoca vários sintomas, como incumprimento das obrigações, sentimentos de culpa e desejo (craving), preocupações mal- adaptativas com o uso da Internet e utilização durante mais tempo do que o pretendido, sendo um dos objetivos a alteração do humor (Morahan-Martin & Schumacher, 2000; Shapira et al., 2003). Davis (2001) conceptualiza Pathological Internet Use, não como uma dependência comportamental, mas como um padrão de vários comportamentos e de cognições relacionados com o uso da Internet, que resultam em consequências de vida negativas, tanto pessoais como profissionais, propondo dois tipos de Pathological Internet Use: específico ou generalizado. O 6 primeiro consiste na utilização patológica da Internet com um objetivo específico (e.g., sexo, pornografia, leilão, negociação de ações e apostas), sendo que os comportamentos dependentes associados a este uso patológico existiriam mesmo na ausência da Internet. O segundo é definido como um conjunto de comportamentos mais gerais e um uso excessivo e desadequado da Internet, que não está relacionado com um objetivo ou um conteúdo específico. Este tipo de uso está, frequentemente, associado à dimensão social da Internet (e.g., Redes Sociais, e-mail, chat rooms), assim, o indivíduo tende a passar tempo online, sem nenhum objetivo, e a utilizar a Internet como forma de procrastinar e de adiar as suas responsabilidades, o que origina problemas no seu dia-a-dia e leva ao desenvolvimento e à manutenção do uso patológico generalizado. Salienta-se que esta problemática provavelmente não existiria na ausência da Internet, embora se possa desenvolver em indivíduos que já tivessem alguma psicopatologia, que estivessem mais propensos a cognições mal-adaptativas e isolados socialmente, anteriormente à utilização da Internet. Deste modo, a Internet acaba por ser a única ligação do indivíduo ao mundo exterior, servindo como forma deste expressar os seus sentimentos negativos, o que não seria possível na ausência da Internet (Davis, 2001). Segundo este autor, o uso patológico generalizado da Internet é uma consequência de outros problemas psicossociais, como depressão, solidão e falta de apoio da família ou dos amigos, e não causas, pois estes problemas predispõem o desenvolvimento de cognições e comportamentos mal- adaptativos relacionados com a Internet, que levam a dificuldades em controlar impulsos comportamentais e, eventualmente, poderão originar consequências negativas (Caplan, 2010). Os sintomas de Pathological Internet Use apresentados por Davis (2001) são semelhantes àqueles referidos por outros autores (e.g., Young, 1996, 1999), nomeadamente pensamentos obsessivos sobre a Internet, antecipação da próxima vez que estará online, dificuldade em controlar os impulsos e em deixar de utilizar a Internet, gastos excessivos de dinheiro na Internet, desinteresse face a atividades antes consideradas agradáveis; embora estes tenham noção de que estes comportamentos não são socialmente aceites, não conseguem pará-los, o que provoca a diminuição da sua autoestima e o desenvolvimento de outros sintomas. Para além disto, os indivíduos só se sentem bem consigo próprios quando estão online, o que os leva a isolarem-se dos amigos, os quais são substituídos pelos amigos online, tornando-se isolados socialmente, facto que leva à manutenção do ciclo vicioso de uso patológico da Internet (Davis, 2001). O autor salienta, ainda, que a utilização saudável da Internet se refere ao seu uso com um determinado objetivo e durante um período de tempo moderado (Davis, 2001). Apesar da falta de consenso demonstrada, Pontes e colaboradores (2015) defendem a existência de Internet Addiction, embora talvez não afete tantos indivíduos como possa parecer, 7 visto que as taxas de prevalência apresentadas pela maioria dos estudos empíricos são baixas. Outros autores optam pela utilização de terminologias menos polémicas, como Problematic Internet Use, as quais não estabelecem um diagnóstico patológico, nem um rótulo de dependência (Spada, 2014). A adesão de grande parte da população às Redes Sociais é preocupante, dado que se tem verificado um aumento do tempo de permanência online por parte dos seus utilizadores (DataReportal, 2019). É possível que a Internet em si própria não seja viciante, mas que a dependência esteja ligada à utilização de algumas aplicações específicas realizadas online (Young, 1996; Griffiths, 2000). A dependência das Redes Sociais é, segundo Young (1999), um dos cinco tipos de Internet Addiction, pertencendo às dependências de relacionamentos online, visto que o principal motivo para utilizar estas plataformas é estabelecer e manter relacionamentos tanto online, como offline (Kuss & Griffiths, 2011). Apesar dos vários conceitos utilizados na literatura, parece que a diferença principal entre as duas perspetivas é o pressuposto do uso da Internet ser ou não uma perturbação, sendo que, no geral, as características apresentadas são semelhantes. É possível que alguns autores estejam a utilizar diferentes conceitos para definir a mesma problemática ou diferentes níveis de gravidade do uso da Internet e das Redes Sociais, sendo importante distinguir entre o uso problemático e a dependência. Relação entre Uso Problemático da Internet e das Redes Sociais e Variáveis de Bem-estar e de Sintomatologia A Internet e, especificamente, as Redes Sociais exercem cada vez mais influência na vida diária dos indivíduos, permitindo-lhes comunicar com familiares, amigos e até estranhos que vivem do outro lado do mundo, estar em contacto constante com a comunidade online e partilhar qualquer aspecto da sua vida pessoal, quando, como e com quem quiser, através de uma frase, um texto, um emoji, uma imagem ou fotografia. A facilidade de utilização e de acessibilidade, em qualquer momento e lugar, tornam as Redes Sociais extremamente atrativas para os seus utilizadores, porém contribuem para o perigo que estas plataformas apresentam para o bem-estar e a saúde mental dos indivíduos, visto que estão sempre presentes no seu dia- a-dia e podem ser acedidas a qualquer momento e utilizadas, cada vez, desde uma idade mais precoce. A literatura sobre o impacto que a comunicação mediada pela tecnologia tem nos seus utilizadores fornece dados contraditórios, alguns estudos demonstram que a comunicação online é uma ameaça para o bem-estar, outros contrariam estes resultados. Apesar da necessidade de aprofundar o estudo sobre esta problemática, existe um vasto consenso de que a Internet Addiction constituiu um grave problema de saúde pública, originando um impacto 8 negativo no desenvolvimento neurobiológico, psicológico e emocional dos adolescentes em geral (Adalıer & Balkan, 2012), assim como no bem-estar psicológico dos indivíduos (Akın, 2012; Caplan, 2003; Çardak, 2013; Ferraro, Caci, D’Amico & Di Blasi, 2007). Alguns estudos associam a frequência da utilização das Redes Sociais a um reduzido bem-estar psicológico (Augner & Hacker, 2012; Huang, 2017; Kross et al., 2013; Shakya & Christakis, 2017; Tromholt, 2016), enquanto outros encontraram associações positivas com o bem-estar (e.g., Dienlin, Masur & Trepte, 2017; Oh, Ozkaya & LaRose, 2014; Valkenburg, Peter & Schouten, 2006), as quais dependiam da motivação para utilizar as Redes Sociais (Valkenburg & Peter, 2007) e se a frequência de uso se qualificava como dependência (Andreassen et al., 2016). Por outro lado, a interação social em pessoa promove o aumento do bem-estar psicológico (Shakya & Christakis, 2017). A utilização da Internet torna-se viciante quando põe em causa a sociabilidade na vida real, levando os utilizadores a isolarem-se socialmente (Cerniglia et al., 2017). A Internet Addiction apresenta riscos para a saúde mental dos indivíduos e, provavelmente, pode originar consequências negativas na sua vida quotidiana, a nível psicossocial. Os utilizadores dependentes da Internet sofrem, frequentemente, de perda de controlo, de sintomas de angústia, de conflitos familiares (Shapira, Goldsmith, Keck, Khosla & McElroy, 2000); de emoções de raiva, de afastamento social (Block, 2008); de reduzida satisfação com a vida (Ferraro et al., 2007; Wartberg, Kriston, Kammerl, Petersen, & Thomasius, 2015); de reduzido nível de bem- estar emocional, de sintomas de abstinência, de negligência de áreas de vida consideradas anteriormente importantes, de comportamentos compulsivos e impulsivos (Demetrovics et al., 2008; Reed, Osborne, Romano, & Truzoli, 2015); de introversão (McIntyre, Wiener, & Saliba, 2015); de níveis elevados de solidão, alexitimia e suicídio (Alpaslan, Avci, Soylu, & Guzel, 2015; Moody, 2001); de humor deprimido e sintomas depressivos (Kross et al., 2013; Tromholt, 2016); de baixa autoestima (Akın & Iskender, 2011; Armstrong et al., 2000; Caplan, 2003); e de desinibição social (Morahan-Martin & Schumacher, 2000). Outro estudo demonstrou, ainda, que esta problemática está relacionada com elevada sensibilidade à rejeição; experiência de sentimentos de inutilidade e de pensamentos depressivos relacionados com a Internet; e com distração, relacionada com a procrastinação e a utilização da Internet como forma de evitamento e de se distrair de situações ou pensamentos stressantes (Davis, Flett & Besser, 2002b). Estas consequências negativas permitem avaliar o nível de dependência da Internet dos seus utilizadores (Armstrong et al., 2000). A dependência da Internet também pode impedir o desenvolvimento da identidade do indivíduo, da sua auto-imagem e de relações sociais adaptativas (Cerniglia et al., 2017) e levar à diminuição das interações sociais (Smahel, Brown 9 & Blinka, 2012), sendo que aqueles com elevada ansiedade de interação social passam mais tempo online (Erwin, Turk, Heimberg, Fresco & Hantula, 2004; Wolfradt & Doll, 2001). O uso excessivo da Internet também pode causar sérios prejuízos no desempenho escolar (Brezing, Derevensky & Potenza, 2010; Rücker, Akre, Berchtold & Suris, 2015) e elevado stress académico (Jun & Choi, 2015). Vários estudos têm demonstrado associações entre Internet Addiction e condições clínicas mais graves, como perturbações de ansiedade social (Weinstein, Dorani, Elhadif, Bukovza & Yarmulnik, 2015); perturbações afetivas, perturbação bipolar, distimia (Bernardi & Pallanti, 2009; Shapira et al., 2000), assim como depressão (Yen, Ko, Yen, Wu & Yang, 2007; Young & Rogers, 1998); comportamentos autodestrutivos (Sasmaz et al., 2014); ansiedade (Zboralski et al., 2009); perturbação de hiperatividade e défice de atenção (Sariyska, Reuter, Lachmann & Montag, 2015; Yoo et al., 2004); hostilidade/agressão, sintomas obsessivo- compulsivos (Cecilia, Mazza, Cenciarelli, Grassi & Cofini, 2013); perturbações de comportamento alimentar (Bernardi & Pallanti, 2009; Shapira et al., 2003; Tao et al., 2010); maior incidência de uso de substâncias (Rücker et al., 2015); e correlaciona-se com características da personalidade e comportamentais mal-adaptativas e problemas de saúde física (Sung, Lee, Noh, Park & Ahn, 2013). Salienta-se, ainda, que os adolescentes dependentes da Internet correm maior risco de apresentar outros problemas de dependência, por exemplo, problemas relacionados com jogo/apostas (Phillips, Ogeil & Blaszczynski, 2012). Deste modo, a Internet Addiction tem demonstrado ser, geralmente, comórbida com outras perturbações psiquiátricas (Ko, Yen, Yen, Chen & Chen, 2012), porém estas associações ainda não estão completamente esclarecidas e são, na sua maioria, bidirecionais (Cerniglia et al., 2017). A Internet Addiction tem demonstrado estar associada a problemas de saúde mental (Nalwa & Anand, 2003; Young & Rogers, 1998), dificuldades de adaptação social e reduzidas capacidades emocionais (Engelberg & Sjöberg, 2004), o que, associado às problemáticas anteriores, prejudica a capacidade de adaptação e de lidar com os problemas (Çardak, 2013), levando os indivíduos a fazê-lo de uma forma disfuncional, quando confrontados com fatores de stress (Cerniglia et al., 2017). Por outro lado, vários estudos têm demonstrado que o aumento da utilização do Facebook leva ao aumento da conexão, do apoio social percebido e do capital social (i.e., o conjunto de recursos, reais ou virtuais, obtidos através de uma rede social de conhecimento mútuo e de reconhecimento e dos contactos sociais estabelecidos; Bourdieu & Wacquant, 1992), o que, por sua vez, aumenta o bem-estar (Ahn & Shin, 2013; Deters & Mehl, 2013; Ellison, Steinfield, & Lampe, 2007; Liu & Yu, 2013). Foi, ainda, descoberto que as auto- 10 revelações nas Redes Sociais também aumentam o bem-estar através do aumento do apoio social percebido (Lee, Noh & Koo, 2013). Através das Redes Sociais, os indivíduos podem conversar com estranhos e desenvolver um tipo de intimidade virtual com muitos parceiros (Wong et al., 2014) e, através das relações virtuais, mantidas através destas plataformas, podem receber apoio e reconhecimento dos seus pares e até redefinir a sua identidade social (Chan & Lo, 2013). Relativamente ao uso problemático ou compulsivo das Redes Sociais, mais especificamente, este tem sido associado ao aumento de fadiga das Redes Sociais (Dhir, Yossatorn, Kaur & Chen, 2018), definida como exaustão mental após experienciar várias sobrecargas tecnológicas, informativas e comunicativas através da participação e interações em diferentes plataformas de Redes Sociais (Bright, Kleiser & Grau, 2015; Lee, Son & Kim, 2016; Ravindran, Kuan & Lian, 2014; Zhang, Zhao, Lu, & Yang, 2016), levando, consequentemente, ao aumento de ansiedade e de depressão. Vários estudos sugerem que o uso problemático ou excessivo das Redes Sociais resulta em depressão (Hoare, Milton, Foster & Allender, 2017; Hussain, Griffiths & Sheffield, 2017; Jelenchick, Eickhoff & Moreno, 2013; Lin et al., 2016; Scherr & Brunet, 2017); em sentimentos de solidão (Song et al., 2014); em exaustão mental e défice de atenção (Sriwilai & Charoensukmongkol, 2016); em diminuição do envolvimento nas comunidades sociais na vida real (Nyland, Marvez & Beck, 2007); em diminuição do sucesso académico, refletido em notas inferiores, menos tempo de estudo, procrastinação, distração e má gestão do tempo (Kirschner & Karpinski, 2010); em problemas amorosos, devido à partilha de informações privadas nas Redes Sociais, que pode resultar em ciúmes (Muise, Christofides & Desmarais, 2009; Persch, 2007; Phillips & Spitzberg, 2009) e em divórcio (Luscombe, 2009). O fear of missing out leva à verificação compulsiva das Redes Sociais e impulsiona os utilizadores a passarem mais tempo nessas plataformas e, consequentemente, leva a consequências negativas, como fadiga das Redes Sociais (Dhir et al., 2018), depressão, ansiedade e emoções negativas (Baker, Krieger & LeRoy, 2016; Oberst, Wegmann, Stodt, Brand & Chamarro, 2017), entre outras. Devido à falta de estudos longitudinais, não é possível fazer inferências causais relativamente a se o uso excessivo das Redes Sociais é o fator causal das consequências negativas relatadas (Kuss & Griffiths, 2011), podendo existir outros fatores determinantes importantes para além daqueles que foram avaliados. Parece que a natureza do feedback dos pares que é recebido através das Redes Sociais determina as consequências da utilização destas plataformas no bem-estar e na autoestima das pessoas, assim os que receberam predominantemente feedback negativo apresentaram baixa autoestima, a qual, por sua vez, levou a um menor bem-estar (Valkenburg et al., 2006). Dado que as pessoas tendem a ser desinibidas quando estão online (Suler, 2004), é possível que a 11 obtenção de feedback negativo seja mais comum na Internet do que na vida real, o que pode originar consequências negativas, principalmente, para as pessoas com baixa autoestima, que tendem a usar as Redes Sociais como forma de compensar a falta de relações pessoais na vida real, visto que a sua autoestima depende do feedback que recebem através destas plataformas (Ellison et al., 2007). Neste sentido, tem sido demonstrado que as Redes Sociais são utilizadas por algumas pessoas com o objetivo de lidar com eventos de vida negativos (Kuss & Griffiths, 2011), de escapar do humor disfórico (De Michele, Caredda, Chiaie, Salviati & Biondi, 2013; Teo et al., 2015) e de aliviar o sofrimento psicológico (George, Dellasega, Whitehead, & Bordon, 2013; Ha, Kim, Libaque-Saenz, Chang, & Park, 2015; Seidman, 2013). Deste modo, as pessoas que se sentem sozinhas, que têm dificuldades ao nível do relacionamento interpessoal, que experienciam ansiedade socialmente, que não têm relacionamentos afetivos significativos na vida real, que têm competências sociais reduzidas ou que sofrem de problemas psicossociais tendem a usar mais as Redes Sociais para compensar estes aspectos (Barker, 2009; Caplan, 2003) e a preferir interagir socialmente online, pois percecionam esta interação como menos ameaçadora e percecionam que são mais eficazes socialmente quando interagem com os outros online, por isso, acreditam que são mais seguras, eficazes, confiantes e confortáveis com as interações e as relações interpessoais online do que com as atividades sociais tradicionais cara-a-cara (Caplan, 2003). A necessidade de obter contacto social, o reforço obtido online e o facto de experienciarem sentimentos de segurança e de proteção por fazerem parte de uma rede social, apesar de ser virtual, levam ao aumento do desejo de permanecer numa vida social virtual (Davis, 2001; Davis et al., 2002b). Pensa-se que existe uma associação entre o uso excessivo ou as dependências das Redes Sociais e as estratégias de coping disfuncionais, como evitamento de problemas (Kuss & Griffiths, 2011), as quais foram, por sua vez, associadas a dependências comportamentais e de substâncias (Kuntsche, Stewart & Cooper, 2008). O envolvimento excessivo nas atividades online leva os indivíduos a estarem permanentemente conectados virtualmente, no entanto, na verdade, encontram-se sozinhos fisicamente e emocionalmente (Turkle, 2011), de tal forma que, paradoxalmente, a presença online constante pode levar a isolamento social, o que salienta a importância das relações sociais da vida real, em vez das relações instrumentais mediadas pela Internet (Cerniglia et al., 2017). Clark, Algoe e Green (2018) defendem que os resultados contraditórios relativamente aos benefícios e malefícios das Redes Sociais podem ser reconciliados, no sentido em que o impacto que a sua utilização tem para o bem-estar depende dos comportamentos dos seus utilizadores promoverem ou não a conexão social e permitirem ou não satisfazer as suas necessidades inatas de aceitação e de pertença. Assim, as Redes Sociais poderão aumentar o 12 bem-estar quando são utilizadas com o objetivo de conectar com os outros, visto que podem promover o fortalecimento das relações através do aumento da intimidade; por outro lado, prejudicam o bem-estar quando promovem o isolamento e a comparação social. Estas plataformas poderão levar à solidão se forem utilizadas para a satisfação temporária, mas ilusória, das necessidades sociais (social snacking) (Gardner, Pickett & Knowles, 2005). Assim, as Redes Sociais permitem a realização de muitas atividades que são sentidas como sociais, mas não são interativas, como espreitar os perfis de pessoas desconhecidas (Carpenter, Green & LaFlam, 2011), ver passivamente os feeds do Instagram (Clark et al., 2018) ou atualizar os estados do Facebook (Deters & Mehl, 2013). Estas atividades levam os utilizadores a sentir que as suas necessidades sociais imediatas foram satisfeitas, no entanto não contribuem para a conexão interpessoal, acabando por originar um défice em importantes recursos relacionais, como no apoio social (Green et al., 2005). Por outro lado, as Redes Sociais fornecem oportunidades constantes para a comparação social, a qual está associada a consequências negativas (White, Langer, Yariv & Welch, 2006), principalmente quando em relação a alguém superior (Tesser, Millar & Moore, 1988). Quando os utilizadores das Redes Sociais comparam as suas experiências de vida com aquelas que os outros escolhem expor nas suas plataformas, eles podem sentir que está a faltar algo na sua vida e sofrerem de inveja e de depressão (Clark et al., 2018) e sentirem-se mais insatisfeitos com os seus sucessos (Haferkamp & Krämer, 2011). Os indivíduos que utilizam as Redes Sociais de uma forma mais passiva, por exemplo vendo os perfis sem interagir com os outros utilizadores, poderão não beneficiar da conexão social promovida por estas plataformas e, ainda, correr um maior risco de realizar comparação social, podendo não ter informação suficiente para reconhecerem que a imagem passada nas Redes Sociais é construída (Clark et al., 2018). A utilização passiva do Facebook, definida como consumir informação sem a interação direta com os outros, também foi associada a diminuição no bem-estar, ao contrário da ativa (Verduyn et al., 2015). Apesar da possibilidade do mundo online fornecer apoio social aos seus utilizadores, as implicações negativas que o uso excessivo ou dependente da Internet tem nos relacionamentos da vida real e no funcionamento quotidiano parecem ser mais evidentes para aqueles que são mais dependentes da Internet (Orchard & Fullwood, 2010). É possível que a Internet forneça benefícios aos indivíduos bem- adaptados e, inversamente, promova sintomas depressivos aos que estão mal-adaptados, os quais podem ser vulneráveis a tornarem-se viciados na Internet (Kraut et al., 2002). Tendo em conta a problemática atual originada pelo uso abusivo e problemático da Internet e das Redes Sociais, que é motivado, muitas vezes, pela procura de certas gratificações e de satisfação das necessidades, principalmente, a nível social, como referido anteriormente, 13 compreende-se a importância de estudar as necessidades psicológicas neste contexto. É, também, importante estudar as necessidades psicológicas de modo a compreender o comportamento humano e o que o motiva e, ainda, a perceber o que caracteriza o funcionamento adaptativo, o que ainda se torna mais essencial devido ao contexto social e tecnológico atual, em que os indivíduos passam cada vez mais tempo na Internet e começam a participar nas Redes Sociais progressivamente mais cedo, e à falta de conhecimento ainda existente relativamente ao impacto da Internet e das Redes Sociais no seu bem-estar e na satisfação das suas necessidades. Necessidades Psicológicas e o Modelo de Complementaridade Paradigmática O estudo das necessidades psicológicas tem sido bastante difundido ao longo dos anos. Têm sido desenvolvidas várias teorias que procuram especificar as necessidades psicológicas do ser humano e que demonstram a importância da sua regulação para um funcionamento psicológico saudável e adaptativo (e.g., Teoria de Maslow, 1943, 1954; Teoria Experiencial- Cognitiva do Self de Epstein, 1993; Teoria da Auto-Determinação, Deci & Ryan, 2000, Ryan & Deci, 2000; Teoria de Sheldon, Elliot, Kim & Kasser, 2001; Teoria das Necessidades Humanas de Grawe, 2006; Teoria de Costanza e colaboradores, 2007; Teoria de Strenger, 2012). Mais recentemente, surgiu o Modelo de Complementaridade Paradigmática (MCP; e.g., Conceição & Vasco, 2002; Vasco, 2001, 2005, 2013; Vasco, Conceição, Silva, Ferreira & Vaz- Velho, 2018) que, à semelhança das restantes teorias, procura conceptualizar e explicar o funcionamento das necessidades psicológicas, assim como a sua influência no bem-estar dos indivíduos. Este modelo diferencia-se dos restantes na forma como caracteriza e articula as necessidades, pois estas são conceptualizadas com uma natureza dialética e integrativa. Este é um metamodelo integrativo, que pretende desenvolver e definir uma perspetiva ampla, compreensiva e diferenciadora dos fenómenos clínicos em psicoterapia, com base em diferentes orientações teóricas (Vasco, 2001, 2005), propondo três subteorias, a “teoria da perturbação”, a “teoria da adaptação” e a “teoria da intervenção” (Vasco, 2005). Este modelo defende que, para promover o bem-estar, a terapia dever-se-á focar mais no desenvolvimento da capacidade do paciente de regular a satisfação das suas necessidades psicológicas, em vez de incidir diretamente nas suas queixas e sintomas, conduzindo, assim, ao desenvolvimento e à reparação de um sentimento de bem‑estar e de sentido de vida (Vasco et al., 2018). Segundo o modelo, as necessidades básicas são únicas a cada indivíduo, que intervém ativamente na sua regulação, não sendo entidades fixas imutáveis, nem pré-determinadas, no sentido em que refletem o contexto em que este se desenvolve, incluindo tanto o que é adquirido à nascença, 14 como as suas experiências de socialização e as influências ambientais facilitadoras ou limitantes do meio ambiente em que este se encontra e das pessoas significativas que o rodeiam, e refletem, também, as suas potenciais capacidades e limitações, no sentido de orientá-lo para a sua adaptação vital (Conceição & Vasco, 2005). Segundo Conceição e Vasco (2005), as necessidades são, por definição, essenciais e universais, uma vez que constituem os “nutrientes” que tornam a vida psicológica possível e a sua frustração ou negligência contribuem para a sintomatologia e os problemas psicológicos. Todas as necessidades são adaptativas, até que se desenvolvam ou construam outras mais adaptativas. Mesmo aquelas que, no presente, já não estão associadas a modos de funcionamento adaptativos, outrora demonstraram um grande valor vital como “formas de adaptação criativas” a circunstâncias adversas do meio. Assim, as formas específicas que os indivíduos utilizam para as satisfazerem é que podem ser ou não adaptativas, positivas ou negativas. Independentemente do modo de funcionamento a que as necessidades estão associadas, estas manifestam-se através dos sentimentos, dos desejos e das ações do indivíduo, assim como através da sua influência nos seus processos de perceção, memória e pensamento, quer num contexto intrapsíquico ou interpessoal (Conceição & Vasco, 2005). Portanto, o conceito de necessidade psicológica é definido como “um estado de desequilíbrio organísmico provocado por carência ou por excesso de determinados nutrientes psicológicos, sinalizados emocionalmente, e tendente a promover ações internas e/ou externas que conduzem ao restabelecimento do equilíbrio” (Vasco, 2012; pp. 32). Com base numa perspetiva histórica e filosófica, na literatura sobre o bem‑estar e nas teorias contemporâneas de necessidades, o MCP propõe sete polaridades dialéticas de necessidades psicológicas: Prazer/Dor; Proximidade/Diferenciação; Produtividade/Lazer; Controlo/Cooperação ou Cedência; Atualização ou Exploração/Tranquilidade; Coerência do Self/Incoerência do Self; e Autoestima/Autocrítica (Faria & Vasco, 2011; Vasco & Vaz-Velho, 2010; Vasco, 2013; Vasco et al., 2018). No que diz respeito à primeira polaridade dialética, Prazer/Dor, de um lado, verifica-se a necessidade de experienciar prazer físico e psicológico e, do outro, a necessidade de conseguir tolerar e encarar o sofrimento inerente à condição humana, atribuindo-lhe um significado e um sentido produtivo. A segunda polaridade, Proximidade/Diferenciação, possui, por um lado, a necessidade de estabelecer e manter relações íntimas e, por outro, a necessidade do indivíduo de ser auto-determinado e de se diferenciar dos outros, como um ser único e autossuficiente. Relativamente à terceira polaridade, Produtividade/Lazer, existe a necessidade de realizar tarefas consideradas significativas para o próprio e a necessidade de relaxar e de ter experiências lúdicas, sentindo-se confortável com o descanso e a pausa do trabalho. A quarta polaridade, Controlo/Cooperação ou Cedência, refere-se à necessidade de sentir que se tem 15 controlo e influência sobre o meio ecológico e, complementarmente, à necessidade de cooperar com os outros, sendo capaz de ceder o controlo, de delegar e “deixar ir”. Em quinto lugar, a polaridade Atualização ou Exploração/Tranquilidade diz respeito à necessidade de exploração, exposição à novidade e de atualização do próprio e, por outro lado, à necessidade de apreciar quem é e o que já conquistou, no momento presente, com tranquilidade. Desta ideia depreende- se que “ter ambições” é adaptativo, em oposição a “ser ambicioso”. A seguinte afirmação reflete bem a natureza desta polaridade: “Existem duas coisas importantes na vida – alcançar aquilo que mais se deseja e saber apreciar o que se alcançou. Só os mais sábios são capazes de experienciar a segunda instância!” (Vasco et al., 2018). A sexta polaridade, Coerência do Self/Incoerência do Self, refere-se, por um lado, à necessidade de sintonia entre o “eu real” e o “eu ideal” e à congruência entre os pensamentos, sentimentos e comportamentos do próprio e, por outro, à necessidade de tolerar e naturalizar as ambivalências, incongruências e conflitos internos ocasionais e inevitáveis. Por fim, a polaridade de Autoestima/Autocrítica é relativa à necessidade de se sentir satisfeito consigo próprio, sendo capaz de se estimar e apreciar e, complementarmente, à necessidade de identificar, aceitar e aprender com as suas experiências desapontantes, as insatisfações e os erros pessoais. O MCP reconhece que as necessidades psicológicas nunca estão completamente satisfeitas, sendo que o seu grau de satisfação resulta de um processo contínuo de negociação e equilíbrio das sete polaridades dialéticas (Faria & Vasco, 2011; Vasco, 2012, 2013; Vasco & Vaz-Velho, 2010; Vasco et al., 2018), e que não é a satisfação das necessidades em si mesma que conduz ao bem-estar, mas sim a capacidade para as regular. Deste modo, a regulação das necessidades deve ser entendida em termos dialéticos, isto é, o desenvolvimento da capacidade de regulação de um dos pólos de cada polaridade capacita a qualidade e o desenvolvimento do outro (Vasco, 2013). Quanto mais elevada for a competência do indivíduo em cada uma das duas polaridades dialéticas, maior será a probabilidade de experienciar bem-estar psicológico (Vasco, 2013), em comparação com aqueles que têm apenas um dos pólos com níveis elevados de regulação ou níveis baixos nos dois pólos complementares (e.g., Conde, 2012; Sol, 2012). Assim, as polaridades não são opostas, elas complementam-se (Vasco, 2013), são mutuamente dependentes, inseparáveis e estão em constante interação e coordenação, de tal modo que “a qualidade da vivência de cada pólo depende do nível de capacitação do outro”, a qual não seria possível se a competência para desempenhar a polaridade complementar não continuasse presente quando a outra estivesse a ser desempenhada (Vasco et al., 2018). Isto significa que cada um dos pólos tem um efeito mediador no funcionamento do pólo complementar (Conde, 2012). 16 Assim, segundo este modelo, o funcionamento adaptativo implica um equilíbrio na regulação da satisfação dos pólos de cada par de necessidades (Vasco et al., 2018). O MCP postula que a existência de bem-estar psicológico, de saúde mental, de adaptação e de sentido de vida depende da regulação adequada da satisfação das necessidades psicológicas (Conceição & Vasco, 2005; Vasco, 2009a, 2009b, 2013; Vasco et al., 2018). A capacidade de regulação da satisfação das necessidades psicológicas está intimamente relacionada com a capacidade de regulação emocional, no sentido em que as emoções desempenham a função de sinalizar o grau de regulação da satisfação das necessidades, através do bom e do mau humor, e, quando existe um funcionamento ajustado do organismo, estas fornecem a agência motivacional necessária à sua regulação, promovendo as ações internas e/ou externas que são necessárias a essa mesma regulação e para a manutenção ou restabelecimento do equilíbrio (Vasco, 2013; Vasco, Faria, Vaz & Conceição, 2010). A regulação das necessidades psicológicas é prejudicada pela existência de esquemas precoces mal-adaptativos (Almeida, 2016; Fonseca, 2012), de dificuldades de regulação e de processamento emocional (Castelo-Branco, 2016), de fusão cognitiva, que reflete o grau de rigidez do pensamento, de ciclos interpessoais disfuncionais (Almeida, 2016), e de níveis elevados de defesas imaturas, como alta punição e baixo autocuidado (Vasco et al., 2018), levando a uma menor capacidade de regular a satisfação das necessidades psicológicas e, consequentemente, a menor bem-estar e, por outro lado, a maior distress psicológico e sintomatologia (Almeida, 2016). A regulação das necessidades psicológicas parece ser uma determinante significativa do sentido de vida, sendo que quando estas estão suficientemente reguladas, a vida é experienciada com sentido, verificando-se adaptação e bem-estar, não havendo necessidade de continuar a sua procura (Vasco, 2009a). Quando as necessidades psicológicas não são satisfeitas, de uma forma sistemática e continuada, desenvolve-se um esquema de carácter auto-derrotista, formado por memórias, emoções, cognições e sensações físicas, que tende a acompanhar o indivíduo ao longo da vida. Estes esquemas ou “feridas do self” impedem a regulação das necessidades, mesmo quando as relações do indivíduo e o contexto em que este se encontra se alteraram, em contraste com o passado, de tal forma que poderiam contribuir para a regulação das necessidades, levando à perpetuação da não satisfação das necessidades, no presente (Vasco et al., 2018). A não regulação da satisfação das necessidades, também, origina dificuldades de controlo de impulsos que, por sua vez, predizem a presença de sintomatologia (Vasco et al., 2010). Têm sido encontradas relações positivas significativas entre a regulação da satisfação das necessidades psicológicas e o bem-estar e, em oposição, relações negativas significativas com o distress psicológico e a sintomatologia. As necessidades que demonstram ter maior valor preditivo 17 relativamente tanto ao bem-estar, como ao distress, são, respetivamente, a tranquilidade, a proximidade, a autocrítica e a autoestima (Conde & Vasco, 2013). A regulação da satisfação das necessidades tem diferenciado adequadamente a população clínica da não clínica, no sentido em que os indivíduos sem sintomatologia demonstram ter maior capacidade de regular a satisfação das suas necessidades do que aqueles com sintomas com relevância clínica (e.g., Conde et al., 2012; Almeida, 2016; Sol, 2012). Relação entre Uso Problemático da Internet e das Redes Sociais e as Necessidades Psicológicas A dimensão social do “mundo online” tem originado muita controvérsia na literatura, isto é, se o uso da Internet é benéfico ou prejudicial para a nossa vida social offline (Prievara, Piko & Luszczynska, 2018). Embora a Internet forneça uma oportunidade para o desenvolvimento de relações pessoais (Ko, Yen, Liu, Huang & Yen, 2009; Naeemi, Tamam, Hassan & Bolong, 2014), também pode levar a vários problemas prejudiciais para a saúde mental (Jelenchick et al., 2013). Estudos sugerem que o uso das Redes Sociais no geral, e do Facebook em particular, difere em função da motivação dos seus utilizadores para as utilizarem (Ross et al., 2009). Tendo como base a Teoria dos Usos e Gratificação (Uses and Gratification Theory), os meios de comunicação são usados com o objetivo de obter gratificação e de satisfazer as próprias necessidades (Katz, Blumler & Gurevitch, 1974), o que também se verifica nas outras dependências. Deste modo, é fundamental perceber quais são as motivações que estão subjacentes ao uso das Redes Sociais (Kuss & Griffiths, 2011) e, no geral, da Internet, assim como as necessidades que são ou não satisfeitas através da sua utilização. O uso de meios de comunicação digitais, como as Redes Sociais e os telemóveis, podem satisfazer a necessidade de pertença dos indivíduos, isto é, a sua motivação inata de conectar com os outros para sentir que pertencem a algo e de desejar ser amado e fazer parte de grupos sociais (Baumeister & Leary, 1995), uma vez que facilitam a comunicação interativa, a partilha de interesses comuns e a obtenção de apoio social (Pelling & White, 2009; Walsh, White & Young, 2009). As Redes Sociais disponibilizam um espaço de comunicação e recolha de informação, no qual os indivíduos podem satisfazer a sua necessidade de pertença, sendo que aqueles que têm uma maior necessidade de pertença tendem a passar mais tempo nestas plataformas (Gangadharbatla, 2008; Seo, Houston, Knight, Kennedy & Inglish, 2014) e apresentam uma maior probabilidade de partilhar as suas experiências com os outros nas Redes Sociais e de comunicar através dos telemóveis, de modo a satisfazer as suas necessidades psicológicas (Kim, Wang & Oh, 2016). Os indivíduos com baixa autoestima também tendem a 18 envolver-se frequentemente em conversas por telemóvel, de modo a sentirem-se conectados com os membros do seu grupo social (Bianchi & Phillips, 2005). O uso das Redes Sociais e dos telemóveis tem um impacto positivo no envolvimento social dos estudantes universitários, visto que possibilitam a interação com os outros, a partilha de informação sobre eventos e atividades escolares e a conversação sobre as suas experiências na faculdade, encorajando, assim, a participação em atividades escolares e em encontros sociais (Kim et al., 2016; Mihailidis, 2014; Weinstein, 2014). Alguns estudos defendem que a utilização das Redes Sociais contribui para o desenvolvimento e a manutenção de conexão social (Grieve, Indian, Witteveen, Tolan & Marrington, 2013), isto é, a sensação subjetiva de que é ou não uma parte significativa das suas relações sociais e emocionais (Lee & Robbins, 1998), a qual é considerada por Maslow (1971) como uma necessidade humana básica, e para a sensação de pertença dos seus utilizadores (Quinn & Oldmeadow, 2013). Além disso, a utilização apropriada e eficaz da tecnologia fortalece as amizades, aumenta a conexão social e contribui de forma positiva para as relações sociais (Davis, 2012). A Internet e as tecnologias digitais conectam pessoas que vivem em diferentes regiões do mundo, o que contribui para as pessoas tomarem consciência umas das outras e comunicarem, fortalecendo a conexão social (Chayko, 2014). No entanto, quando o uso da tecnologia, nomeadamente da Internet, das Redes Sociais, dos jogos eletrónicos e dos telemóveis, se torna problemático, prejudica as relações sociais e diminui a conexão social (Davis, 2012; Hu, 2009; Savci & Aysan, 2017; Shen & Williams, 2010; Valkenburg & Peter, 2009). Além disso, quando a Internet é utilizada de uma forma compulsiva, torna-se difícil para o indivíduo desenvolver relações significativas e sustentáveis e sentir-se uma parte significativa das suas relações (McIntyre et al., 2015), visto que a tecnologia restringe as suas relações interpessoais e as interações no ambiente social real e, consequentemente, leva-o a isolar-se socialmente (Mesch, 2001; Shen & Williams, 2010; Valkenburg & Peter, 2009) e provoca a sua alienação, afetando negativamente a conexão social (Allen, Ryan, Gray, McInerney & Waters, 2014). Os indivíduos dependentes das tecnologias passam grande parte do seu dia nos ambientes virtuais, o que afeta negativamente as suas capacidades de comunicação interpessoal e a sua tendência para socializar (APA, 2013; Young, Yue & Ying, 2011). Assim, as dependências tecnológicas levam os utilizadores a tornarem-se solitários, a ficarem isolados da sociedade e a deteriorarem as suas relações interpessoais, o que os impede de desenvolver conexão social e reduz o nível de conexão social já existente (Savci & Aysan, 2017), pois os laços sociais existentes enfraquecem (Bargh & McKenna, 2004; Bian & Leung, 2015; van den 19 Eijnden, Lemmens & Valkenburg, 2016; van Rooij, Schoenmakers, van den Eijnden, Vermulst & van de Mheen, 2012). Outro estudo descobriu que o uso frequente do Facebook está, simultaneamente, associado à satisfação e à insatisfação da necessidade de relacionamento, pois os utilizadores sentiram-se, simultaneamente, mais conectados e mais desconectados, mais próximos dos outros e menos apreciados pelos outros (Sheldon, Abad & Hinsch, 2011). Assim, a utilização do Facebook leva as pessoas a sentirem mais conexão, o que as ajuda a satisfazer as suas necessidades de relacionamento e explica a razão desta plataforma ser utilizada. Por outro lado, os sentimentos de desconexão não são diminuídos com o uso do Facebook (Sheldon et al., 2011). Deste modo, é possível que uma pessoa solitária experiencie sentimentos positivos temporários enquanto utiliza o Facebook, porém não consiga resolver os problemas sociais subjacentes que originaram os seus sentimentos de solidão ou de desconexão, os quais poderão até piorar (Kim, LaRose & Peng, 2009; Sheldon et al., 2011). Assim, os indivíduos podem ficar dependentes destas plataformas, que, em vez de os ajudarem a lidar com os problemas de uma forma direta, apenas constituem uma distração agradável para os seus problemas (Sheldon et al., 2011), o que lhes transmite uma sensação falsa de apoio. Isto sugere que as Redes Sociais trazem, simultaneamente, benefícios e consequências negativas para os seus utilizadores. Estas plataformas permitem o aumento das redes sociais dos indivíduos devido à possibilidade de comunicar com um vasto número de utilizadores (Donath & Boyd, 2004) e fornecem apoio emocional e social e sensação de pertença aos seus utilizadores, por fazerem parte de uma comunidade, o que pode ajudar a compensar a falta de apoio social e de atenção na sua vida real (Vandelanotte, Sugiyama, Gardiner & Owen, 2009), porém o seu uso excessivo pode levar a dependência e a dificuldade em interagir com o mundo offline (Leung, 2004). Outro estudo demonstra que a necessidade de popularidade, isto é, a motivação para fazer certas coisas para parecer e ser percecionado como popular pelos outros (Santor, Messervey & Kusumakar, 2000), prevê significativamente a utilização das Redes Sociais, mais do que a necessidade de pertença, a autoestima e a vaidade, com o objetivo de impressionar e ser aceite por um grande grupo de pares (Utz, Tanis & Vermeulen, 2012). As Redes Sociais facilitam a autoapresentação seletiva (Walther, 1996; Walther, Slovacek & Tidwell, 2001), sendo que os indivíduos podem escolher as fotos e as auto-descrições que os fazem parecer mais populares (Siibak, 2009), e permitem-lhes interagir facilmente com uma grande audiência, o que torna as Redes Sociais o local ideal para aqueles que têm necessidades de popularidade elevadas (Utz et al., 2012). Os indivíduos com uma elevada necessidade de popularidade tendem a utilizar as Redes Sociais de forma rotineira, a editar os seus perfis mais 20 frequentemente e de forma a parecerem mais populares, a interagir mais com os outros na plataforma (social grooming) e a ter mais amigos nestas plataformas (Utz et al., 2012). Devido à forma egocêntrica como as Redes Sociais estão construídas, estas plataformas permitem aos indivíduos apresentar-se de uma forma positiva, que os pode fazer sentir-se melhor e levá-los a usar as plataformas de uma forma excessiva, consequentemente, isto pode facilitar o desenvolvimento de uma dependência das Redes Sociais (Kuss & Griffiths, 2011). As Redes Sociais também são utilizadas pelos adolescentes com o objetivo de expressar e de desenvolver as suas identidades, através da partilha de informação pessoal ou do estabelecimento de conexões, o que pode comprometer a sua privacidade (Livingstone, 2008). Os jovens usam os meios de comunicação digitais para satisfazer as suas necessidades psicológicas, particularmente a sua necessidade de se sentirem conectados com os outros (Kim et al., 2016; Ledbetter et al., 2011; Pelling & White, 2009; Seo et al., 2014; Valkenburg & Peter, 2008). Segundo Karahanna, Xu, Xu e Zhang (2018), as necessidades psicológicas dos indivíduos, nomeadamente as necessidades de autonomia, de relacionamento, de competência, de ter um lugar e de autoidentidade, motivam a utilização das Redes Sociais, visto que estas têm funções que permitem a satisfação dessas necessidades. Outros autores (Prievara et al., 2018) consideram que as atividades sociais online não conseguem satisfazer as necessidades dos utilizadores, visto que apesar da frequência de comunicação aumentar, o envolvimento social diminui, pois os laços estabelecidos online são fracos (Kraut et al., 1998), de tal forma que os utilizadores da Internet mais frequentes tendem não só a ser mais solitários, como a ter falta de capacidades emocionais e sociais (Engelberg & Sjöberg, 2004), o que pode contribuir para o uso problemático da Internet, em vez de apoio social na vida real, principalmente para aqueles que têm necessidades sociais elevadas. Apesar da pesquisa já efetuada entre a relação do uso problemático da Internet e das Redes Sociais com as necessidades psicológicas, ainda não se tem conhecimentos suficientes relativamente às necessidades que levam os utilizadores a utilizar essas plataformas e quais são as necessidades que são, efetivamente, satisfeitas através da sua utilização, dado que ainda existem muitas ideias contraditórias. Problemática Tendo em conta que as novas tecnologias, a Internet e as Redes Sociais são utilizadas cada vez mais cedo pelas crianças e desempenham um papel fundamental no quotidiano da maioria da população, torna-se crucial compreender de que forma estas plataformas afetam a saúde mental e a adaptação dos indivíduos. Enquanto os indivíduos desfrutam dos benefícios, 21 da facilidade de obtenção de respostas, das gratificações imediatas e contínuas e da infinidade de serviços e de atividades disponibilizadas pela Internet, correm o risco de se perder no mundo virtual e de ficarem alienados da realidade, o que pode resultar num uso problemático ou abusivo da Internet e das suas aplicações ou no desenvolvimento de uma dependência destas plataformas. Por outro lado, vários estudos têm vindo a demonstrar que a regulação da satisfação das necessidades psicológicas é determinante para o funcionamento saudável e adaptativo das pessoas, pelo que a experiência de bem-estar psicológico, de saúde mental, de adaptação e de sentido de vida depende da regulação adequada destas necessidades. Em alternativa, a não regulação adequada das necessidades psicológicas pode levar à experiência de sofrimento e de sintomatologia. Neste sentido, este estudo pretende estudar e perceber qual é o impacto que a utilização problemática da Internet e das Redes Sociais tem na regulação da satisfação das necessidades psicológicas e, simultaneamente, na saúde mental, no bem-estar psicológico, no distress psicológico e na sintomatologia das pessoas, com base no Modelo de Complementaridade Paradigmática. Pretende-se, também, desenvolver os conhecimentos na área da Internet e das Redes Sociais, o que é algo ainda pouco estudado, principalmente em Portugal, e que tem despoletado diversos debates, e continuar a perceber qual é a influência das necessidades psicológicas no funcionamento dos indivíduos. Neste estudo, não se propõe avaliar se os utilizadores da Internet e das Redes Sociais apresentam uma dependência a estas plataformas, mas se a sua utilização é problemática ou abusiva e se este uso problemático e abusivo impede a regulação das necessidades. Considerando que existe um contínuo de gravidade deste fenómeno, num extremo temos o uso adequado da Internet, sem ser exagerado, nem patológico; no centro temos o uso problemático ou abusivo da Internet; e no extremo oposto temos a dependência propriamente dita à Internet, que reflete uma patologia ou uma perturbação mental, que deve ser diagnosticada com critérios de diagnóstico. À medida que avançamos neste contínuo a gravidade aumenta, assim como os sintomas e o prejuízo para a saúde e a adaptação dos indivíduos, diminuindo o seu bem-estar e a saúde mental. O uso problemático se for prolongado no tempo e aumentar de intensidade, e o seu impacto na vida do indivíduo causar consequências negativas e significativas para a sua vida, as suas relações, o seu trabalho, a sua saúde mental e bem-estar, então irá originar uma perturbação mental, designada por dependência da Internet, ou segundo a literatura Internet Addiction (Disorder). Neste estudo, iremos focar principalmente o centro do contínuo, isto é, o uso problemático ou abusivo da Internet e das Redes Sociais, que ainda não é uma dependência propriamente dita, mas que já é muito prejudicial para o indivíduo. 22 Com base nesta problemática, colocam-se as seguintes hipóteses: Hipótese 1: O uso problemático da Internet e das Redes Sociais prevê valores mais baixos de regulação da satisfação das necessidades psicológicas; Hipótese 2: O uso problemático da Internet e das Redes Sociais prevê valores mais baixos de bem-estar psicológico e de saúde mental; Hipótese 3: O uso problemático da Internet e das Redes Sociais prevê valores mais elevados de distress psicológico e de sintomatologia; Hipótese 4: O uso problemático da Internet e das Redes Sociais está relacionado com uma maior quantidade de tempo passada nessas plataformas; Hipótese 5: O uso problemático da Internet e das Redes Sociais está relacionado com valores mais baixos de regulação da satisfação das necessidades de Proximidade, Produtividade, Controlo, Cooperação ou Cedência, Coerência do Self, Tranquilidade e Autoestima; Hipótese 6: O uso problemático da Internet e das Redes Sociais está relacionado com valores mais elevados de regulação da satisfação das necessidades de Prazer/Dor, Diferenciação, Lazer, Atualização ou Exploração e Autocrítica; Hipótese 7: Os indivíduos que utilizam as Redes Sociais têm uma menor capacidade de regulação da satisfação das necessidades psicológicas do que aqueles que não as utilizam; Hipótese 8: Os indivíduos que utilizam as Redes Sociais apresentam valores mais baixos de bem-estar psicológico e de saúde mental e valores mais elevados de distress psicológico e de sintomatologia do que aqueles que não as utilizam; Hipótese 9: Os indivíduos que utilizam as Redes Sociais de uma forma mais “passiva” experienciam mais distress psicológico e sintomatologia e têm uma menor capacidade de regulação da satisfação das necessidades psicológicas do que os que as utilizam de uma forma “ativa”. Método Caracterização da Amostra Participaram 476 sujeitos no presente estudo, 379 do sexo feminino (79.6%). A amostra foi recolhida online através da plataforma Qualtrics (amostra por conveniência), sendo os critérios de inclusão ter uma idade igual ou superior a 18 anos e ser utilizador da Internet, não sendo uma condição de participação a utilização de Redes Sociais. A divulgação do questionário foi realizada através da partilha do link do questionário online nas Redes Sociais e por e-mail. A recolha dos dados ocorreu num único momento e a participação teve a duração 23 de cerca de trinta minutos. A participação foi voluntária e informada, tendo sido assegurado o anonimato e a confidencialidade dos dados recolhidos e fornecido o direito ao esclarecimento de dúvidas após a investigação. O questionário aplicado é constituído pelo consentimento informado, por uma secção de recolha de dados sociodemográficos e de frequência de utilização da Internet e das Redes Sociais e por cinco escalas de autorrelato de escolha múltipla. O estudo foi aprovado pela Comissão de Deontologia da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. O design do presente estudo é de 2 X 5 com duas variáveis independentes (VI) – uso problemático da Internet e uso problemático das Redes Sociais, e cinco variáveis dependentes (VD) – necessidades psicológicas, bem-estar psicológico, distress psicológico, sintomatologia e quantidade de tempo passado na Internet e nas Redes Sociais. O tratamento dos dados foi realizado com o SPSS STATISTICS versão 25. A idade dos participantes variou, maioritariamente, entre os 18 e 24 anos (26.7%) e os 41 e 50 anos (23.1%), tendo incluindo sujeitos de todas as faixas etárias. A amostra obtida é relativamente variada, a maioria dos participantes era solteiro(a) (47.7%) ou casado/união de facto (45.0%), encontrava-se num relacionamento amoroso (63.7%), tinha a licenciatura (49.4%) ou o 12º ano ou equivalente (21.8%), trabalhava por conta de outrem (63.0%) ou era estudante (26.1%) e nunca teve acompanhamento terapêutico (60.3%). Apenas 37 indivíduos não eram utilizadores das Redes Sociais (7.8%), sendo que a maioria utiliza a Internet há 10 ou mais anos (83.2%), utiliza a Internet para fins pessoais num dia típico durante 2 a 4 horas (39.1%) ou menos de 2 horas (37.2%), durante todos os dias da semana (78.4%). A maioria dos utilizadores das Redes Sociais começou a utilizá-las há cerca de 7 a 9 anos (35.5%) ou há 10 ou mais anos (34.2%), utiliza as Redes Sociais para fins pessoais num dia típico durante menos de 2 horas (52.5%) ou de 2 a 4 horas (28.6%), durante todos os dias da semana (66.8%) e publica nas Redes Sociais uma a seis vezes por ano (22.7%), várias vezes por semana (15.8%) ou uma vez por mês (13.9%), apenas 23 dos indivíduos (4.8%) nunca publicaram conteúdos nas Redes Sociais. Para detalhes sobre a descrição da amostra, consultar anexo A. Instrumentos de Avaliação Escala do Uso Generalizado Problemático da Internet 2 (EUGPI2) O Uso Problemático da Internet foi avaliado através da Escala do Uso Generalizado Problemático da Internet 2 (EUGPI2), versão portuguesa de Generalized Problematic Internet Use Scale 2 (Caplan, 2010), a qual foi traduzida e adaptada para a população portuguesa por Pontes, Caplan e Griffiths (2016). É uma escala de autorrelato, que avalia o grau das cognições e dos comportamentos do uso problemático generalizado da Internet e as consequências 24 negativas experienciadas pelos indivíduos, com base na teoria cognitiva-comportamental de uso patológico da Internet de Davis (2001). Esta escala é constituída por 5 subescalas na versão original e por 4 subescalas na adaptada: preferência pela interação social online (itens: 1, 6 e 11); regulação do humor (itens: 2, 7 e 12); autorregulação deficiente (itens: 3, 4, 8, 9, 13 e 14), que abrangeu as dimensões de uso compulsivo da Internet e de preocupação cognitiva da escala original; e consequências negativas (itens: 5, 10 e 15). Foi pedido aos participantes que avaliassem em que medida concordavam ou discordavam com cada uma das afirmações, considerando apenas o uso da Internet por lazer, tanto no computador como em qualquer outro tipo dispositivo com acesso à Internet. A resposta é fornecida numa escala de likert de 7 pontos, em que 1 corresponde a “discordo totalmente” e 7 a “concordo totalmente”. Exemplos de itens apresentados são: “Prefiro a interação social online em vez da comunicação cara-a-cara.” e “Sinto que é difícil controlar o meu uso da Internet.”. A pontuação total da escala pode ser obtida através da soma da pontuação dos 15 itens, podendo variar entre 15 e 105, sendo que as pontuações mais elevadas indicam uma maior intensidade de cognições, de comportamentos e de consequências negativas do uso problemático generalizado da Internet. Esta escala tem demonstrado boas características psicométricas (Caplan, 2010; Pontes et al., 2016). O alfa de Cronbach global obtido no estudo original foi de .91, enquanto no presente estudo foi de .90. Para detalhes da consistência interna, consultar anexo B. Escala de Adição às Redes Sociais (EARS) O Uso Problemático das Redes Sociais foi avaliado através da Escala de Adição às Redes Sociais (EARS), versão portuguesa de Social Media Addiction Scale (Al-Menayes, 2015), a qual foi adaptada e traduzida para a população portuguesa por Lira (2016). Esta escala de autorrelato, construída com base na escala de Young (1996), avalia a dependência da Internet e tem como objetivo avaliar os sintomas de dependência das Redes Sociais. É constituída por 3 fatores na versão original: (1) consequências sociais (itens: 10, 11, 12 e 13), que engloba problemas relacionados com a deterioração do desempenho escolar, a utilização das Redes Sociais durante a condução, o afastamento dos amigos e o ato de pensar sobre as Redes Sociais quando não as está a utilizar; (2) utilização desadequada do tempo (itens: 1, 3, 4 e 7), que diz respeito ao uso excessivo das Redes Sociais, negligência do trabalho escolar, sentimentos de irritação e diminuição do tempo de sono devido ao uso das Redes Sociais; e (3) sentimentos compulsivos (itens: 2 e 5), relacionados com o aborrecimento sentido com a falta das Redes Sociais e a necessidade de utilizar estas plataformas (Al-Menayes, 2015). No estudo de adaptação apenas encontraram 2 fatores: consequências sociais (itens: 3, 4, 10 e 12) e 25 sentimentos compulsivos (itens: 1, 2, 6, 8, 11, 13 e 14). Esta escala é constituída por 14 itens, cuja resposta é fornecida numa escala de likert de 5 pontos, em que 1 corresponde a “discordo totalmente” e 5 a “concordo totalmente”. Os itens da escala foram reformulados de modo a abrangerem a população em geral e o item 5 foi invertido, de modo a que pontuações mais elevadas correspondessem a maior intensidade de sintomas. Foi pedido aos participantes que avaliassem o seu grau de concordância relativamente a cada uma das afirmações, considerando apenas o uso por lazer das Redes Sociais, em qualquer tipo de dispositivo com acesso à Internet, nos últimos 6 meses. Exemplos de itens apresentados são: “Utilizo muito mais vezes as Redes Sociais do que pretendia.” e “Tenho negligenciado muitas vezes o trabalho escolar ou profissional por causa das Redes Sociais.”. O alfa de Cronbach global obtido no estudo de adaptação foi de .85, enquanto no presente estudo foi de .82. Para detalhes da consistência interna, consultar anexo C. Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI) De modo a avaliar a sintomatologia, utilizou-se o Inventário de Sintomas Psicopatológicos, versão portuguesa de Brief Symptom Inventory (BSI; Derogatis, 1993), adaptada e traduzida para a população portuguesa por Canavarro (1999). Este inventário de autorrelato tem como objetivo avaliar os sintomas psicopatológicos, os quais se encontram organizados em nove dimensões: Somatização, Obsessões-Compulsões, Sensibilidade Interpessoal, Depressão, Ansiedade, Hostilidade, Ansiedade Fóbica, Ideação Paranóide e Psicoticismo. É, ainda, possível obter três índices globais: o Índice Geral de Sintomas (IGS), o Índice de Sintomas Positivos (ISP) e o Total de Sintomas Positivos (TSP) (Derogatis, 1993; Canavarro, 1999). Este inventário é composto por 53 itens, nos quais a resposta é fornecida numa escala de likert de 5 pontos, em que 0 corresponde a “nunca” e 4 a “muitíssimas vezes”, pelo que é pedido aos participantes para escolherem o valor que descreve melhor o grau em que cada um dos problemas apresentados os incomodaram durante a última semana. Esta escala apresentou uma elevada consistência interna no seu estudo original, para as nove dimensões, com valores de alfa de Cronbach entre .71 (Psicoticismo) e .85 (Depressão). No presente estudo o alfa de Cronbach global foi de .97. Para detalhes da consistência interna, consultar anexo D. Inventário de Saúde Mental (ISM) O bem-estar psicológico e o distress psicológico foram avaliados através do Inventário de Saúde Mental (ISM), versão portuguesa de Mental Health Inventory (Ware, Johnston, Davies-Avery & Brook, 1979), a qual foi adaptada e traduzida para a população portuguesa por 26 Duarte-Silva e Novo (2002). Este inventário de autorrelato é uma medida de bem-estar psicológico e de distress psicológico, que avalia a saúde mental, na população em geral. Este instrumento contém 38 itens, sendo a resposta facultada numa escala de likert de 5 ou 6 pontos, dependendo do item, tendo em conta o modo como o sujeito se tem sentido durante o último mês, e possui duas subescalas, nas quais se divide a saúde mental. Uma das escalas avalia o distress psicológico, a qual contém 24 itens e se subdivide, por sua vez, nas subescalas de Ansiedade, Depressão e Perda de Controlo Emocional/Comportamental. A outra escala avalia o bem-estar psicológico, contém 14 itens e subdivide-se nas subescalas de Afeto Geral Positivo e Laços Emocionais. Alguns itens devem ser invertidos para realizar a cotação do instrumento (1, 4, 5, 6, 7, 8, 10, 12, 14, 17, 18, 22, 23, 26, 31, 34 e 37). O resultado total é calculado mediante a soma dos valores brutos dos itens que compõe cada uma das subescalas, sendo que valores elevados correspondem a níveis elevados de saúde mental, e vice-versa. O alfa de Cronbach apresentado por Veit e Ware (1983) foi de .96, sendo nas subescalas de distress psicológico de .94 e na de bem-estar psicológico de .92. No presente estudo, o alfa de Cronbach global foi de .97. Para detalhes da consistência interna, consultar anexo E. Escala de Regulação da Satisfação das Necessidades (ERSN-43) A regulação da satisfação das necessidades psicológicas foi avaliada através da Escala de Regulação da Satisfação das Necessidades (ERSN-43; Conde & Vasco, 2012), que foi desenvolvida com base na conceptualização das necessidades psicológicas em sete polaridades dialéticas e complementares do Modelo de Complementaridade Paradigmática, sendo que a sua satisfação depende de um funcionamento emocional adequado e possibilita o bem-estar psicológico e a saúde mental, enquanto a sua negligência origina problemas psicológicos. Este instrumento de autorrelato avalia o grau de regulação da satisfação das necessidades psicológicas, sendo composto por 43 itens, que se encontram organizados em 14 subescalas correspondentes a cada necessidade psicológica proposta pelo MCP. A resposta é fornecida numa escala de likert de 8 pontos, na qual 1 corresponde a “discordo totalmente” e 8 a “concordo completamente”. Vários itens em cada uma das subescalas são cotados de forma invertida (itens: 3, 5, 9, 11, 13, 18 e 41), pelo que pontuações mais elevadas correspondem a valores mais elevados de regulação da satisfação das necessidades. No presente estudo, o alfa de Cronbach obtido foi de .95. Para detalhes da consistência interna, consultar anexo F. 27 Resultados O Quadro 1 apresenta as médias, os desvios-padrão e a amplitude (min-máx) correspondentes às escalas utilizadas para avaliar as variáveis pretendidas, nomeadamente o uso problemático da Internet (EUGPI2), o uso problemático das Redes Sociais (EARS), a sintomatologia (BSI), a saúde mental (ISM), o bem-estar psicológico (subescala de ISM), o distress psicológico (subescala de ISM) e a regulação da satisfação das necessidades psicológicas (ERSN-43). Quadro 1. Médias Aproximadas, Desvios-padrão e Amplitude: EUGPI2, EARS, BSI, Bem-estar e Distress psicológicos e ERSN-43 (n = 476) Média Dp Mínimo Máximo EUGPI2 2.36 1.05 1.00 6.00 EARS 2.17 0.58 1.00 4.36 BSI 1.84 0.64 1.00 4.06 ISM 4.10 0.81 1.53 5.95 Bem-Estar Psicológico (ISM) 3.71 0.90 1.36 6.00 Distress Psicológico (ISM) 4.33 0.83 1.63 5.92 ERSN-43 5.98 0.96 2.58 8.00 Nota. Dp = Desvio-padrão. Correlações entre as Variáveis De modo a identificar o grau de associação entre o uso problemático da Internet (EUGPI2), o uso problemático das Redes Sociais (EARS), a sintomatologia (BSI), a saúde mental, o bem-estar psicológico e o distress psicológico (ISM) e a regulação da satisfação das necessidades psicológicas (ERSN-43), realizou-se correlações lineares de pearson – Hipóteses 1, 2 e 3. Foram realizadas análises preliminares para garantir que os pressupostos de normalidade, de linearidade e de homogeneidade não eram violados. Decidiu-se não apagar os outliers, uma vez que se pretende avaliar o uso problemático da Internet e das Redes Sociais, e não apenas aquele que é mais “adequado”, assim como ter em conta as pessoas que não se enquadram nesse grupo, o que não seria possível se os casos dos extremos fossem excluídos. Encontrou-se uma correlação positiva moderada entre o uso problemático da Internet e a sintomatologia (r = .39, p < .001) e uma correlação positiva fraca entre o uso problemático das Redes Sociais e a sintomatologia (r = .27, p < .001), o que significa que níveis mais elevados 28 de uso problemático da Internet e das Redes Sociais estão associados a níveis mais elevados de sintomas psicopatológicos. Por outro lado, verificou-se uma correlação negativa moderada entre o uso problemático da Internet e a saúde mental (r = -.37, p < .001), o bem-estar psicológico (r = -.32, p < .001) e o distress psicológico (r = -.36, p < .001), o que sugere que níveis mais elevados de uso problemático da Internet estão associados a níveis mais baixos de saúde mental e de bem-estar psicológico e níveis mais elevados de distress psicológico, visto que os itens da escala ISM foram invertidos, de modo a pontuações mais elevadas equivalerem a maiores níveis de saúde mental. Relativamente ao uso problemático das Redes Sociais, encontrou-se uma correlação negativa fraca entre esta variável e a saúde mental (r = -.24, p < .001), o bem-estar psicológico (r = -.23, p < .001) e o distress psicológico (r = -.23, p < .001), o também sugere que níveis mais elevados de uso problemático das Redes Sociais estão associados a níveis mais baixos de saúde mental e de bem-estar psicológico e níveis mais elevados de distress psicológico. Foi, ainda, encontrada uma correlação negativa moderada entre o uso problemático da Internet e das Redes Sociais e as necessidades psicológicas, o que significa que níveis mais elevados de uso problemático estão associados a níveis mais baixos de regulação da satisfação das necessidades (ver quadro 2). Quadro 2. Correlações entre o Uso Problemático da Internet (EUGPI2), o Uso Problemático das Redes Sociais (EARS), a Sintomatologia (BSI), a Saúde Mental, o Bem-estar Psicológico e o Distress Psicológico (ISM) e a Regulação da Satisfação das Necessidades Psicológicas (ERSN-43) (n = 476, com exceção na EARS, com n = 439) Variáveis EARS BSI ISM Bem-estar Distress ERSN-43 EUGPI2 .67** .39** -.37** -.32** -.36** -.45** EARS - .27** -.24** -.23** -.23** -.33** ** p < .001 A relação entre o uso problemático da Internet, o uso problemático das Redes Sociais e as necessidades psicológicas e as sete polaridades a que pertencem foi investigada através de correlações lineares de pearson – Hipóteses 5 e 6. Verificou-se que o uso problemático da Internet e o uso problemático das Redes Sociais correlacionaram-se negativamente com cada necessidade psicológica isolada e com todas as polaridades dialéticas, correspondendo níveis mais elevados de uso problemático a níveis mais baixos de regulação da satisfação das necessidades psicológicas, e vice-versa. As correlações encontradas são fracas e moderadas, 29 variando entre r = -.23, para a dimensão Lazer, e r = -.41, para a dimensão Autoestima, no uso da Internet (p < .01), sendo a correlação com a polaridade Autoestima/Autocrítica a mais forte (r = -.40, p < .01). Para o uso das Redes Sociais, também foram encontradas correlações fracas e moderadas, variando entre r = -.17, para a dimensão Diferenciação, e r = -.30, para a dimensão Proximidade e Coerência (p < .01), sendo a correlação com as polaridades Controlo/Cooperação e Proximidade/Diferenciação as mais fortes (r = -.29, p < .01). Para mais detalhe, ver o anexo G. De modo a perceber de que forma o uso problemático da Internet e o uso problemático das Redes Sociais se relacionam com o número de horas passadas por dia para fins pessoais nas respetivas plataformas, realizou-se uma ANOVA a um Fator – Hipótese 4 –, tendo-se encontrado uma diferença significativa nos valores médios para os vários grupos [F(5, 470) = 27.40, p < .001, para a Internet, e F(5, 433) = 21.11, p < .001, para as Redes Sociais]. Verificou- se que a quantidade aproximada de horas passada na Internet era superior para os indivíduos com níveis mais elevados de uso problemático da Internet, com exceção daqueles que passaram 14 ou mais horas por dia na Internet terem tido valores inferiores de uso problemático. O mesmo se verificou para as Redes Sociais, a quantidade aproximada de horas passada nas Redes Sociais era superior para os indivíduos com níveis mais elevados de uso problemático das Redes Sociais, com exceção daqueles que passaram 14 ou mais horas por dia nas Redes Sociais terem tido valores inferiores de uso problemático. Ver figura 1 para mais detalhe. 1,83 2,45 2,89 3,27 4,10 3,55 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,50 Menos de 2 horas 2 a 4 horas 5 a 7 horas 8 a 10 horas 11 a 13 horas 14 ou mais horas E U G P I2 Horas de utilização da Internet para fins pessoais num dia típico 30 Figura 1.Valores Médios do uso problemático da Internet (EUGPI2) e das Redes Sociais (EARS) consoante o tempo de utilização (em horas) das respectivas plataformas, Internet e Redes Sociais, para fins pessoais, num dia típico. Regressões Lineares Múltiplas Standard De seguida, pretendeu-se entender de que forma o uso problemático da Internet e o uso problemático das Redes Sociais predizem a variância na regulação da satisfação das necessidades psicológicas, no bem-estar psicológico, no distress psicológico e na sintomatologia, assim como qual é o melhor preditor das variáveis dependentes, tendo-se realizado Regressões Lineares Múltiplas Standard. Foram realizadas análises preliminares para garantir que os pressupostos de multicolinearidade, de normalidade, de linearidade, de presença de outliers e de homogeneidade não eram violados. O modelo, que inclui o uso problemático da Internet e o uso problemático das Redes Sociais, explica 20.1% (p < .001) da variância na regulação da satisfação das necessidades psicológicas. Destas duas variáveis, o uso problemático da Internet é a variável que contribui de uma forma estatisticamente significativa para a explicação da variância na regulação da satisfação das necessidades psicológicas ( = -.407; p < .001), explicando 9% da variância na regulação da satisfação das necessidades psicológicas. O modelo explica 39.2% (p < .001) da variância na sintomatologia, sendo o uso problemático da Internet a variável que contribui de uma forma estatisticamente significativa para a explicação da variância nesta variável ( = .387; p < .001), explicando 8% da variância. O modelo explica 32.4% (p < .001) da variância no bem- estar e 35.9% no distress psicológico, sendo o uso problemático da Internet a variável que contribui de uma forma estatisticamente significativa para a explicação da variância nestas 1,95 2,42 2,46 2,74 2,91 2,50 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 Menos de 2 horas 2 a 4 horas 5 a 7 horas 8 a 10 horas 11 a 13 horas 14 ou mais horas E A R S Horas de utilização das Redes Sociais para fins pessoais num dia típico 31 variáveis ( = -.311 e  = -.374, respetivamente; p < .001), explicando 5% da variância no bem- estar e 8% no distress. Teste t – Comparação de valores médios para grupos independentes Com o objetivo de perceber se existiam diferenças significativas nas médias das VD para os grupos de utilizadores e de não utilizadores das Redes Sociais (n = 439 e n = 37, respetivamente), foi realizado um Teste t para amostras independentes – Hipóteses 7 e 8. Não foi encontrada nenhuma diferença significativa nos valores de regulação da satisfação das necessidades psicológicas para os utilizadores e não utilizadores das Redes Sociais (t = 1.48, p = .146). Por outro lado, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas outras variáveis, nomeadamente na sintomatologia (t = -1.99, p = .047), no bem-estar psicológico (t = 2.28, p = .023), no distress psicológico (t = 2.99, p = .003) e, ainda, no uso problemático da Internet (t = -10.21, p < .001) para os dois grupos referidos (ver figura 2). Figura 2. Valores médios do uso problemático da Internet (EUGPI2), da sintomatologia (BSI), do bem-estar e distress psicológicos (ISM) e da regulação da satisfação das necessidades psicológicas (ERSN-43), para os utilizadores e não utilizadores das Redes Sociais. Nota. Valores mais elevados de distress equivalem a menor distress. A variável correspondente à frequência de publicação nas Redes Sociais foi recategorizada de modo a incluir duas categorias: utilização “passiva” (não publicar ou publicar raramente nas plataformas online – no máximo uma vez por mês) e utilização “ativa” das Redes Sociais (publicar frequentemente – desde duas vezes por mês até várias vezes numa hora). Realizou-se um Teste t para amostras independentes para perceber se existiam diferenças significativas nas médias das VD para os grupos de utilizadores das Redes Sociais de uma forma “passiva” (n = 197) e “ativa” (n = 242) – Hipótese 9. Apenas se verificou uma diferença 6,27 1,64 4,03 4,72 1,40 5,96 1,86 3,68 4,30 2,44 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 ERSN-43 BSI Bem-estar (ISM) Distress (ISM) EUGPI2 V al o re s M éd io s Variáveis em Estudo Não Sim 32 significativa nos valores de uso problemático da Internet (t = -3.76, p < .001) e das Redes Sociais (t = -3.88, p < .001) para os dois grupos (ver figura 3). Figura 3. Valores médios do uso problemático da Internet (EUGPI2), do uso problemático das Redes Sociais (EARS), da sintomatologia (BSI), do bem-estar e distress psicológicos (ISM) e da regulação da satisfação das necessidades psicológicas (ERSN-43), para os utilizadores “passivos” e utilizadores “ativos” das Redes Sociais. Nota. Valores mais elevados de distress equivalem a menor distress. As pontuações totais das escalas EUGPI2 e EARS foram divididas pela sua mediana, de modo a formar um ponto de corte que distinguisse o uso “adequado” do “problemático”, tanto para a Internet ( 2.20 e  2.21) como para as Redes Sociais ( 2.14 e  2.15), tendo sido realizado um Teste t para amostras independentes para perceber se existiam diferenças significativas nas médias das VD para os dois grupos. Relativamente à utilização da Internet, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas variáveis uso problemático da Internet (t = -31.02, p < .001), uso problemático das Redes Sociais (t = -13.84, p < .001), sintomatologia (t = -7.27, p < .001), bem-estar (t = 5.88, p < .001), distress psicológico (t = 6.68, p < .001) e regulação da satisfação das necessidades psicológicas (t = 7.82, p < .001), para ambos os grupos. Relativamente à utilização das Redes Sociais, foram também encontradas diferenças estatisticamente significativas nas variáveis uso problemático da Internet (t = -13.18, p < .001), uso problemático das Redes Sociais (t = -29.20, p < .001), sintomatologia (t = -4.24, p < .001), bem-estar (t = 3.57, p < .001), distress psicológico (t = 3.51, p < .001) e regulação da satisfação das necessidades psicológicas (t = 4.97, p < .001), para ambos os grupos (ver figura 4). 2,05 1,85 3,63 4,31 5,94 2,242,26 1,87 3,72 4,29 5,97 2,61 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 EARS BSI Bem-estar (ISM) Distress (ISM) ERSN-43 EUGPI2 V al o re s M éd io s Variáveis em Estudo Utilização Passiva Utilização Ativa 33 Figura 4. Valores médios do uso problemático da Internet (EUGPI2), do uso problemático das Redes Sociais (EARS), da sintomatologia (BSI), do bem-estar e distress psicológicos (ISM) e da regulação da satisfação das necessidades psicológicas (ERSN-43), para a utilização “adequada” e “problemática” da Internet (em cima) e das Redes Sociais (em baixo). Nota. Valores mais elevados de distress equivalem a menor distress. Discussão A tecnologia está cada vez mais presente no quotidiano dos indivíduos, atraindo desde as gerações mais novas até às mais velhas. Apesar dos variados benefícios reportados, o mundo virtual pode ser utilizado como uma forma de compensar a falta de apoio social e de escapar dos problemas e da realidade (Leung, 2011). Como tal, as pessoas ficam sujeitas a certos riscos inerentes à Internet e às Redes Sociais, o que levanta a necessidade de estudar as consequências da sua utilização no bem-estar dos indivíduos. Assim, esta investigação pretendeu estudar o impacto que a utilização da Internet e das Redes Sociais tem na satisfação das necessidades 1,53 1,84 1,65 3,93 4,57 6,29 3,26 2,48 2,06 3,46 4,08 5,64 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 EUGPI2 EARS BSI Bem-estar (ISM) Distress (ISM) ERSN-43 V al o re s M éd io s Variáveis em Estudo Uso Adequado (≤ 2,20) Uso Problemático (> 2,21) 1,86 1,67 1,72 3,84 4,44 6,19 2,95 2,61 1,98 3,54 4,17 5,76 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 EUGPI2 EARS BSI Bem-estar (ISM) Distress (ISM) ERSN-43 V al o re s M éd io s Variáveis em Estudo Uso Adequado (≤ 2,14) Uso Problemático (> 2,15) 34 psicológicas dos indivíduos e perceber de que forma o seu uso excessivo e desadequado afeta a saúde mental e o bem-estar das pessoas. De acordo com o esperado, o uso problemático da Internet e das Redes Sociais correlacionam-se negativamente com a saúde mental, o bem-estar e a regulação da satisfação das necessidades psicológicas dos indivíduos e positivamente com a sintomatologia e o distress psicológico, permitindo confirmar as hipóteses 1, 2 e 3. Estes resultados estão de acordo com estudos anteriores que têm demonstrado que a utilização da Internet e das Redes Sociais afetam negativamente o bem-estar psicológico (Caplan, 2003; Çardak, 2013), a autoestima (Armstrong et al., 2000) e a satisfação com a vida (Wartberg et al., 2015) e estão relacionadas com vários problemas psicológicos, como depressão, ansiedade, sintomas obsessivo-compulsivos, défice de atenção, problemas de dependência, comportamentos autodestrutivos e impulsivos, hostilidade/agressão e humor disfórico (Cecilia et al., 2013; Phillips et al., 2012; Reed et al., 2015; Sasmaz et al., 2014; Shapira et al., 2000; Yen et al., 2007; Yoo et al., 2004; Zboralski et al., 2009), entre outros. A dependência da Internet também tem demonstrado estar associada a dificuldades de adaptação social, a reduzidas capacidades emocionais e a dificuldades em lidar com os problemas de uma forma adaptativa, na presença de fatores de stress (Çardak, 2013; Cerniglia et al., 2017; Engelberg & Sjöberg, 2004). Segundo o MCP, os problemas psicológicos resultam da incapacidade de regular adequadamente as necessidades psicológicas (Faria & Vasco, 2011), sendo que a sua regulação depende das capacidades de regulação emocional e é determinante para o funcionamento psicológico saudável e adaptativo (Vasco, 2013; Vasco et al., 2018). Isto vai ao encontro dos resultados obtidos, sugerindo que a regulação da satisfação das necessidades psicológicas poderá ser uma variável mediadora entre o uso problemático da Internet e das Redes Sociais e a saúde mental e o bem-estar psicológico dos indivíduos, de modo que a utilização destas plataformas impossibilita a regulação das necessidades e, consequentemente, origina consequências negativas e sintomas psicopatológicos. É possível que as relações encontradas neste estudo sejam bidirecionais, tal como sugerido por Cerniglia e colaboradores (2017), de tal forma que, para além do uso problemático da Internet e das Redes Sociais originar sintomas psicopatológicos, as pessoas que já tem problemas psicológicos são atraídas para estas plataformas, como forma de escapar dos seus problemas ou de procurar obter apoio emocional e de interagir socialmente, levando-as a utilizá-las de uma forma excessiva e desadequada, precipitando o desenvolvimento do uso problemático ou de uma dependência a estas plataformas (Kuss & Griffiths, 2011). Em concordância com esta ideia, os resultados demonstraram que o uso problemático da Internet e das Redes Sociais está associado a uma maior quantidade de tempo passada nestas 35 plataformas, sugerindo que quanto mais tempo as pessoas passam na Internet ou nas Redes Sociais, mais sintomas psicopatológicos e consequências negativas associadas ao uso problemático estas experienciam. Deste modo, a hipótese 4 foi confirmada. Apesar do uso problemático não ser definido, apenas, pela quantidade de tempo excessiva passada nos meios de comunicação digitais (Pontes et al., 2015), vários estudos demonstram que as pessoas que utilizam desadequadamente estas plataformas e/ou apresentam uma dependência em relação às mesmas tendem a passar grande parte do seu tempo online e a utilizá-las de uma forma excessiva (Kuss & Griffiths, 2011). Assim, este aspecto requer uma atenção cuidada, de modo a prevenir o desenvolvimento de problemas e de dependências relacionadas com as tecnologias e os meios de comunicação digitais, prejudiciais para a saúde mental e o bem-estar dos indivíduos. Com base na revisão de literatura realizada, hipotetizou-se que o uso problemático da Internet e das Redes Sociais estaria associado negativamente a certas necessidades psicológicas conceptualizadas pelo MCP, como a Proximidade, a Produtividade e a Autoestima, e positivamente a outras, como a Diferenciação, o Lazer e a Atualização, porém os resultados obtidos indicam que o uso problemático destas plataformas correlaciona-se de forma negativa com cada necessidade psicológica isolada e com todas as polaridades dialéticas do MCP, sugerindo que a utilização da Internet e das Redes Sociais não ajuda os indivíduos a satisfazer as suas necessidades psicológicas, pelo contrário. Assim, a hipótese 5 foi confirmada e a 6 refutada. Estes resultados confirmam as conclusões fornecidas por alguns estudos anteriores de que a utilização da Internet e das Redes Sociais diminui a conexão social e o envolvimento social, assim como aumenta a solidão e o isolamento social (Allen et al., 2014; Alpaslan et al., 2015; Cerniglia et al., 2017), impedindo a satisfação das necessidades psicológicas, como a de relacionamento, de conexão social e de apoio social (Prievara et al., 2018), visto que os laços estabelecidos online são fracos (Kraut et al., 1998). No entanto, contradizem os resultados que demonstram que o uso de meios de comunicação digitais pode satisfazer a necessidade de pertença (Pelling & White, 2009; Walsh et al., 2009), de popularidade (Utz et al., 2012), de conexão social, de autonomia, de relacionamento, de competência, de ter um lugar e de auto- identidade (Karahanna et al., 2018), assim como aumenta o envolvimento, a interação e a conexão social e a sensação de pertença dos indivíduos, fortalece as relações pessoais e a intimidade e permite aos indivíduos desenvolver a sua identidade pessoal (Clark et al., 2018; Grieve et al., 2013; Livingstone, 2008; Quinn & Oldmeadow, 2013). A variedade de resultados encontrados demonstra a importância de se continuar a investigar a relação entre a utilização da Internet e das Redes Sociais e as necessidades psicológicas, de modo a entender se estas 36 plataformas ajudam ou impedem a satisfação das necessidades dos seus utilizadores e se é a sua regulação desadequada que predispõe os indivíduos a utilizarem estas plataformas de forma excessiva, em vez do contrário. A hipótese 7 foi refutada, não tendo sido encontradas diferenças significativas na regulação da satisfação das necessidades psicológicas entre os utilizadores e os não utilizadores das Redes Sociais, o que se pode dever ao facto da amostra dos não utilizadores ser muito pequena ou desta capacidade não ser afetada pela utilização destas plataformas na amostra estudada. Ainda assim, permanece a necessidade de esclarecer esta relação em estudos futuros, dado que a natureza única das Redes Sociais e a sua prevalência no quotidiano dos indivíduos coloca riscos para o seu bem-estar e saúde mental. Neste sentido, foram encontradas diferenças significativas no bem-estar psicológico, na sintomatologia, no distress psicológico e no uso problemático da Internet entre os utilizadores e os não utilizadores das Redes Sociais, de tal forma que os utilizadores destas plataformas tendem a experienciar um menor bem-estar e níveis mais elevados de sintomas psicopatológicos, de distress psicológico e de uso problemático da Internet do que aqueles que não as utilizam. Confirma-se, assim, a hipótese 8. Apesar da hipótese 9 não ter sido confirmada, os resultados sugerem que as pessoas que utilizam as Redes Sociais de uma forma passiva, isto é, não publicam ou publicam raramente nas plataformas online e se envolvem raramente em atividades que permitem a interação online com os outros, em oposição àqueles que utilizam as plataformas de uma forma ativa, tendem a experienciar níveis mais baixos de uso problemático da Internet e das Redes Sociais. Estes resultados opõem-se às conclusões defendidas na literatura, de que os utilizadores passivos fazem um uso mais problemático das plataformas online e experienciam um menor bem-estar, pois não beneficiam da conexão social promovida nas plataformas e tendem a comparar-se mais com os outros online (Clark et al., 2018), o que se pode dever ao facto dos utilizadores ativos utilizarem as Redes Sociais durante mais tempo do que os utilizadores passivos ou a outro fator não considerado neste estudo. Os resultados também indicam que, em comparação com aqueles que fazem um uso mais adequado da Internet e das Redes Sociais, os utilizadores que fazem um uso problemático destas plataformas, apresentando pontuações mais elevadas nos instrumentos que avaliaram estas variáveis, tendem a experienciar menos bem-estar psicológico, menor regulação da satisfação das necessidades psicológicas e mais sintomas psicopatológicos, distress psicológico e consequências negativas relacionadas com a utilização desadequada destas plataformas, o que está de acordo com os estudos anteriores. Este estudo permitiu aumentar os conhecimentos relativos ao impacto da utilização da Internet e das Redes Sociais no bem-estar, na saúde mental e na satisfação das necessidades 37 dos indivíduos, tendo estudado uma amostra relativamente variada, incluindo indivíduos de várias faixas etárias e de diferentes contextos sociais. No entanto, também apresenta algumas limitações, relativamente ao facto da amostra recolhida ser de conveniência, tendo incluindo poucos indivíduos do sexo masculino e não utilizadores das Redes Sociais, o que poderá ter enviesado os resultados obtidos e não permitir a sua generalização para a população geral. O facto dos dados terem sido recolhidos através de escalas de autorrelato também poderá ser uma limitação (Bhandari & Wagner, 2006), uma vez que, por vezes, as pessoas não são muito fiáveis no reconhecimento das dificuldades que estão a experienciar no presente, devido à sua perceção enviesada das suas experiências, por isso poderá ser importante avaliar o impacto da utilização da Internet e das Redes Sociais através da observação ou dos relatos dos familiares e amigos do utilizador, que poderão ter outra perceção (Kuss & Griffiths, 2011). Além disso, poderá ser útil realizar estudos qualitativos, de modo a ter uma compreensão mais fiável deste tema e das experiências dos indivíduos, sem ter por base, apenas, as conceptualizações de outras dependências. O presente estudo teve como objetivo avaliar apenas o uso problemático da Internet e das Redes Sociais, e não a dependência a estas plataformas, tendo sido escolhidos instrumentos de avaliação que se adequassem ao conceito escolhido, porém é possível que a EARS, que avalia o uso problemático das Redes Sociais, não avalie o mesmo conceito que a EUGPI2, apesar de não possuir um ponto de corte, o que é necessário para avaliar a dependência das Redes Sociais, uma vez que foi construída com base numa escala de avaliação de Internet Addiction. Neste sentido, à semelhança de outros estudos, torna-se difícil comparar os resultados desta investigação com os apresentados na literatura, devido à utilização de conceitos e de escalas diferentes para medir o constructo em questão. É, por isso, essencial apostar no desenvolvimento de um conceito coerente e universal, de modo a diminuir as inconsistências existentes e a desenvolver o estudo nesta área, a qual se tornará cada vez mais necessária, tendo em conta os constantes avanços da tecnologia. Possivelmente, no futuro ir-se-á reconhecer a existência de um uso abusivo ou problemático das plataformas online, que poderá originar uma dependência a estas plataformas, a qual será introduzida nos manuais de diagnóstico de perturbações mentais, à semelhança das restantes perturbações comportamentais. Apesar das limitações encontradas, este estudo teve implicações teóricas e práticas importantes para a compreensão do fenómeno da utilização da Internet e das Redes Sociais em Portugal e do impacto negativo que a sua utilização tem nas necessidades psicológicas e na saúde mental dos indivíduos. É possível que a Internet e as Redes Sociais não sejam negativas por si só, mas que o seu impacto no bem-estar das pessoas dependa da forma como estas são utilizadas. Desta forma, os estudos futuros deverão avaliar os comportamentos específicos 38 realizados pelos utilizadores destas plataformas no contexto em que são realizados e as motivações que levam à sua utilização, de modo a compreender as consequências que daí advêm, em vez de se focarem excessivamente nas características particulares de cada Rede Social, que se poderão tornar irrelevantes assim que a sua utilização diminuir, visto que a Internet está constantemente em rápida evolução (Clark et al., 2018). Neste sentido, a consciencialização e a disseminação de informação sobre os riscos da Internet e das Redes Sociais é essencial, assim como a prevenção de problemas e de dependências relacionadas com o uso destas plataformas, de modo a evitar que as crianças cresçam dependentes destas e que os indivíduos sofram de problemas psicológicos, prejudiciais para a sua saúde, sendo importante moderar a utilização destes meios de comunicação digitais e promover um uso mais adequado e adaptativo dos mesmos, dado que estes são uma parte integrante da vida dos indivíduos e é difícil parar a sua utilização por completo. Em suma, a utilização das Redes Sociais como forma de compensar ou substituir a interação social pessoal coloca elevados riscos à saúde mental dos indivíduos, promovendo uma sensação de apoio, de conexão e de união falsa e levando à sua alienação da realidade, destacando-se, assim, a importância de valorizar as relações sociais da vida real, em vez das relações instrumentais mediadas pela Internet. 39 Referências Bibliográficas Adalıer, A., & Balkan, E. (2012). The relationship between Internet addiction and psychological symptoms. International Journal of Global Education, 1(2), 42-49. Ahn, D., & Shin, D. (2013). Is the social use of media for seeking connectedness or for avoiding social isolation? Mechanisms underlying media use and subjective well-being. Computers in Human Behavior, 29, 2453-2462. doi:10.1016/j.chb.2012.12.022 Akın, A. (2012). The relationships between Internet addiction, subjective vitality, and subjective happiness. 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Caracterização da Amostra (n = 476) Frequência % Sexo Feminino 379 79.6 Masculino 97 20.4 Idade 18 a 24 anos 127 26.7 25 a 30 anos 52 10.9 31 a 40 anos 86 18.1 41 a 50 anos 110 23.1 51 a 60 anos 77 16.2 61 a 70 anos 23 4.8 mais de 71 anos 1 0.2 Estado Civil Solteiro 227 47.7 Casado/União de Facto 214 45.0 Separado/Divorciado 31 6.5 Viúvo 4 0.8 Relacionamento Amoroso Não 173 36.3 Sim 303 63.7 Habilitações Literárias 9.º ano ou equivalente 8 1.7 12.º ano ou equivalente 104 21.8 Bacharelato 9 1.9 Licenciatura 235 49.4 Mestrado 84 17.6 Doutoramento 22 4.6 Outro 14 2.9 68 Quadro 3. Caracterização da Amostra (n = 476) (continuação) Frequência % Situação Profissional Desempregado 18 3.8 Trabalhador por conta de outrem 300 63.0 Trabalhador por conta própria 25 5.3 Trabalho Doméstico 2 0.4 Reformado 7 1.5 Estudante 124 26.1 Acompanhamento Terapêutico a Não 287 60.3 Sim, no passado 108 22.7 Sim, atualmente 81 17.0 Tempo de Utilização da Internet Menos de um ano 1 0.2 Entre 1 e 3 anos 5 1.1 Entre 4 e 6 anos 10 2.1 Entre 7 e 9 anos 64 13.4 10 ou mais anos 396 83.2 Uso Diário da Internet para Fins Pessoais Menos de duas horas 177 37.2 De 2 a 4 horas 186 39.1 De 5 a 7 horas 83 17.4 De 8 a 10 horas 19 4.0 De 11 a 13 horas 7 1.5 14 ou mais horas 4 0.8 a. Engloba acompanhamento psicológico, psicoterapêutico ou psiquiátrico. 69 Quadro 3. Caracterização da Amostra (n = 476) (continuação) Frequência Percentagem Uso Semanal da Internet para Fins Pessoais Com menos frequência 12 2.5 1 dia 9 1.9 2 dias 7 1.5 3 dias 10 2.1 4 dias 7 1.5 5 dias 25 5.3 6 dias 26 5.5 Ao fim de semana 7 1.5 Todos os dias 373 78.4 Utilização das Redes Sociais Não 37 7.8 Sim 439 92.2 Tempo de Utilização das Redes Sociais b Menos de um ano 3 0.6 Entre 1 e 3 anos 19 4.0 Entre 4 e 6 anos 85 17.9 Entre 7 e 9 anos 169 35.5 10 ou mais anos 163 34.2 Uso Diário das Redes Sociais para fins pessoais b Menos de duas horas 250 52.5 De 2 a 4 horas 136 28.6 De 5 a 7 horas 39 8.2 De 8 a 10 horas 9 1.9 De 11 a 13 horas 4 0.8 14 ou mais horas 1 0.2 b. N = 439 (7.8% corresponde aos não utilizadores das Redes Sociais) 70 Quadro 3. Caracterização da Amostra (n = 476) (continuação) Frequência Percentagem Uso Semanal das Redes Sociais para fins pessoais b Com menos frequência 25 5.3 1 dia 10 2.1 2 dias 8 1.7 3 dias 15 3.2 4 dias 12 2.5 5 dias 16 3.4 6 dias 27 5.7 Ao fim de semana 8 1.7 Todos os dias 318 66.8 Frequência de Publicação nas Redes Sociais b Nunca publicou 23 4.8 1 a 6 vezes por ano 108 22.7 1 vez por mês 66 13.9 2 a 4 vezes por mês 60 12.6 1 vez a cada 2 semanas 27 5.7 1 vez por semana 46 9.7 Várias vezes por semana 75 15.8 1 vez por dia 23 4.8 Mais do que 2 vezes por dia 10 2.1 Várias vezes numa hora 1 0.2 b. N = 439 (7.8% corresponde aos não utilizadores das Redes Sociais) 71 Anexo B Consistência Interna da Escala do Uso Generalizado Problemático da Internet 2 (EUGPI2) 72 Quadro 4. Consistência Interna (Alfa de Cronbach) da Escala do Uso Generalizado Problemático da Internet 2 (EUGPI2) e respetivas subescalas Escala e Subescalas  Instrumento Original  Instrumento Adaptação  Presente Estudo Preferência pela Interação Social Online .82 .80 .76 Regulação do Humor .86 .84 .87 Autorregulação Deficiente - .86 .87 Preocupação Cognitiva .86 - .69 Uso Compulsivo da Internet .87 - .84 Consequências Negativas .83 .78 .66 EUGPI-2 – Escala Global .91 .90 .90 73 Anexo C Consistência Interna da Escala de Adição às Redes Sociais (EARS) 74 Quadro 5. Consistência Interna (Alfa de Cronbach) da Escala de Adição às Redes Sociais (EARS) e respetivas subescalas Escala e Subescalas  Instrumento Original  Instrumento Adaptação  Presente Estudo Consequências Sociais .70 .83 .52 Utilização Desadequada do Tempo .63 - .61 Sentimentos Compulsivos .94 .73 .40 EARS – Escala Global - .85 .82 75 Anexo D Consistência Interna do Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI) 76 Quadro 6. Consistência Interna (Alfa de Cronbach) do Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI) e respetivas subescalas Escala e Subescalas  Instrumento Original  Instrumento Adaptação  Presente Estudo Somatização .80 .80 .87 Obsessões-Compulsões .83 .77 .84 Sensibilidade Interpessoal .74 .76 .87 Depressão .85 .73 .89 Ansiedade .81 .77 .87 Hostilidade .78 .76 .83 Ansiedade Fóbica .77 .62 .82 Ideação Paranóide .77 .72 .81 Psicoticismo .71 .62 .79 BSI – Escala Global - - .97 77 Anexo E Consistência Interna do Inventário de Saúde Mental (ISM) 78 Quadro 7. Consistência Interna (Alfa de Cronbach) do Inventário de Saúde Mental (ISM) e respetivas subescalas Escala e Subescalas  Instrumento Original (Veit & Ware, 1983)  Ribeiro (2001)  Novo (2004)  Presente Estudo Ansiedade .90 .91 .89 .93 Depressão .86 .85 .86 .85 Perda de Controlo Emocional/Comportamental .83 .87 .84 .88 Afeto Geral Positivo .92 .91 .87 .94 Laços Emocionais .81 .72 .73 .78 Distress Psicológico .94 .95 .95 .96 Bem-estar Psicológico .92 .91 .90 .94 ISM – Escala Global .96 .96 .96 .97 79 Anexo F Consistência Interna da Escala de Regulação da Satisfação das Necessidades (ERSN-43) 80 Quadro 8. Consistência Interna (Alfa de Cronbach) da Escala de Regulação da Satisfação das Necessidades (ERSN-43) e respetivas subescalas Escala e Subescalas  Instrumento Original (Conde, 2012)  Presente Estudo Prazer/Dor .78 .65 Prazer .83 .81 Dor .48 .17 Proximidade/Diferenciação .84 .71 Proximidade .84 .74 Diferenciação .73 .66 Produtividade/Lazer .94 .88 Produtividade .94 .90 Lazer .91 .80 Controlo/Cooperação .91 .80 Controlo .87 .80 Cooperação .87 .71 Exploração/Tranquilidade .89 .82 Exploração .84 .75 Tranquilidade .86 .83 Coerência/Incoerência .89 .84 Coerência .85 .82 Incoerência .82 .67 Autoestima/Autocrítica .91 .86 Autoestima .92 .91 Autocrítica .84 .72 ERSN-43 – Escala Global .98 .95 81 Anexo G Quadro de Correlações Significativas entre o Uso Problemático da Internet (EUGPI2), o Uso Problemático das Redes Sociais (EARS) e as Necessidades Psicológicas (ERSN-43) 82 Quadro 9. Correlações Significativas entre o Uso Problemático da Internet (EUGPI2), o Uso Problemático das Redes Sociais (EARS) e as Necessidades Psicológicas (ERSN-43) (n = 476, exceto para EARS, com n = 439) Necessidades Psicológicas EUGPI2 EARS Prazer/Dor -.346** -.247** Prazer -.311** -.213** Dor -.254** -.187** Proximidade/Diferenciação -.389** -.293** Proximidade -.353** -.301** Diferenciação -.278** -.171** Produtividade/Lazer -.361** -.269** Produtividade -.407** -.298** Lazer -.229** -.173** Controlo/Cooperação -.356** -.294** Controlo -.267** -.219** Cooperação -.360** -.297** Exploração/Tranquilidade -.367** -.257** Exploração -.279** -.222* Tranquilidade -.347** -.216** Coerência/Incoerência -.378** -.278** Coerência -.364** -.301** Incoerência -.336** -.216** Autoestima/Autocrítica -.402** -.272** Autoestima -.408** -.242** Autocrítica -.286** -.242** ** p < .001 83 Anexo H Questionário 84 Questionário Consentimento Informado No âmbito da minha Dissertação de Mestrado em Psicoterapia Cognitiva- Comportamental e Integrativa, pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, sob a orientação do Professor Doutor António Branco Vasco, venho convidá-lo(a) a participar num estudo cujo objetivo principal é perceber qual é o impacto da utilização da Internet e, mais especificamente, das Redes Sociais, na regulação da satisfação das necessidades psicológicas e na adaptação das pessoas. A sua participação ocorrerá num único momento e terá a duração de cerca de 30 minutos. Por favor, responda a todos os itens, tendo em conta que não existem respostas certas ou erradas, de modo a que seja possível validar o seu questionário integralmente. Para participar neste estudo, deve ter idade igual ou superior a 18 anos e ser um utilizador da Internet. Todos os dados recolhidos são confidenciais e anónimos e serão utilizados apenas para efeitos de investigação. A sua participação é voluntária, pelo que poderá desistir a qualquer momento, sem qualquer consequência, se assim o desejar. De seguida, irá encontrar diferentes questionários. Antes de começar a responder, tenha em atenção as instruções e as escalas de resposta, que são diferentes para cada um dos questionários, e certifique-se que compreendeu o que lhe é pedido. Após o término deste estudo, serão disponibilizadas as suas conclusões. Caso necessite de algum esclarecimento adicional, poderá fazê-lo através do correio eletrónico: carolina.lemos@campus.ul.pt Agradeço desde já a sua colaboração e disponibilidade, Carolina Lemos Declaro que li e concordo com a informação acima apresentada e aceito participar:  Aceito participar 85 Questionário Sociodemográfico 1. Sexo:  Feminino  Masculino 2. Idade:  18 a 24 anos  25 a 30 anos  31 a 40 anos  41 a 50 anos  51 a 60 anos  61 a 70 anos  mais de 71 anos 3. Estado Civil:  Solteiro  Casado/União de facto  Separado/Divorciado  Viúvo 4. Está atualmente num relacionamento amoroso?  Não  Sim 5. Habilitações Literárias:  Inferior ao 9º ano  9º ano ou equivalente  12º ano ou equivalente  Bacharelato  Licenciatura  Mestrado  Doutoramento  Outro: _____________ 86 6. Situação profissional:  Desempregado  Trabalhador por conta de outrem  Trabalhador por conta própria  Trabalho Doméstico  Reformado  Estudante 7. Já teve ou está a ter atualmente acompanhamento psicológico, psicoterapêutico ou psiquiátrico?  Não  Sim, no passado  Sim, atualmente 8. Há quanto tempo começou a utilizar a Internet?  menos de 1 ano  entre 1 e 3 anos  entre 4 e 6 anos  entre 7 e 9 anos  10 ou mais anos 9. Durante quantas horas utiliza a Internet para fins pessoais num dia típico?  menos de 2 horas  de 2 a 4 horas  de 5 a 7 horas  de 8 a 10 horas  de 11 a 13 horas  14 ou mais horas 87 10. Quantos dias por semana utiliza a Internet, para fins pessoais?  com menos frequência  1 dia  2 dias  3 dias  4 dias  5 dias  6 dias  só ao fim de semana  todos os dias da semana 11. Utiliza as Redes Sociais?  Não  Sim Caso tenha respondido “Não” à pergunta anterior, passe as próximas perguntas à frente. 12. Há quanto tempo começou a utilizar as Redes Sociais?  menos de 1 ano  entre 1 e 3 anos  entre 4 e 6 anos  entre 7 e 9 anos  10 ou mais anos 13. Durante quantas horas utiliza as Redes Sociais para fins pessoais num dia típico?  menos de 2 horas  de 2 a 4 horas  de 5 a 7 horas  de 8 a 10 horas  de 11 a 13 horas  14 ou mais horas 88 14. Quantos dias por semana utiliza as Redes Sociais, para fins pessoais?  com menos frequência  1 dia  2 dias  3 dias  4 dias  5 dias  6 dias  só ao fim de semana  todos os dias da semana 15. Com que frequência publica algo nas Redes Sociais (considere qualquer tipo de conteúdo possível, como fotos, vídeos, textos…)?  nunca publiquei conteúdos  uma a seis vezes por ano  uma vez por mês  duas a quatro vezes por mês  uma vez a cada duas semanas  uma vez por semana  várias vezes por semana  uma vez por dia  mais do que duas vezes por dia  várias vezes numa hora 89 EUGPI2 (Caplan, 2010; adaptado para a população portuguesa por Pontes, Caplan & Griffiths, 2016) Tendo em conta a seguinte escala, avalie em que medida concorda ou discorda com cada uma das seguintes afirmações relativamente ao uso da Internet não profissional ou académico. Isto é, apenas considere o uso por lazer, tanto no computador como em qualquer outro tipo de dispositivo com acesso à Internet. Escala de resposta: 1 = Discordo totalmente; 2 = Discordo; 3 = Discordo um pouco; 4 = Neutro; 5 = Concordo um pouco; 6 = Concordo; 7 = Concordo totalmente. D is co rd o to ta lm en te D is co rd o D is co rd o u m p o u co N eu tr o C o n co rd o u m p o u co C o n co rd o C o n co rd o to ta lm en te 1. Prefiro a interação social online em vez da comunicação cara-a-cara. 1 2 3 4 5 6 7 2. Já usei a Internet para falar com outras pessoas quando me senti sozinho(a). 1 2 3 4 5 6 7 3. Quando não estou online por algum tempo, começo logo a pensar em voltar a ligar-me. 1 2 3 4 5 6 7 4. Tenho dificuldade em controlar a quantidade de tempo que passo online. 1 2 3 4 5 6 7 90 5. Tenho dificuldade em gerir a minha vida por causa da Internet. 1 2 3 4 5 6 7 6. Sinto-me mais confortável com a interação social online do que com a interação cara-a-cara. 1 2 3 4 5 6 7 7. Já usei a Internet para me sentir melhor quando me sentia em baixo. 1 2 3 4 5 6 7 8. Sentir-me-ia perdido(a) se não pudesse usar a Internet. 1 2 3 4 5 6 7 9. Sinto que é difícil controlar o meu uso da Internet. 1 2 3 4 5 6 7 10. Perdi compromissos ou atividades sociais por causa do meu uso da Internet. 1 2 3 4 5 6 7 11. Prefiro comunicar com as pessoas online em vez de cara-a-cara. 1 2 3 4 5 6 7 12. Já usei a Internet para me sentir melhor quando estava chateado(a). 1 2 3 4 5 6 7 13. Penso obsessivamente em estar online quando não estou na Internet. 1 2 3 4 5 6 7 14. Quando não estou na Internet, é difícil resistir ao impulso de me ligar. 1 2 3 4 5 6 7 15. O uso da Internet já me criou problemas na vida. 1 2 3 4 5 6 7 91 EARS (Al-Menayes, 2015; adaptado para a população portuguesa por Lira, 2016) Tendo em conta a seguinte escala, avalie o seu grau de concordância com cada uma das seguintes afirmações relativamente ao uso das Redes Sociais não profissional ou académico, nos últimos 6 meses. Isto é, apenas considere o uso por lazer das Redes Sociais, tanto no telemóvel como em qualquer outro tipo de dispositivo com acesso à Internet, nos últimos 6 meses. Escala de resposta: 1 = Discordo Totalmente; 2 = Discordo; 3 = Nem Discordo/Nem Concordo; 4 = Concordo; 5 = Concordo Totalmente. Discordo Totalmente Discordo Nem Discordo/Nem Concordo Concordo Concordo Totalmente 1. Utilizo muito mais vezes as redes sociais do que pretendia. 1 2 3 4 5 2. Considero que a vida sem as redes sociais seria aborrecida. 1 2 3 4 5 3. Tenho negligenciado muitas vezes o trabalho escolar ou profissional por causa das redes sociais. 1 2 3 4 5 4. Fico irritado(a) se alguém me interrompe quando estou a utilizar as redes sociais. 1 2 3 4 5 92 5. Não sinto necessidade de utilizar as redes sociais durante vários dias. 1 2 3 4 5 6. Não me apercebo da passagem do tempo quando estou a utilizar as redes sociais. 1 2 3 4 5 7. É-me difícil adormecer logo após a utilização das redes sociais. 1 2 3 4 5 8. Ficaria chateado(a) se tivesse que reduzir a quantidade de tempo que passo nas redes sociais. 1 2 3 4 5 9. Os meus familiares queixam- se frequentemente da importância que dou às redes sociais. 1 2 3 4 5 10. O meu desempenho escolar ou profissional piorou por causa da utilização das redes sociais. 1 2 3 4 5 11. Costumo usar as redes sociais durante o horário escolar ou de trabalho. 1 2 3 4 5 12. Costumo cancelar encontros com os meus amigos por causa da necessidade que tenho de utilizar as redes sociais. 1 2 3 4 5 13. Dou por mim várias vezes a pensar sobre o que aconteceu nas 1 2 3 4 5 93 redes sociais mesmo quando não as estou a utilizar. 14. Sinto que a minha utilização das redes sociais tem aumentado significativamente desde que as comecei a utilizar. 1 2 3 4 5 BSI (Derogatis, 1993; adaptado para a população portuguesa por Canavarro, 1999) De seguida, apresenta-se uma lista de problemas ou sintomas que, por vezes, as pessoas referem. Leia com atenção cada um deles e assinale a opção que melhor descreve o grau em que cada problema ou sintoma o(a) incomodou durante a última semana, incluindo hoje. Assinale apenas uma opção para cada problema ou sintoma e não deixe nenhum item por responder. Em que medida ficou perturbado(a) por: Nunca Poucas vezes Algumas vezes Muitas vezes Muitíssimas vezes 1. Nervosismo ou tensão interior. 0 1 2 3 4 2. Desmaios ou tonturas. 0 1 2 3 4 3. Ter a impressão que as outras pessoas podem controlar os meus pensamentos. 0 1 2 3 4 4. Ter a ideia que os outros são culpados pela maioria dos meus problemas. 0 1 2 3 4 5. Dificuldade em se lembrar de coisas passadas ou recentes. 0 1 2 3 4 6. Aborrecer-se ou irritar-se facilmente. 0 1 2 3 4 94 7. Dores sobre o coração ou no peito. 0 1 2 3 4 8. Medo na rua ou praças públicas. 0 1 2 3 4 9. Pensamentos de acabar com a vida. 0 1 2 3 4 10. Sentir que não pode confiar na maioria das pessoas. 0 1 2 3 4 11. Perder o apetite. 0 1 2 3 4 12. Ter um medo súbito sem razão para isso. 0 1 2 3 4 13. Ter impulsos que não se podem controlar. 0 1 2 3 4 14. Sentir-se sozinho(a) mesmo quando está com mais pessoas. 0 1 2 3 4 15. Dificuldade em fazer qualquer trabalho. 0 1 2 3 4 16. Sentir-se sozinho(a). 0 1 2 3 4 17. Sentir-se triste. 0 1 2 3 4 18. Não ter interesse por nada. 0 1 2 3 4 19. Sentir-se atemorizado(a). 0 1 2 3 4 20. Sentir-se facilmente ofendido(a) nos seus sentimentos. 0 1 2 3 4 21. Sentir que as outras pessoas não são amigas ou não gostam de si. 0 1 2 3 4 22. Sentir-se inferior aos outros. 0 1 2 3 4 95 23. Vontade de vomitar ou mal- estar do estômago. 0 1 2 3 4 24. Impressão de que os outros o(a) costumam observar ou falar de si. 0 1 2 3 4 25. Dificuldade em adormecer. 0 1 2 3 4 26. Sentir necessidade de verificar várias vezes o que faz. 0 1 2 3 4 27. Dificuldade em tomar decisões. 0 1 2 3 4 28. Medo de viajar de autocarro, de comboio ou de metro. 0 1 2 3 4 29. Sensação de que lhe falta o ar. 0 1 2 3 4 30. Calafrios ou afrontamentos. 0 1 2 3 4 31. Ter de evitar certas coisas, lugares ou atividades por lhe causarem medo. 0 1 2 3 4 32. Sensação de vazio na cabeça. 0 1 2 3 4 33. Sensação de anestesia (entorpecimento ou formigueiro) no corpo. 0 1 2 3 4 34. Ter a ideia que deveria ser castigado(a) pelos seus pecados. 0 1 2 3 4 35. Sentir-se sem esperança perante o futuro. 0 1 2 3 4 36. Ter dificuldade em concentrar-se. 0 1 2 3 4 37. Falta de forças em partes do corpo. 0 1 2 3 4 96 38. Sentir-se em estado de tensão ou aflição. 0 1 2 3 4 39. Pensamentos sobre a morte ou que vai morrer. 0 1 2 3 4 40. Ter impulsos de bater, ofender ou ferir alguém. 0 1 2 3 4 41. Ter vontade de destruir ou partir coisas. 0 1 2 3 4 42. Sentir-se embaraçado(a) junto de outras pessoas. 0 1 2 3 4 43. Sentir-se mal no meio das multidões, como lojas, cinemas ou assembleias. 0 1 2 3 4 44. Grande dificuldade em sentir- se “próximo(a)” de outra pessoa. 0 1 2 3 4 45. Ter ataques de terror ou pânico. 0 1 2 3 4 46. Entrar facilmente em discussão. 0 1 2 3 4 47. Sentir-se nervoso(a) quando tem que ficar sozinho(a). 0 1 2 3 4 48. Sentir que as outras pessoas não dão o devido valor ao seu trabalho ou às suas capacidades. 0 1 2 3 4 49. Sentir-se tão desassossegado(a) que não consegue manter-se sentado quieto(a). 0 1 2 3 4 50. Sentir que não tem valor. 0 1 2 3 4 97 51. A impressão de que, se deixasse, as outras pessoas se aproveitariam de si. 0 1 2 3 4 52. Ter sentimentos de culpa. 0 1 2 3 4 53. Ter a impressão de que alguma coisa não está bem na sua cabeça. 0 1 2 3 4 ISM (Ware, Johnston, Davies-Avery, & Brook, 1979; adaptado para a população portuguesa por Duarte-Silva & Novo, 2002) Solicitamos que responda a um conjunto de questões acerca do modo como se tem sentido no dia-a-dia, durante este último mês. Para cada questão há várias alternativas de resposta, pelo que deve assinalar a que melhor se aplica a si. 1. Neste último mês... Quão feliz e satisfeito(a) se sentiu com a sua vida pessoal?  Extremamente feliz  Muito feliz e satisfeito(a), a maior parte do tempo  Geralmente satisfeito(a) e feliz  Ora ligeiramente satisfeito(a), ora ligeiramente infeliz  Geralmente insatisfeito(a), infeliz  Quase sempre muito insatisfeito(a) e infeliz 2. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu só?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 98 3. Durante o último mês... Com que frequência se sentiu nervoso(a) ou apreensivo(a) perante coisas que aconteceram, ou perante situações inesperadas?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 4. Neste último mês... Com que frequência sentiu que tinha um futuro promissor e cheio de esperança?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 5. Neste último mês... Com que frequência sentiu que a sua vida no dia-a-dia estava cheia de coisas interessantes?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 6. Neste último mês... Com que frequência se sentiu relaxado(a) e sem tensão?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 99 7. Neste último mês... Com que frequência sentiu prazer nas coisas que fazia?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 8. Durante o último mês... Esteve perante situações em que se questionou se estaria a perder a memória?  Não, nunca  Talvez, um pouco  Sim, mas não o suficiente para ficar preocupado(a) com isso  Sim, e fiquei um bocado preocupado(a)  Sim, e isso preocupa-me  Sim, e estou muito preocupado(a) com isso 9. Durante o último mês... Sentiu-se deprimido(a)?  Sim, quase sempre muito deprimido(a) até ao ponto de não me interessar por nada  Sim, muito deprimido(a) durante a maior parte do tempo  Sim, deprimido(a) muitas vezes  Sim, por vezes sinto-me um pouco deprimido(a)  Não, nunca me sinto deprimido(a) 10. Durante o último mês... Quantas vezes se sentiu amado(a) e querido(a)?  Sempre  Quase sempre  A maior parte das vezes  Algumas vezes  Muito poucas vezes  Nunca 100 11. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu nervoso(a)?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 12. Neste último mês... Com que frequência esperava ter um dia interessante ao levantar-se?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 13. Durante o último mês... Quantas vezes se sentiu tenso(a) e irritado(a)?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 14. Neste último mês... Sentiu que controlava perfeitamente o seu comportamento, pensamentos e sentimentos?  Sim, completamente  Sim, geralmente  Sim, penso que sim  Não muito bem  Não, e ando um pouco perturbado(a) por isso  Não, e ando muito perturbado(a) por isso 101 15. Neste último mês... Com que frequência sentiu as mãos a tremer quando fazia alguma coisa?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 16. Neste último mês... Com que frequência sentiu que não tinha futuro, que não tinha para onde orientar a sua vida?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 17. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu calmo(a) e em paz?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 18. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu emocionalmente estável?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 102 19. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu triste e em baixo?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 20. Neste último mês... Com que frequência se sentiu prestes a chorar?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 21. Durante o último mês... Com que frequência pensou que as outras pessoas se sentiriam melhor se você não existisse?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 22. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu capaz de relaxar sem dificuldade?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 103 23. Neste último mês... Durante quanto tempo sentiu que as suas relações amorosas eram totalmente satisfatórias?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 24. Neste último mês... Com que frequência sentiu que tudo acontecia ao contrário do que desejava?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 25. Neste último mês... Quão incomodado(a) é que se sentiu devido ao nervosismo?  Extremamente (ao ponto de não poder fazer as coisas que devia)  Muito incomodado(a)  Um pouco incomodado(a)  Algo incomodado(a) (o suficiente para dar conta)  Apenas de forma muito ligeira  Nada incomodado(a) 26. Neste último mês... Durante quanto tempo sentiu que a sua vida era uma aventura maravilhosa?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 104 27. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu triste e em baixo, de tal modo que nada o(a) conseguia animar?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 28. Durante o último mês... Alguma vez pensou em acabar com a vida?  Sim, muitas vezes  Sim, algumas vezes  Sim, umas poucas vezes  Sim, uma vez  Não, nunca 29. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu cansado(a), inquieto(a) e impaciente?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 30. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu rabugento(a) ou de mau humor?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 105 31. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu alegre, animado(a) e bem- disposto(a)?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 32. Durante o último mês... Com que frequência se sentiu confuso(a) ou perturbado(a)?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 33. Neste último mês... Sentiu-se ansioso(a) ou preocupado(a)?  Sim, extremamente (ao ponto de ficar doente ou quase)  Sim, muito  Sim, o suficiente para me incomodar  Sim, um pouco  Sim, de forma muito ligeira  Não, de maneira nenhuma 34. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu uma pessoa feliz?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 106 35. Durante o último mês… Com que frequência sentiu dificuldade em manter-se calmo(a)?  Sempre  Com muita frequência  Frequentemente  Com pouca frequência  Quase nunca  Nunca 36. Neste último mês... Durante quanto tempo se sentiu espiritualmente em baixo?  Sempre  Quase sempre  A maior parte do tempo  Durante algum tempo  Quase nunca  Nunca 37. Durante o último mês... Com que frequência acordou de manhã sentindo-se fresco(a) e repousado(a)?  Sempre, todos os dias  Quase todos os dias  Frequentemente  Algumas vezes, mas normalmente não  Quase nunca  Nunca acordo com a sensação de descansado 38. Durante o último mês... Esteve ou sentiu-se debaixo de grande pressão ou stress?  Sim, quase a ultrapassar os limites  Sim, muita pressão  Sim, alguma, mais do que o costume  Sim, alguma como de costume  Sim, um pouco  Não, nenhuma 107 ERSN-43 (Conde & Vasco, 2012) Seguidamente apresentamos uma sequência de afirmações relativas a características e vivências pessoais. Por favor, leia com atenção cada uma delas e responda, assinalando o seu grau de acordo ou desacordo numa escala de 1 a 8. O número “1” significa que “discorda totalmente” e o “8” que “concorda totalmente”. A linha divisória entre o “4” e o “5” separa as zonas de desacordo e de acordo. Quanto mais elevado for o número selecionado maior é o grau de acordo. 1 a 4 Desacordo 5 a 8 Acordo 1 2 3 4 5 6 7 8 Discordo Concordo 1. Sou capaz de distinguir críticas construtivas de destrutivas. 1 2 3 4 5 6 7 8 2. De forma geral, estou satisfeito(a) comigo mesmo(a). 1 2 3 4 5 6 7 8 3. Sinto mal-estar quando tenho de discordar de alguém. 1 2 3 4 5 6 7 8 4. Faço frequentemente coisas para sair da rotina. 1 2 3 4 5 6 7 8 5. Sinto que os outros não se interessam ou se preocupam comigo. 1 2 3 4 5 6 7 8 6. Sinto-me amado(a) e acarinhado(a) por uma ou mais pessoas. 1 2 3 4 5 6 7 8 7. De uma forma geral, gosto de experienciar coisas novas. 1 2 3 4 5 6 7 8 8. Consigo desfrutar os pequenos prazeres da vida. 1 2 3 4 5 6 7 8 9. Sentir-me zangado(a) com alguém é sempre sinal de má educação. 1 2 3 4 5 6 7 8 10. Estou satisfeito(a) com a qualidade daquilo que produzo. 1 2 3 4 5 6 7 8 108 11. Sinto-me sozinho(a), mesmo quando estou acompanhado(a). 1 2 3 4 5 6 7 8 12. Sinto que o meu tempo de lazer é útil e valioso. 1 2 3 4 5 6 7 8 13. Tenho dificuldade em desfrutar da vida. 1 2 3 4 5 6 7 8 14. É humano chorar a perda de alguém que amamos. 1 2 3 4 5 6 7 8 15. As minhas atividades de lazer contribuem para o meu sentimento de bem-estar. 1 2 3 4 5 6 7 8 16. Sou capaz de aceitar que há coisas que estão fora do meu controlo. 1 2 3 4 5 6 7 8 17. Sou tolerante comigo mesmo(a) face a conflitos entre o que penso, sinto e faço. 1 2 3 4 5 6 7 8 18. Sinto-me constrangido(a) e inibido(a) em mostrar as minhas opiniões aos outros. 1 2 3 4 5 6 7 8 19. Sinto que consigo tirar prazer da vida. 1 2 3 4 5 6 7 8 20. Experiencio paz de espírito. 1 2 3 4 5 6 7 8 21. Sinto-me confortável com a ideia de que não posso controlar tudo e todos. 1 2 3 4 5 6 7 8 22. Em função dos meus erros posso aperfeiçoar o meu comportamento. 1 2 3 4 5 6 7 8 23. Sinto-me confortável quando tenho de colaborar com outros. 1 2 3 4 5 6 7 8 24. Consigo suportar situações desagradáveis se vejo benefícios futuros nisso. 1 2 3 4 5 6 7 8 25. Consigo cooperar com os outros para atingir objetivos comuns. 1 2 3 4 5 6 7 8 26. Sou tolerante comigo mesmo(a) face a conflitos entre emoções contraditórias. 1 2 3 4 5 6 7 8 109 27. Quando paro e reparo nas coisas à minha volta, sinto-me bem e satisfeito(a). 1 2 3 4 5 6 7 8 28. Expresso as minhas ideias e opiniões, independentemente das reações dos outros. 1 2 3 4 5 6 7 8 29. Sou capaz de reconhecer que há coisas que estão fora do meu controlo. 1 2 3 4 5 6 7 8 30. Sei distinguir os medos justificados dos que não o são. 1 2 3 4 5 6 7 8 31. Quando sinto que tenho de ceder o meu controlo a um coletivo, aceito-o, cooperando com ele. 1 2 3 4 5 6 7 8 32. Vejo-me como uma pessoa aberta a novas experiências. 1 2 3 4 5 6 7 8 33. Quando sinto incoerências ou conflitos entre o que penso, sinto e faço, aceito a sua existência e procuro resolvê-los. 1 2 3 4 5 6 7 8 34. Sinto-me perto de ser a pessoa que desejo ser. 1 2 3 4 5 6 7 8 35. Sinto que errar possa ser uma oportunidade de aprendizagem. 1 2 3 4 5 6 7 8 36. No geral, sinto-me satisfeito(a) quando penso nas minhas características. 1 2 3 4 5 6 7 8 37. Quando sinto incoerências ou conflitos entre emoções contraditórias, aceito a sua existência e procuro resolvê-los. 1 2 3 4 5 6 7 8 38. Sinto orgulho na pessoa que sou. 1 2 3 4 5 6 7 8 39. Sinto que tenho uma certa calma interior. 1 2 3 4 5 6 7 8 40. Sinto orgulho naquilo que produzo e realizo. 1 2 3 4 5 6 7 8 41. É-me difícil suportar a distância entre o que sou e o que desejo ser. 1 2 3 4 5 6 7 8 42. Sinto-me satisfeito(a) com a minha capacidade de usar o meu tempo de lazer. 1 2 3 4 5 6 7 8 43. Sinto-me satisfeito(a) com a minha competência produtiva. 1 2 3 4 5 6 7 8 110