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Publicação

Brazilian Autonomy in South America Under the Changing Global Order

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Autores

Çoban, Hazal Melike

Resumo(s)

This thesis analyzes regional powers' relationship with the great powers to understand how policy autonomy can be maintained under international pressure. As a country that draws attention to the regional leadership initiatives in the region, Brazil's changing autonomy in South America is the case of the study. Brazil has a remarkable position in the region with the largest population and geographical area. In this study, Brazil’s relationship with the US, historically dominant in the region, and China, as the emerging dominant power, will be analyzed. There is a vast literature on Brazil’s autonomy and its bilateral relationship with the US and China. However, these studies focus on Brazil’s international position, not regional autonomy. Thus, this study contributes to the autonomy and regional power literature by linking these theories to an empirical case. It also contributes to the Brazilian foreign policy literature by analyzing how the power transition in South America has affected Brazil’s autonomy vis-à vis the US and China. Therefore, the objectives of this study are threefold: to understand the impact of great powers on regional power relations within their geographical sphere of influence, to examine the mechanisms affecting regional power’s autonomy, and to analyze the US-China rivalry in Latin America. The research question is, ‘How do great powers (the US and China) affect regional power’s autonomy (Brazilian autonomy) in its geographical sphere of influence (South America)?’ A qualitative case study analysis is conducted through the process tracing method to answer this question. In addition to secondary resources, primary data is collected by semi-structured interviews with key experts.
Esta tese analisa a relação das potências regionais com as grandes potências globais para entender como a autonomia política pode ser mantida sob pressão internacional. Como um país que se destaca em iniciativas de liderança regional, a autonomia política do Brasil na América do Sul é o caso do estudo. Sendo o país com maior população e área geográfica, o Brasil tem uma posição singular na região. Neste estudo, será analisada a relação do Brasil com os EUA, historicamente dominantes na região, e com a China, enquanto potência dominante emergente. De acordo com a literatura sobre autonomia, uma vez que apenas as mudanças externas não são suficientes para explicar os comportamentos autónomos dos Estados, serão também analisados os ativos domésticos do Brasil e o papel do Presidente da República, tendo como referência o impacto das grandes potências nas questões domésticas. Portanto, os objetivos deste estudo são três: compreender o impacto das grandes potências nas relações de poder regionais dentro da sua esfera geográfica de influência, examinar os mecanismos que afetam a autonomia das potências regionais e analisar a rivalidade EUA-China na América Latina. A questão de investigação é: "Como é que as grandes potências (EUA e China) afetam a autonomia das potências regionais (autonomia brasileira) na sua esfera de influência geográfica (América do Sul)?” A tese está organizada em seis capítulos, cada um dos quais oferece informações valiosas sobre o tema da investigação. O primeiro capítulo apresenta os fundamentos teóricos que moldaram o quadro de investigação. Este capítulo inclui uma análise exaustiva de dois subconjuntos da literatura de Relações Internacionais (RI): sobre autonomia desenvolvida no contexto da América Latina e sobre poderes regionais. O capítulo apresenta uma visão abrangente da evolução da literatura sobre autonomia desde a sua criação na década de 1970, com destaque para os contributos significativos dos académicos brasileiros. A segunda parte do primeiro capítulo é dedicada ao conceito de poder regional. Explica as definições dos conceitos de região e poder por diferentes teorias de RI e revela as características das potências regionais. Esta secção é essencial para compreender porque é que o Brasil é considerado uma potência regional e como é que as relações com as grandes potências afetam a autonomia. Por fim, o primeiro capítulo aborda um tema altamente relevante das relações EUA-China. Esta secção é crucial para realçar a primeira ascensão pacífica da China e o endurecimento da retórica que a rodeia. Explora também a transferência de poder e os seus efeitos, visíveis na América Latina. De um modo geral, este capítulo oferece o enquadramento e prepara o terreno para a análise que se segue. iv O segundo capítulo debruça-se sobre a metodologia de investigação e a conceção escolhida para responder à questão de investigação. O capítulo apresenta uma descrição dos vários métodos de process tracing, dando ênfase à técnica de teste da teoria selecionada para analisar o caso. Além disso, a secção de metodologia descreve as fontes de recolha de dados, incluindo fontes primárias e secundárias, e conclui com uma discussão sobre a conceção da investigação. A conceção da investigação fornece uma metodologia clara para identificar ocorrências e datas cruciais durante o período designado. De um modo geral, este capítulo é crucial para estabelecer as bases do estudo e garantir que a questão de investigação fosse abordada de forma rigorosa e abrangente. O terceiro capítulo analisa a relação complexa entre os Estados Unidos e a América Latina. Através de uma perspetiva histórica, traçámos o desenvolvimento das relações entre os EUA e a América Latina, incluindo a Doutrina Monroe, as intervenções dos EUA e o impacto da política de contenção da União Soviética durante a Guerra Fria. Através da análise de eventos significativos e da literatura, explicámos de forma abrangente como os EUA estabeleceram a sua hegemonia na região e mantiveram a América Latina como o seu backyard através de políticas coercivas. Esta secção é também crucial para compreender a emergência das teorias da dependência e da autonomia na América Latina e o posicionamento da região em relação aos Estados Unidos. Passando para o período pós-Guerra Fria, assistimos ao declínio da influência e do interesse dos Estados Unidos na região, uma vez que procuraram integrar no sistema capitalista os novos Estados independentes da antiga União Soviética e deslocaram a sua atenção para o Médio Oriente após o 11 de setembro de 2001. Por último, este capítulo examinou as relações entre os EUA e o Brasil até 2000 e explorou as estratégias de política externa do Brasil em relação aos EUA durante este período, na sua busca de autonomia. De um modo geral, esta parte proporciona uma compreensão matizada da relação complexa e multifacetada entre os EUA e a América Latina, destacando os fatores históricos, políticos e económicos que moldaram esta relação ao longo do tempo. O quarto capítulo do presente estudo apresenta uma análise aprofundada das relações entre a China e a América Latina, com especial incidência na sub-região da América do Sul. O capítulo começou por discutir a industrialização da China e a sua procura de matérias-primas da América Latina, o que levou à abertura das relações comerciais. Analisa também as implicações do boom das matérias-primas e do modelo de crescimento baseado na exportação de matérias-primas para a América Latina, bem como os riscos de dependência e de desindustrialização levantados no debate sobre a primarização. Em seguida, o capítulo desloca o seu foco para a América do Sul, a esfera geográfica de influência do Brasil, e explora as v relações bilaterais dos países da região com a China. Foi destacada a importância dessas relações para o aumento da autonomia dos países em relação aos EUA e ao Brasil, bem como os riscos emergentes de dependência. Por fim, o capítulo aprofunda as relações Brasil-China de 2000 a 2018 no contexto das políticas implementadas pelos presidentes eleitos. Em geral, este capítulo contribui significativamente para a compreensão da complexa relação entre a China e a América Latina e das implicações desta relação para o desenvolvimento económico da região. Sublinha ainda a importância de equilibrar o crescimento económico com a autonomia estratégica e destaca a necessidade de os decisores políticos considerarem cuidadosamente os riscos e os benefícios das relações comerciais com a China. O quinto capítulo examina de forma exaustiva a evolução da autonomia do Brasil na América do Sul, revelando como o poder regional do Brasil evoluiu ao longo de quatro períodos distintos e avaliando as ações e as relações do Brasil com a China e os EUA. O primeiro período, de 2000 a 2008, registou um declínio da influência dos EUA e um maior envolvimento da China na região. Durante o segundo período, de 2009 a 2012, a crise financeira global alastrou dos EUA para a América Latina, mas a autonomia regional do Brasil continuou a aumentar. O terceiro período, de 2013 a 2016, foi caracterizado pela turbulência interna no Brasil após o boom das matérias-primas e por acontecimentos significativos na região no que respeita à integração regional. Finalmente, o período de 2017-2018 coincidiu com o governo de Donald Trump nos EUA e suas políticas agressivas contra a China, o que impactou ainda mais a autonomia do Brasil na região. Em geral, este estudo destaca a natureza intrincada da dinâmica de poder regional em mudança do Brasil, enfatizando a importância de entender como os eventos e relações globais moldam a autonomia de países individuais dentro de uma determinada região. O sexto capítulo é dedicado aos resultados e à análise. A secção é examinada principalmente com base nos dados primários recolhidos através de entrevistas semiestruturadas. Cada hipótese é avaliada com referência às entrevistas. A primeira hipótese é que as ações dos Estados Unidos aumentaram a autonomia do Brasil como potência regional até à confirmação da administração Trump. A segunda hipótese, de que as ações da China aumentaram a autonomia do Brasil como potência regional, é parcialmente confirmada. A terceira hipótese de que as ações dos EUA e da China causaram uma diminuição da autonomia do Brasil na América do Sul durante o governo Trump é também parcialmente confirmada. Os resultados são analisados em detalhe neste capítulo. Com base em estudos anteriores, esta tese aprofunda o tema da autonomia do Brasil enquanto potência regional, explorando tanto a sua ascensão como a sua queda. Ao fazê-lo, vi lança luz sobre a importância da teoria da autonomia nas relações internacionais contemporâneas. A tese argumenta que a transferência de poder entre grandes potências é um fator crucial na mudança da autonomia do Brasil como potência regional no sistema multipolar. A tese contribui para a literatura sobre a política externa brasileira, explorando como a transição de poder entre os EUA e a China na América do Sul pode impactar a autonomia do Brasil como potência regional. Além disso, a tese oferece perspetivas sobre estudos regionais e literatura sobre autonomia ao vincular a influência de grandes potências à política regional, mostrando como essa influência pode expandir ou restringir o espaço de manobra de uma potência regional na formulação da sua política externa.

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Palavras-chave

Brasil América do Sul Relações US-China Transição de poder

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