| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 14.4 MB | Adobe PDF | |||
| 5.27 MB | Adobe PDF |
Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Por toda a Europa, o século XVIII revestiu grande importância no domínio da difusão
das ideias. Homens de letras, cientistas, políticos, diplomatas - conhecidos pelo
termo genérico de filósofos - procuraram no movimento ilustrado os grandes princípios
orientadores do homem e da sociedade. Não tinham em comum nenhum programa, mas
todos eles questionavam os pressupostos básicos herdados do passado, quer de natureza
filosófica , quer teológicos e políticos. Segundo Ernest Cassirer, estavam convencidos de
que "o entendimento humano é capaz pelo seu próprio poder, e sem recorrer à ajuda sobrenatural,
de compreender o sistema do mundo"'. Eram geralmente hostis à religião revelada
e todos rejeitavam o dogma do pecado original.
O seu optimismo, relativamente à capacidade do homem para dominar a natureza e
compreender o mundo e a sociedade em que vivia, levava aquela elite de pensadores a
ser igualmente optimista quanto ao futuro do homem, à sua perfeição e à possibilidade
de alcançar a felicidade Por esta razão, todos tinham grande confiança na força da
educação, colocando em primeiro plano os problemas com ela relacionados. Não passou,
porém, de um debate de ideias com vista à formulação de uma nova teoria educativa,
cuja penetração no mundo propriamente escolar foi bastante lenta, por toda a Europa,
com efeitos práticos somente nas últimas décadas de Setecentos.
Como todos os pensadores, os filósofos tinham seus antepassados intelectuais:
tanto em ciências físicas e sociais como em filosofia, as suas ideias eram originárias, em
grande parte, do século anterior. No domínio da educação, a grande influência provinha
de John Locke (1632-1704), que no seu tratado sobre a educação se ocupou unicamente
da formação e educação do nobre, o "gentleman", não fazendo uma só vez alusão à educação
das classes populares. De acordo com o seu pensamento, todos os homens vêm ao
mundo iguais em capacidades, todos sujeitos à influência formativa do meio em que vivem.
A mente é uma tabula rasa, na qual todas as impressões e experiências são transmitidas
pelos sentidos e não por qualidades inatas ou herdadas, nem tão-pouco pelas origens
de nascimento. É a educação que faz a diferença entre os homens; mesmo as impressões mais leves, quando são recebidas desde a mais tenra infância, têm consequências
importantes e duradouras.
De todas as coisas necessárias à vida, Locke põe o saber em último lugar, depois
do conhecimento de Deus, da virtude, da prudência, da civilidade e da delicadeza. E apenas
na parte final da sua obra Some thoughts on education, publicada pela primeira vez
em 1693, que se ocupa da instrução e das ciências. "Espantar-vos-ei talvez", diz ele,
"que eu fale da instrução em último lugar, sobretudo se acrescentar que é, segundo
penso, a parte menor da educação". No que respeita aos estudos propriamente ditos,
atribui-lhes como fim principal a sua utilidade prática na vida. A leitura, a escrita e todas
as restantes matérias são necessárias como meios para obter as qualidades maiores.
Embora ocupando-se da educação do menino nobre, insiste na aprendizagem de
um oficio mecânico, como modo de compensar os estudos sedentários, para exercitar as
forças do corpo, desenvolver a habilidade e tomar o indivíduo mais são e vigoroso.
Uma boa educação tem por fim não só preparar fisicamente, mas também formar um espírito
bem disciplinado, condições suficientes para a felicidade. Por isso, na sua qualidade
de médico, J. Locke começa por tratar da educação física e dos cuidados a ter com a
criança nos primeiros anos. Mas, a questão que mais importância tem na sua obra é a
educação moral, a formação do carácter e a preparação para a virtude: "Depois de tomar
as precauções necessárias para conservar no corpo a sua força e vigor, para que, em
qualquer ocasião, nada consinta que não esteja de acordo com a dignidade e excelência
de uma criatura racional". De facto, para Locke, o homem ideal será o homem racional,
que seja capaz de vencer os desejos, reprimir as suas paixões, seguindo em todos os
momentos o caminho que a razão lhe aponte como o melhor.
O pensamento de John Locke foi conhecido em Portugal e teve influência em algumas
personalidades setecentistas, que o citaram e seguiram em certos aspectos, como
teremos oportunidade de realçar no decorrer do nosso trabalho. (...)
Descrição
Tese de doutoramento em Educação (História e Filosofia da Educação), apresentada à Universidade de Lisboa através do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências, 1995
Palavras-chave
Ensino primário Escolas régias Administração escolar Teses de doutoramento - 1995
