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Orientador(es)
Resumo(s)
A Educação Matemática Crítica (EMC) pode ser entendida como uma expressão de preocupações acerca da Educação Matemática, que abrangem conceitos intrinsecamente ligados ao ensino, como cenários para investigação e diálogo. Pesquisas têm destacado que o trabalho pedagógico com cenários para investigação
pode ser um dos caminhos para o desenvolvimento de preocupações da EMC em sala de aula, pois proporciona possibilidades para que os estudantes possam se engajar em processos investigativos, estabelecer interações dialógicas e refletir criticamente sobre questões matemáticas e sociopolíticas. Neste texto, destacamos resultados preliminares de uma pesquisa em que buscamos compreender a maneira como futuros professores de matemática se envolvem no estudo, na elaboração e no desenvolvimento de cenários para investigação durante atividades de estágio supervisionado. Para isso, utilizamos um modelo denominado
“Ciclos de formação docente para a EMC” durante o trabalho com o estágio supervisionado de cinco futuros professores. O modelo é realizado em quatro etapas: (1) Estudo teórico e vivências com cenários para investigação; (2) Planejamento colaborativo de cenários para investigação; (3) Desenvolvimento em sala de aula; (4) Reflexão coletiva no contexto de formação. Apresentamos resultados a partir da realização de dois ciclos, em que os futuros professores desenvolveram cenários para investigação com estudantes do primeiro ano de uma escola brasileira de ensino secundário. A pesquisa utilizou a metodologia do estudo de caso, o método da observação participante e, como instrumentos de coleta, caderno de campo, gravações em áudio das reuniões das etapas 1, 2 e 4 e materiais produzidos pelos futuros professores para as regências da etapa 3, durante os dois ciclos realizados. Para a análise e organização dos dados, utilizamos a análise de conteúdo categorial. Os resultados preliminares indicam que houve a apropriação do referencial teórico pelos futuros professores, pois destacaram, durante as reuniões das etapas 2 e 4, a importância do diálogo para o aceite do convite dos estudantes nas tarefas que constituíram as tarefas elaboradas. Apesar de relatarem dificuldades em manter os estudantes engajados nas tarefas, adotaram uma postura de incentivo a novas descobertas,
não fornecendo respostas prontas e mostraram-se abertos a ouvir e explorar os diferentes modos de raciocínio dos estudantes. Como desafios, podemos citar a dificuldade com os conteúdos matemáticos, por parte dos estudantes, a falta de experiência prática em sala de aula e a saída da zona de conforto para explorar uma proposta de ensino nova, por parte dos futuros professores. Ainda, a realização de apenas um ciclo de formação pode não ser suficiente para que uma postura investigativa, crítica e dialógica seja desenvolvida na prática docente, pois, de um ciclo para outro, percebemos mudanças importantes na maneira
como os futuros professores planejaram e conduziram as tarefas, relacionadas principalmente à autonomia na condução e uma abertura para colaboração entre os colegas. Ter proporcionado vivências com o planejamento colaborativo e as discussões coletivas ocorridas nos ciclos de formação trouxe contribuições
para o desenvolvimento profissional dos futuros professores já que se colocaram em constante reflexão sobre a prática, possibilitando aproximação entre as discussões teóricas com sua prática em sala de aula.
Descrição
Palavras-chave
Teacher education Critical mathematics education Landscapes of investigation Cenários para investigação Mathematics education Educação Matemática
Contexto Educativo
Citação
Silva, G. H. G. & Santiago, M. F. M. Formação inicial de professores de matemática em direção às preocupações da Educação Matemática Crítica In: proceedings book: Porto International Conference on Research in Education (2024) - ICRE2024 (pp. 493)
