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Resumo(s)
Este estudo pretende reflectir sobre as representações culturais construídas em torno da Rainha Jinga Mbandi (c.1582-1663), a figura política mais famosa e polémica deste período, no espaço e território hoje conhecido por Angola. O interesse deste trabalho revela-se ainda maior por se tratar de uma figura feminina africana, cujo protagonismo, relevo e importância só encontra par na figura de Cleópatra. No caso específico de Angola, Jinga, como é popularmente conhecida, é a personagem mais polémica de toda a sua história, tendo assumido na literatura e na pintura ocidentais, entre o século XVII e o século XIX, uma repercussão cujas representações vieram a ter, no discurso colonial português, no discurso nacionalista angolano e ainda no chamado discurso pós-colonial, contornos que importa compreender.
Partindo do conceito de cultura colonial e do percurso biográfico de Jinga Mbandi tal como foi delineado pelos seus contemporâneos, António de Oliveira de Cadornega (História Geral das Guerras Angolanas (1680-1681) em 1680 e João António Cavazzi de Montecúccolo (Descrição Histórica dos Três Reinos do Congo, Matamba e Angola) em 1693, procede-se à análise das efabulações em torno desta figura histórica elaboradas pelos escritores e pelos pintores dos séculos subsequentes. No século XVIII, destacam-se, além da obra do Abade Jean-Baptiste de Labat Rélation historique de l’Ethiopie occidentale (1732) e do romance de Jean-Louis Castillon Zingha, reine de l’Angola (1769), um soneto anónimo português de 1781 e dois sonetos de Bocage de cerca de 1790. No século XIX, emerge o retrato elaborado pelo pintor francês Achille Déveria em 1830 a partir das efabulações de Labat, assim como um manuscrito desaparecido do escritor angolano Joaquim Dias Cordeiro da Matta (1857-1894). No século XX, além do cotejo entre as perspectivas nativistas dos historiadores angolanos Francisco de Castelbranco e Alberto de Lemos e as colonialistas dos portugueses Ralph Delgado e Gastão Sousa Dias, confrontam-se, igualmente, por um lado as representações coloniais do contista português Hipólito Raposo, em 1926, e do pintor luso-angolano Albano Neves e Sousa em 1967 e, por outro, as nacionalistas da História de Angola do MPLA de 1965 e do escritor angolano Manuel Pedro Pacavira em 1985. Finalmente, no século XXI, aborda-se a construção da estátua em Luanda em 2003, assim como o romance do português Manuel Ricardo Miranda, em 2008, sem esquecer o recente estudo de Michel de Chandeigne, publicado em 2010.
Descrição
Palavras-chave
Njinga, Rainha de Angola, 1582-1663 - Biografias Njinga, Rainha de Angola, 1582-1663 - Na arte Njinga, Rainha de Angola, 1582-1663 - Na literatura Angola - História - séc.17 Discurso colonial Literatura francesa Literatura portuguesa Imagética
Contexto Educativo
Citação
Tavares, Célia Cristina da Silva; Cruz, Maria Leonor García da, coords. - Estudos Imagética. Rio de Janeiro: UERJ/CH-FLUL, 2014.
