Logo do repositório
 
A carregar...
Miniatura
Publicação

Discovery of biomarkers for the efficacy of Adalimumab in ankylosing spondylitis patients using a metabolomic approach

Utilize este identificador para referenciar este registo.
Nome:Descrição:Tamanho:Formato: 
TM_Tomás_Cruz.pdf1.34 MBAdobe PDF Ver/Abrir

Resumo(s)

A Espondilite Anquilosante (EA) é uma doença reumática crónica e inflamatória que afecta maioritariamente as articulações do esqueleto axial. A inflamação em EA afecta particularmente as enteses (área onde os tendões se ligam ao osso) da articulação sacroilíaca e das vértebras da coluna. Pacientes com EA sofrem, em geral, de dor dorsal, fadiga, e de uma crescente redução da mobilidade vertebral. Adicionalmente uma percentagem significativa de pacientes com EA (de 30 a 50%) também exibem manifestações periféricas como artrite ou dactilite (inflamação nos dedos, da mão ou pé) e uma minoria pode ainda apresentar manifestações extra-articulares como uveíte, psoríase, ou doença inflamatória intestinal (de 10 a 25%). A inflamação crónica em EA leva gradualmente a alterações estruturais ao nível das vértebras. A alteração estrutural mais caraterística da EA é a formação de sindesmófitos dentro do ligamento vertebral. Sindesmófitos são crescimentos ósseos formados nas margens do disco intervertebral, que pode resultar na fusão de vertebras adjacentes (anquilose), processo da qual a EA recebe o seu nome. A patologia da EA é multifacetada, envolvendo interacções complexas entre uma predisposição genética, disfunção do sistema imunitário, e desregulação da microbiota gastrointestinal. Entre os factores genéticos, o mais influente é a presença do gene HLA-27 que representa dois-terços da herdabilidade da doença. Aproximadamente 90% dos pacientes com EA possuem o gene HLA-B27, no entanto, apenas 5% dos portadores do gene desenvolvem a doença, o que sugere o envolvimento de factores genéticos e ambientais adicionais para a etiologia da EA. Ainda não é claro qual o papel definitivo do HLA-B27 na patogénese da EA, tendo três hipóteses canónicas, não-exclusivas, e conducentes a inflamação sido propostas: a hipótese da Cadeia Pesada Livre, a hipótese da proteína Misfolded, e a hipótese do Péptido Artritogénico. A hipótese da Cadeia Pesada Livre baseia-se no facto do heterodímero de HLA-B27 ter a tendência de se dissociar na superfície celular e formar homodímeros de cadeia pesada. A hipótese da proteína Misfolded descreve a tendência que a HLA-B27 tem em formar homodímeros de cadeia pesada intracelulares após ser sintetizado no Reticulo Endoplasmático. Isto leva a uma estrutura tridimensional incorrecta (Misfolded) da proteína. A acumulação de HLA-B27 misfolded no citoplasma inicia uma resposta de stress celular. A hipótese do Péptido Artritogénico propõe que um hospedeiro perca a tolerância imunitária para péptidos próprios específicos na sequência da activação do sistema imunitário por um péptido de origem patogénica com uma sequência de aminoácidos semelhante. Este processo é denominado mimetismo molecular. Vários estudos implicam a bactéria Klebsiella pneumoniae como sendo a fonte desse péptido de origem patogénica. Apesar da incerteza sobre a etiologia exacta da EA, actualmente, a hipótese predominante é que a EA se tende a desenvolver em indivíduos com uma predisposição genética e uma microbiota intestinal disbiótica. Disbiose intestinal pode ser definida como perturbações significativas na população microbiana intestinal que são conducentes a doença. É estimado que 87% dos pacientes de EA tenham uma microbiota intestinal desregulada, sendo esta uma característica quase intrínseca da doença. As bactérias disbióticas de pacientes de EA estimulam a abertura do espaço intercelular das barreiras intestinais epiteliais e vasculares. Este aumento de permeabilidade das barreiras intestinais permite a translocação de micróbios e antigénios microbianos para os tecidos adjacentes, colocando-os em contacto directo com as células do sistema imunitário da mucosa intestinal. Este contacto directo desencadeia, em primeiro lugar, uma inflamação local ao nível do intestino. É estimado que até 70% de pacientes com EA tenham inflamação intestinal subclínica e que 5 a 10% dos mesmos progridam para manifestações de inflamação intestinal mais severas como a doença inflamatória intestinal. No entanto, vários estudos sugerem que este contacto directo com antigénios activa os leucócitos dos tecidos intestinais subepiteliais e que estes, de seguida, migram do intestino e da corrente sanguínea para as enteses e articulações onde desencadeiam e/ou perpetuam os processos inflamatórios sistémicos associados com a EA. Actualmente, com base na sua fisiopatologia, a EA pode ser vista como um espectro de doenças onde coexistem, ou existem em momentos diferentes, mecanismos pertencentes tanto ao sistema imunitário inato como ao adaptativo. Enquanto que em outros pacientes poderá haver, em alternativa, uma predominância de um dos ramos do sistema imunitário sobre o outro. Esta confluência dos dois ramos do sistema imunitário na EA pode contribuir para a variabilidade clínica ao nível dos sintomas e resposta ao tratamento. Não obstante, numa maioria dos pacientes a patologia da EA é caracterizada por uma excessiva e prolongada produção de TNF-α sendo, por isso, esta citocina um alvo primordial para terapia com anticorpos monoclonais. Inibidores de TNF-α (TNFi) como o Adalimumab são o medicamento biológico de primeira escolha para pacientes com EA. O Adalimumab é um anticorpo monoclonal totalmente humano que neutraliza eficientemente o TNF-α solúvel e transmembranar. No entanto, apenas 60% dos pacientes com EA são classificados como respondedores aos TNFi e esta constatação pode demorar um a três anos a ser feita. Existe, portanto, uma necessidade urgente em antecipar o tratamento mais adequado para cada paciente dado que vários estudo mostram que uma iniciação precoce é crucial para uma substancial melhoria na qualidade de vida e no prognóstico da doença. A metabolómica é uma ferramenta muito útil para este tipo de medicina personalizada. Esta abordagem permite o estudo em larga escala dos metabolitos – moléculas com uma baixa massa molecular (<1-1.5 kDa) – presentes numa amostra biológica. Os nossos objectivos são portanto a identificação de marcadores moleculares que permitam antecipar a resposta de pacientes de EA ao Adalimumab e avaliar os efeitos sistémicos do mesmo. Um grupo de 24 pacientes com EA foram tratados subcutaneamente com 40 mg de Adalimumab a cada duas semanas. Foram colhidas amostras de sangue antes de administrar a primeira dose de Adalimumab (TP1), 3-5 dias depois da primeira dose (TP2), na segunda semana (TP3), e no final do estudo na semana 14 (TP4). Os pacientes foram classificados como Respondedores (n=12) e Não-respondedores (n=12) de acordo com a sua pontuação na avaliação do ASAS20 ao tempo 4. Os metabolitos foram extraídos do soro sanguíneo e analisados por cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massa em tandem (LC-MS/MS) utilizando polaridades positiva e negativa. Análises estatísticas uni e multivariadas foram usadas para determinar quais os metabolitos cujos níveis variavam significativamente ao longo do tempo e entre os dois grupos de doentes (respondedores vs não-respondedores). As vias metabólicas alteradas ao longo do tratamento foram identificadas por “Pathway Analysis”. A análise por LC-MS/MS permitiu a identificação e quantificação de 76 metabolitos serológicos no modo de polaridade positivo e 57 no negativo. Isto resultou na identificação combinada de 122 metabolitos únicos. Foram realizadas análises estatísticas multivariadas entre Respondedores e NãoRespondedores para os mesmos pontos temporais (e.g., R-TP1 vs NR-TP1) e entre diferentes pontos temporais dentro do mesmo grupo de pacientes (e.g., R-TP1 vs R-TP2). Não foram encontradas diferenças significativas entre Respondedores e Não-Respondedores para os mesmos pontos temporais tanto nas análises multivariadas como nas univariadas (teste t de Student). Isto foi verificado em ambos os modos de ionização. Também não foram encontradas diferenças estatíticas dentro de cada grupo de pacientes quando os quatro pontos temporais foram analisados em conjunto nem quando o TP1 foi emparelhado com cada um dos restantes pontos temporais. No entanto, através de uma análise multivariada, foi obtido um modelo discriminatório de PLS-DA válido (Q2 = 0.477, R2 = 0.879, and p = 0.001 em 2000 permutações) apenas para os metabolitos quantificados em modo positivo dos pacientes Respondedores quando o TP4 foi exluído. O modelo identificou variações significativas nos níveis de 18 metabolitos, mas apenas entre o TP1 até ao TP3. Análises por teste t de Student mostraram que não existem diferenças estatisticamente significativas nos níveis dos metabolitos entre o TP1 e o TP4. Logo, os pacientes no TP1 são estatisticamente indistinguíveis dos pacientes do TP4 em relação ao metaboloma serológico quantificado. Este resultado explica porque é que o modelo PLS-DA perde a sua capacidade discriminatória quando adicionamos o TP4 à análise estatística. Nenhum modelo válido foi obtido para o grupo dos Não-respondedores. Por Pathway Analysis foi revelado que o metabolismo da Fenilalanina (p = 0.0043) e do Triptofano (p = 0.0076) estão alterados de forma significativa nos pacientes Respondedores. Do conjunto de 18 metabolitos dados como significativos para a capacidade discriminatória do modelo, sete foram seleccionados para avaliar os impactos metabólicos sistémicos do Adalimumab. Estes metabolitos foram seleccionados considerando um conjunto de factores, nomeadamente: o peso da sua contribuição relativa para a capacidade discriminatória do modelo, pertencerem às vias metabólicas alteradas, e a existência de literatura adequada. As variações longitudinais dos níveis dos metabolitos seleccionados podem ser explicadas através de uma redução sistémica da inflamação causada pelo Adalimumab, sendo que destes, quatro são explicadas especificamente com uma redução da inflamação intestinal. Neste estudo não foi possível descriminar diretamente entre Respondedores e Nãorespondedores ao Adalimumab analisando o metaboloma serológico. No entanto, verificou-se que a variação longitudinal do metaboloma serológico dos pacientes Respondedores está relacionada com uma redução sistémica da inflamação, o que não ocorre no grupo de pacientes Não-respondedores.
Ankylosing Spondylitis (AS) is a chronic, inflammatory, rheumatic disease of unknown aetiology that mainly affects the axial joints. AS pathogenesis is characterised by an excessive and prolonged production of TNF-α, making it a prime target for monoclonal antibody (mAb) therapy. Adalimumab is a fully human mAb that neutralises soluble and transmembrane TNF-α. However, only 60% of AS patients respond favourably to Adalimumab therapy. Early adequate therapy is crucial for a better disease prognosis and quality of life. Metabolomics is a powerful tool in identifying biomarkers for therapeutic response. We therefore aim to identify metabolic biomarkers that can predict the response of AS patients to Adalimumab and reveal its systemic effects. AS patients were treated with Adalimumab and blood samples were collected before and during treatment. Patients were then classified as Responders or NonResponders. Using LC-MS/MS, 122 metabolites were quantified. It was not possible to distinguish by direct comparison the two patient groups using multivariate statistical analysis. However, within the Responders group, statistically valid variations occurred on the levels of 19 metabolites during treatment. A Pathway Analysis on those metabolites revealed the metabolism of phenylalanine and tryptophan to be altered significantly. Longitudinal variations in the levels of most metabolites were explained by an Adalimumab-driven reduction in intestinal inflammation. This supports, at a molecular level, the juxtaposition between TNFi responsiveness and intestinal inflammation observed by clinicians.

Descrição

Tese de Mestrado, Biologia Molecular e Genética , 2024, Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências

Palavras-chave

Espondilite Anquilosante Metabolómica Adalimumab Biomarcador Farmacometabolómica Teses de mestrado - 2024

Contexto Educativo

Citação

Projetos de investigação

Unidades organizacionais

Fascículo

Editora

Licença CC