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Publicação

Study of the sightings pattern of the Portuguese Man-of-War (Physalia physalis) in mainland Portugal

datacite.subject.fosCiências Naturais::Ciências Biológicaspt_PT
dc.contributor.advisorPereira, Soraia Alexandra Gonçalves
dc.contributor.advisorSantos, Antonina Maria de Melo dos
dc.contributor.authorCarvalho, Patrícia Fernandes
dc.date.accessioned2025-01-07T19:15:12Z
dc.date.available2025-01-07T19:15:12Z
dc.date.issued2024
dc.date.submitted2024
dc.descriptionTese de Mestrado, Mestrado em Ciências do Mar, 2024, Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciênciaspt_PT
dc.description.abstractA caravela-portuguesa (Physalia physalis) é um sifonóforo cosmopolita, amplamente distribuído por diversas regiões oceânicas do mundo, frequentemente avistado em águas portuguesas. Sendo um ser colonial, P. physalis é composta por zoóides especializados que trabalham em conjunto, formando um indivíduo funcional. O pneumatóforo, um flutuador em forma de balão cheio de gás, mantém a colónia à superfície do mar e também atua como vela, permitindo que o vento e as correntes oceânicas impulsionem o seu movimento. Os gastrozoóides são responsáveis pela alimentação e digestão, os gonozoóides pela reprodução e os dactilozoóides, comumente denominados tentáculos, pela captura de presas e pela autodefesa. Estes tentáculos possuem células especializadas conhecidas como cnidócitos, que contêm nematocistos, organelos responsáveis pela injeção de toxinas. O contacto direto com a caravela-portuguesa pode ter sérias repercussões para a saúde humana, desde necrose da pele até complicações cardiorrespiratórias e, em casos mais graves e pessoas mais sensíveis, até mesmo a morte. Além das implicações diretas na saúde humana, os arrojamentos em massa deste organismo apresentam impactos ambientais e socioeconómicos significativos. Do ponto de vista ecológico, estes fenómenos podem promover desequilíbrios na cadeia trófica, uma vez que existe uma maior predação por parte de P. physalis. Por outro lado, em termos socioeconómicos, a presença massiva deste sifonóforo nas praias pode provocar uma diminuição substancial do turismo costeiro, prejudicando a economia das regiões costeiras que dependem dessa atividade. O aumento da frequência e intensidade destes eventos, provavelmente intensificado pelas alterações climáticas, destaca a necessidade urgente de monitorizar a distribuição e a abundância desta espécie. Tanto quanto se sabe, a distribuição da caravela-portuguesa é maioritariamente controlada por fatores ambientais como o vento, as correntes oceânicas superficiais, o afloramento costeiro, etc. Compreender a relação entre estas variáveis e a ocorrência de arrojamentos é fundamental não só para obter informações sobre a variação interanual da espécie, mas também para verificar os possíveis efeitos das alterações climáticas na sua distribuição e abundância no futuro. Contudo, devido a diversos fatores, como dificuldades na amostragem científica da espécie, existe ainda uma grande lacuna no conhecimento sobre a sua distribuição, ecologia e biologia. O presente estudo visa contribuir para a diminuição dessa lacuna de conhecimento, propondose analisar a correlação entre a temperatura da superfície do mar (SST), a direção e a intensidade do vento, bem como os índices de afloramento costeiro e da Oscilação do Atlântico Norte (NAO), e os padrões de avistamentos da caravela-portuguesa na costa de Portugal continental. Considerando que a costa portuguesa está sob a influência de eventos sazonais de afloramento costeiro e que P. physalis é uma espécie neustónica, influenciada principalmente pelas correntes oceânicas superficiais e pelos ventos, a direção e a intensidade dos ventos podem influenciar significativamente a ocorrência da espécie junto à costa. Além disso, os avistamentos de P. physalis são mais frequentes fora da época predominante de afloramento costeiro, uma vez que as águas da superfície são transportadas para offshore durante estes eventos. Face ao cenário das alterações climáticas e aos relatos de aumento das populações de organismos gelatinosos em várias regiões, regista-se um crescimento tanto na frequência dos avistamentos como no número de indivíduos observados por avistamento, ao longo do tempo. Para efetuar esta análise, utilizaram-se dados do projeto de ciência cidadã GelAvista, que desde 2016 tem vindo a recolher informação sobre a distribuição e abundância de diferentes espécies de gelatinosos em Portugal. A ciência cidadã é uma ferramenta vantajosa, uma vez que oferece uma abordagem eficaz para recolha de grandes quantidades de dados em áreas extensas, permitindo obter informações que seriam difíceis de alcançar exclusivamente por métodos científicos de pesquisa tradicional. Durante os sete anos de estudo, de 2016 a 2022, o GelAvista recebeu 2600 avistamentos de P. physalis. Após exclusão dos dados de avistamento dos Açores e da Madeira, o conjunto de dados incluía 1036 avistamentos. A análise estatística da correlação com as variáveis ambientais baseou-se em 681 avistamentos. De modo a capturar a sua diversidade ambiental, a costa de Portugal continental foi dividida em cinco áreas distintas: Norte, Centro, Lisboa e Setúbal, Sudoeste e Sul. Para explorar a relação entre os avistamentos de caravela-portuguesa e os fatores ambientais selecionados, aplicaram-se diversos modelos estatísticos, incluindo o Modelo de Regressão Linear e Modelos Lineares Generalizados (GLM). O Modelo Linear Generalizado com Efeitos Aleatórios (GLMM) acabou por ser o selecionado, uma vez que considera a heterogeneidade nas variáveis mês e área. Todas as análises estatísticas foram realizadas no Rstudio com as versões R.4.4.0 e R.4.4.1, respetivamente. Os efeitos estatisticamente significativos só foram considerados para valores de p≤ 0,05. Os resultados revelaram que existe um padrão predominante de observação de um indivíduo por registo e que a ocorrência da espécie é mais frequente entre os meses de novembro e maio. A área de Lisboa e Setúbal registou o maior número de avistamentos e, consequentemente, o maior número de indivíduos de P. physalis observados por registo. Este resultado pode ser, em parte, explicado pela maior densidade populacional na área, por comparação com as restantes áreas de estudo, gerando uma maior probabilidade de avistamentos. A área Sudoeste, por sua vez, com menor densidade populacional, com diferentes condições orográficas e com condições oceanográficas específicas, registou menos avistamentos. Durante o período de estudo, foram documentados dois eventos significativos de arrojamento em massa de P. physalis. O primeiro deu-se na área Sul, em março de 2018, e foi corroborado por outros estudos que documentaram o aumento de ocorrências desta espécie, nesta mesma época do ano, na costa do Golfo de Cádis. Neste período, um evento incomum de afloramento na costa Sul, juntamente com tempestades, pode ter contribuído para a ocorrência deste fenómeno. O segundo evento ocorreu em janeiro de 2021, abrangendo toda a costa ocidental. Acredita-se que o elevado índice negativo da NAO, associado à ocorrência de forte precipitação, registado durante este mês, tenha sido um fator determinante para este segundo evento. Outros estudos também relataram uma correlação entre esta fase do índice e a presença da espécie. A análise estatística revelou uma tendência positiva na ocorrência deste sifonóforo, ao longo do período de estudo. Embora as alterações climáticas possam ser uma possível explicação para este aumento, é importante considerar que o crescimento do número de indivíduos observados pode não refletir necessariamente um aumento da abundância da caravela-portuguesa na costa de Portugal continental, mas sim uma maior adesão do público ao projeto GelAvista. Relativamente às variáveis ambientais, os ventos provenientes do Norte, Nordeste e Noroeste mostraram estar fortemente correlacionados com o número de indivíduos por registo, bem como as situações de acalmia. Os ventos de quadrante Norte podem facilitar o transporte dos espécimes para áreas mais próximas da costa. Por outro lado, as situações de quebra de vento, poderão promover o arrojamento de Physalia physalis nas praias. A intensidade do vento, por sua vez, não apresentou significância estatística, contrariando algumas suposições anteriormente feitas na literatura para outras regiões. A temperatura da superfície do mar apresentou uma correlação negativa com a ocorrência de P. physalis, sugerindo que esta é superior quando os valores desta variável ambiental são inferiores. Este resultado difere de inúmeros estudos prévios onde foi estabelecida uma relação positiva entre a temperatura da superfície do mar e a ocorrência da espécie em estudo. Esta discrepância sugere a necessidade de mais pesquisas para esclarecer a relação entre esta variável ambiental e os arrojamentos da espécie. Estes resultados fornecem uma base para pesquisas futuras, sugerindo a necessidade de uma base de dados ambientais mais abrangente e da integração de dados de estudos anteriores com estudos experimentais para melhorar a compreensão dos mecanismos responsáveis pelo arrojamento de P. physalis. Sugere-se igualmente a expansão do período de estudo, bem como a inclusão de fatores ambientais adicionais, como as correntes oceânicas superficiais, e recomenda-se a utilização de métodos estatísticos com efeitos estruturados para obter melhor modelação das dependências temporais entre meses e áreas, respetivamente.pt_PT
dc.description.abstractThe Portuguese Man-of-War (Physalia physalis) is a cosmopolitan colonial organism commonly found in Portuguese waters, with its distribution largely shaped by environmental factors. This study examined the relationship between sea surface temperature (SST), wind direction and intensity, the North Atlantic Oscillation (NAO), and Upwelling indexes with P. physalis sightings along mainland Portugal coast, using data from the GelAvista citizen science project (2016-2022). GelAvista records sighting data on gelatinous organisms in Portugal: location, date, time and number of specimens. The Portuguese coast was divided into North, Center, Lisbon & Setúbal, Southwest, and South areas. Statistical analysis was performed on Rstudio using a Generalized Linear Mixed-Effects Model (GLMM), using the number of observations as an offset. The study found that P. physalis sightings were most frequent from November to May, with the Lisbon & Setúbal area recording the highest sightings and the Southwest the fewest, possibly due to the population density and the orography of the areas. Over time, a positive trend in sightings indicated increasing species occurrence. Winds from the North, Northeast, Northwest, and calm winds were positively correlated with strandings, while wind intensity showed no significance. SST had a negative correlation, with more sightings at lower temperatures, consistent with higher winter sightings and prevailing coastal winds in the Portuguese coast. NAO and Upwelling indexes had no significant impact. These findings offer a foundation for future research, suggesting the need for a more comprehensive environmental database and integration of previous studies with laboratorial research to better understand the mechanisms behind P. physalis strandings. Extending the study period and incorporating additional environmental factors, such as surface ocean currents, should be considered. Finally, employing a statistical methodology that incorporates structured random effects would facilitate better modeling of the temporal and spatial dependencies across different months and areas.pt_PT
dc.identifier.tid203880595
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10400.5/96941
dc.language.isoengpt_PT
dc.subjectPhysalia physalispt_PT
dc.subjectModelos Lineares Generalizadospt_PT
dc.subjectArrojamentospt_PT
dc.subjectAlterações Climáticaspt_PT
dc.subjectCiência Cidadãpt_PT
dc.subjectTeses de mestrado - 2024pt_PT
dc.titleStudy of the sightings pattern of the Portuguese Man-of-War (Physalia physalis) in mainland Portugalpt_PT
dc.typemaster thesis
dspace.entity.typePublication
rcaap.rightsopenAccesspt_PT
rcaap.typemasterThesispt_PT
thesis.degree.nameMestrado em Ciências do Marpt_PT

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