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Do currículo formal ao currículo real : concepções curriculares de professores no contexto da reforma educativa

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Resumo(s)

Este trabalho teve como objectivo principal identificar e caracterizar as concepções curriculares de onze professores de uma escola secundária de Lisboa, de forma a compreender a incidência dessas concepções nas interpretações que os professores fazem do novo currículo para os Ensinos Básico e Secundário, introduzidos pela Reforma Educativa de 1986. Partindo do conceito de ensino eficaz, pretendeu-se analisar os constructos que os professores formulam sobre as componentes desse conceito, constituindo desse modo as bases para a identificação das concepções curriculares. Investigaram-se, também, as expectativas e significados que os professores participantes no estudo atribuem à Reforma Educativa, através das suas experiências subjectivas de implementação da Reforma, na escola onde trabalham. Seleccionaram-se onze professores que leccionavam os novos programas, todos da mesma escola e de grupos disciplinares diferentes, de forma a permitir uma diversidade de formações científicas, pedagógicas e de experiência profissional. Estes professores foram entrevistados, individualmente, em diversas fases do processo de investigação e construiram a sua grelha de repertório pessoal. A análise dos dados das entrevistas e das grelhas de repertório permitiu atingir os objectivos propostos. A grelha de repertório revelou-se uma técnica adequada para identificar os constructos pessoais dos sujeitos referentes à natureza do ensino eficaz e permitiu, ainda, identificar as concepções curriculares dos professores, organizadas em tomo dos seus constructos pessoais. Os resultados do estudo evidenciaram; (a) existência de teoria práticas e idiossincráticas dos professores sobre o currículo que radicam nas suas experiências individuais e embebem as suas práticas; (b) coexistência de diferentes concepções curriculares entre professores do mesmo grupo e da mesma escola; (c) opção dos professores por práticas pedagógicas mais tradicionais quando leccionam ao nível do Ensino Secundário do que quando leccionam no Ensino Básico; (d) resolução dos dilemas experienciados na prática pedagógica, adaptando as práticas aos contextos institucional, organizacional e curricular; (e) influência das características da organização escolar nas experiências pessoais e profissionais dos professores, actuando como factores mediadores entre o currículo formal e o currículo real, (f) influência das características da organização escolar, como estímulo ou desincentivo à inovação. Não obstante as limitações apontadas, considera-se que este estudo permitiu compreender a influência dos fedores contextuais e das concepções pessoais dos professores sobre o currículo, na forma como interpretam o currículo formal. O facto de os sujeitos serem de grupos disciplinares diversificados permitiu identificar zonas partilhadas nas suas concepções sobre o currículo. Além disso, este estudo permitiu, ainda, compreender como é que os professores integraram na sua vivência profissional, as dificuldades que experimentaram em harmonizar o currículo formal com as suas concepções e as suas práticas.

Descrição

Tese de Mestrado em Educação, apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Ciências, 1995

Palavras-chave

Desenvolvimento curricular Reforma curricular Professores Concepção Ensino Aspectos culturais Teses de mestrado - 1995

Contexto Educativo

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