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From Dillinghams' greatness to the flames of Mogadishu : how pure is a perfect gift?

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Reciprocity and gift-giving are recurrent themes in today's social sciences. Ever since Marcel Mauss (re)invented the subject in his "Essai sur le Don," the paradigm of reciprocity has been presented as a counterpoint to the economical standard models, entirely based on rational calculation, utility maximization, and opportunistic orientation. Many go as far as claiming that the world of gifts offers clever departures from the money economy and the "sins" of the capitalist order. This type of reasoning usually forgets that Marcel Mauss himself presented his formulation of the reciprocity thesis as a mix of freedom and obligation, introducing cautionary remarks in a realm where most only see purity and perfection. Using two literary examples separated in time and space – O. Henry's "The Gift of the Magi" and Nuruddin Farah's "Gifts" – as starting points, we will claim that purity and perfection associated with gift-giving generally lead to a situation dominated by romanticism, solidarity, and love, but also by social paralysis, isolation, and autarchic communities. In turn, money-mediated exchanges may create suspicion and anticipations of distrust but pave the way to the development of sophisticated contractual arrangements that are fundamental to the constitution of cosmopolitan and decontextualized social relations. Using these two ideal types (money exchange vs. gift exchange) as working tools, we will try to develop a comprehensive theory of reciprocity, considering its multidimensional aspects and its contradictions. Reciprocity will be presented as a way of building up paroxysmic and competitive social relations among peers (its potlatchian dimension) and establishing symbiotic relations among actors with different social standings (its stabilizing element).
Reciprocidade e dádiva são temas recorrentes nas ciências sociais de hoje. Desde que Marcel Mauss (re)inventou o tema no seu "Essai sur le Don", o paradigma da reciprocidade tem sido apresentado como um contraponto ao modelo padrão económico, inteiramente baseado no cálculo racional, na maximização da utilidade e na orientação oportunista. Muitos vão ao ponto de afirmar que o mundo dos dons oferece saídas inteligentes da economia monetária e dos "pecados" da ordem capitalista. Este tipo de raciocínio geralmente esquece que o próprio Marcel Mauss apresentou a sua formulação da tese de reciprocidade como uma mistura de liberdade e obrigação, introduzindo observações cautelosas num reino onde a maioria só vê pureza e perfeição. Utilizando dois exemplos literários separados no tempo e no espaço – "O Presente dos Magos" de O. Henry e "Presentes" de Nuruddin Farah – como pontos de partida, vamos afirmar que a pureza e a perfeição associadas à dádiva geralmente conduzem a uma situação dominada pelo romantismo, solidariedade e amor, mas também pela paralisia social, o isolamento e as comunidades autárquicas. Porsua vez, as trocas mediadas pelo dinheiro podem criar suspeitas e antecipações de desconfiança, mas abrir caminho ao desenvolvimento de sofisticados acordos contratuais que são fundamentais para a constituição de relações sociais cosmopolitas e descontextualizadas. Utilizando estes dois tipos ideais (troca de dinheiro vs. troca de presentes) como ferramentas de trabalho, tentaremos desenvolver uma teoria abrangente de reciprocidade, considerando os seus aspetos multidimensionais e as suas contradições. A reciprocidade será apresentada como uma forma de construir relações sociais paroxísmicas e competitivas entre os pares (a sua dimensão potlatchiana) e estabelecer relações simbióticas entre atores com diferentes posições sociais (o seu elemento estabilizador).

Descrição

Palavras-chave

Reciprocity Gifts Market Literature Reciprocidade Dádivas Mercado Literatura

Contexto Educativo

Citação

Marques, Rafael (2021). "From Dillinghams' greatness to the flames of Mogadishu : how pure is a perfect gift?". Instituto Superior de Economia e Gestão – SOCIUS Working Paper nº 02-2021

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