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Orientador(es)
Resumo(s)
Os objetivos gerais deste estudo foram: i) caracterizar, numa amostra de trabalhadores, fatores organizacionais (no trabalho e na conciliação trabalho-família), psicossociais e biológicos, com impacte no desempenho profissional desses trabalhadores, medido pelo presentismo; ii) identificar presentismo, absentismo e sofrimento psicológico; iii) determinar a relação entre fatores biopsicossociais, saúde mental e bem-estar, resiliência e presentismo. Para o efeito, entre novembro de 2012 e julho de 2013, realizou-se um inquérito observacional transversal, com uma amostra não aleatória (de conveniência), de 405 trabalhadores de uma associação bancária mutualista. O inquérito foi constituído por um questionário eletrónico de autopreenchimento abrangendo informação biográfica, perceções sobre o emprego, atitudes face à organização, saúde, e aplicando diversas escalas, como o ASSET (deteção de stress em contexto organizacional), MHI – 5 (Inventário de Saúde Mental), escala de Satisfação no Trabalho, escala de Felicidade Subjetiva, CAGE (deteção de problemas relacionados com consumo de álcool), escala de Suporte Social – OSLO 3, escala de Presentismo, e escala de Resiliência Connor Davidson - CD-RISC.
Efetuaram-se ainda medições antropométricas (peso, altura e perímetro da cintura), da tensão arterial e colheita de sangue para parâmetros biológicos (p. ex., genéticos). Os 405 participantes no estudo responderam à componente psicossocial do inquérito. Destes, 395 completaram a escala da resiliência e 260 participaram na componente biológica do estudo. A introdução dos dados foi automática pelo autopreenchimento do questionário eletrónico com exportação para SPSS V.20. O estudo global foi aprovado por duas Comissões de Ética e autorizado pela Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD).
Sobre os dados recolhidos realizaram-se análises estatísticas descritivas, inferenciais, fatoriais exploratórias e confirmatórias, e com modelo de equações estruturais. Das oito hipóteses de investigação (HI) que se colocaram, quatro foram suportadas pelos resultados obtidos (HI.1 há preditores, psicossociais e biológicos, de maior e menor resiliência nos trabalhadores; HI.5 há diferenças na resiliência consoante o sexo e o grupo funcional; HI.6 há associação entre presentismo e absentismo; HI.7 há associação entre absentismo e sofrimento psicológico). Três HI foram parcialmente suportadas pelos resultados (HI.2 os stressores organizacionais como ‘Recursos e Comunicação’, ‘Equilíbrio trabalho-família’, ‘Aspetos do trabalho’, ‘Segurança no emprego’, ‘Controlo’, ‘Relações no trabalho’ e ‘Sobrecarga laboral’ têm impacte no presentismo absoluto, através do efeito do bem-estar psicológico dos trabalhadores; HI.3 o efeito das variáveis ‘compromisso do colaborador face à organização’ e do ‘compromisso da organização face ao colaborador’, no presentismo absoluto, é mediado pela saúde mental; HI.8 há mais presentismo do que absentismo e as mulheres têm mais absentismo e mais sofrimento psicológico). Uma HI não foi suportada (HI.4 menos de metade da população da amostra tem uma autoperceção de saúde global ‘boa ou muito boa’). Com o trabalho desenvolvido, atingiram-se objetivos que permitiram: i) identificar preditores de presentismo e de resiliência que podem contribuir para novos modelos de stress laboral; ii) identificar determinantes psicossociais e biológicos, nomeadamente genéticos, na área da resiliência e do stress; iii) utilizar escalas que foram validadas e/ou traduzidas. Considera-se que a identificação e análise de determinantes biopsicossociais, com impacte no presentismo e absentismo, são bases importantes para o planeamento e implementação de ações em promoção da saúde mental no contexto laboral, visando maior produtividade da organização, mais equilíbrio trabalho-família e bem-estar do trabalhador.
Descrição
Palavras-chave
Saúde mental e bem-estar Determinantes biopsicossociais Local de trabalho Presentismo Conciliação trabalho-família Teses de doutoramento - 2019
