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Publicação

Babuíno-hamadrias no Jardim Zoológico de Lisboa: como são ensinadas as crias?

datacite.subject.fosCiências Naturais::Ciências Biológicaspt_PT
dc.contributor.advisorReis, Margarida Santos, 1955-
dc.contributor.advisorVarela, Susana
dc.contributor.authorSargento, Marília Sofia Guerreiro
dc.date.accessioned2018-04-06T14:26:19Z
dc.date.available2018-04-06T14:26:19Z
dc.date.issued2018
dc.date.submitted2018
dc.descriptionTese de mestrado em Biologia da Conservação, apresentada à Universidade de Lisboa, através da Faculdade de Ciências, em 2018pt_PT
dc.description.abstractA aprendizagem social permite a aquisição de informação essencial para o desenvolvimento de comportamentos com importante valor adaptativo para o fitness dos animais. No entanto, adquirir informação útil através da observação do desempenho de conspecíficos pode não ser fácil, a menos que os animais facilitem a sua transmissão através do ensino. O ensino é um comportamento cooperativo, altruísta, de facilitação da aprendizagem, e envolve a interação coordenada de um emissor e um recetor ingénuo. Este comportamento é considerado intencional quando um emissor (tutor) ensina ativamente, por meio de sinais, o recetor (aluno), modificando a forma como geralmente executa um determinado comportamento (e.g. manipulação de uma presa) devido à presença do recetor (e.g. crias ingénuas). O ensino intencional deverá evoluir quando a aquisição de múltiplas e complexas habilidades sociais são uma vantagem para os indivíduos ingénuos (animais geralmente jovens) e para o grupo. Este é o caso dos suricatas (Suricata suricatta), um mamífero da família Herpestidae, que habita as planícies e desertos do Sul de África. Há vários estudos que têm documentado o comportamento de ensinar neste animal, assim como o valor adaptativo da aprendizagem para as crias, dado que a espécie, em habitat natural, preda escorpiões venenosos cuja manipulação tem de ser extremamente cuidadosa. Há também o ensino inadvertido, que ocorre quando observadores ingénuos adquirem informação sobre os comportamentos naturais, do dia-a-dia, de indivíduos demonstradores, que não têm a intenção de ensinar, sendo que muitas vezes nem sabem que estão a ser observados. Assim, os comportamentos demonstrados (pistas) não evoluíram para transmitir informação de forma intencional, mas são importantes porque permitem conhecer as escolhas e o desempenho dos demonstradores mais experientes. Supõe-se que o ensino inadvertido evolui para ensino intencional quando a facilitação da aprendizagem se torna adaptativa, ou seja, quando a possibilidade de adquirir o mesmo conhecimento de forma inadvertida for relativamente ineficiente, ou quando há poucas oportunidades para a aprendizagem social. Isto poderá explicar o porquê de, em espécies conhecidas pelas suas capacidades sociais ao nível da aprendizagem, como os chimpanzés (Pan troglodytes) e outros primatas não-humanos, serem escassas as evidências de ensino intencional, uma vez que há muitas oportunidades para aprender e o ensino inadvertido é eficaz. No caso dos chimpanzés, os adultos deixam as crias observar o que estão a fazer, mas não interagem diretamente com elas, nem alteram os seus comportamentos na sua presença. Em outros primatas não-humanos, as únicas evidências claras de ensino intencional foram, até agora, somente observadas no mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia). Isto leva-nos a perguntar se haverá mais alguma espécie de primata não-humano onde tenha sido adaptativo evoluir a capacidade de ensinar de forma intencional. Uma vez que a informação disponível é escassa e contraditória, seria importante estudar mais espécies, para compreender quão muito ou quão pouco frequente é este comportamento neste grupo taxonómico e sob que condições melhor se desenvolve. O objetivo foi investigar como são ensinadas as crias de uma espécie de primata altamente social, a viver no Jardim Zoológico de Lisboa, o babuíno-hamadrias (Papio hamadryas), por forma a perceber quão relevante é a facilitação da aprendizagem nesta espécie. A nossa previsão foi a de que, a haver ensino intencional, este deveria ser menos frequente do que o ensino inadvertido, dado que este último deve ser suficientemente eficaz. Realizámos três análises estatísticas, que nos permitiram responder às três perguntas do nosso estudo: se existe ensino intencional na população estudada e com que frequência; que tipos de ensino intencional e inadvertido se observam na população em estudo e com que frequência; e em que contextos cada tipo de ensino, intencional ou inadvertido, é mais comum. Para tal foram utilizados os testes estatísticos Wilcoxon rank sum (Teste U de Mann-Whitney) e o teste de Kruskal-Wallis. Constatámos que a população de babuíno-hamadrias, do Jardim Zoológico de Lisboa, manifesta três tipos de comportamento de ensino intencional (“Atração para um local”, “Instrução” e “Oportunidades Proporcionadas”) e quatro tipos de comportamento de ensino inadvertido (“Atração para um local”, “Imitação”, “Observação Condicionada” e “Oportunidades Proporcionadas”). Constatámos também que o contexto (“Afiliativo”, “Agonístico”, “Alimentar” ou “Lúdico”) teve uma forte influência na frequência com que ocorreram estes comportamentos. A transmissão de informação social parece ter um importante papel nesta população babuíno-hamadrias, com evidências de que essa transmissão pode ocorrer de forma intencional, de indivíduos mais velhos para mais novos. Estes resultados representam a primeira evidência de ensino intencional nesta espécie e em Macacos do Velho Mundo, em geral. O facto de estas evidências surgirem em ambiente de cativeiro permite-nos, ainda, questionar se a ausência/presença de constrangimentos ecológicos em cativeiro versus em meio selvagem poderá estar a moldar a expressão deste comportamento. A existência deste comportamento em cativeiro reforça também a importância de proporcionar a esta espécie o ambiente o mais enriquecido possível, para que estes comportamentos se possam expressar, tanto em prol do bem-estar dos animais como por forma a maximizar as possibilidades de sucesso de eventuais programas de reintrodução.pt_PT
dc.description.abstractSocial learning allows the acquisition of information essential to learn and develop behaviors that have an adaptive value for the animal’s fitness. However, acquiring information through the development of conspecifics may not be easy, unless they facilitate its transmission through teaching. Teaching is a cooperative behavior, that facilitates learning, and encompasses the coordinated interaction between a transmitter and a receiver of information. This behavior is considered intentional teaching when it occurs with a direct interaction and the transmitter (tutor) actively teaches the receptor (student), modifying the way the first executes a certain behavior (e.g. prey manipulation) due to the presence of the receptor (e.g. naïve cubs, for example). Intentional teaching should evolve when the acquisition of multiple and complex social skills becomes an advantage to naïve individuals (generally young animals) and the group. This is the case of the highly social meerkats (Suricata suricatta), a mammal from the Herpestidae family, that inhabits the plains and deserts of South Africa. There have been several studies documenting the behavior of teaching in this species with a focus on the adaptive value of learning for the cubs, which in the natural habitat, prey venomous scorpions and must deal with them carefully. There is also inadvertent teaching that relies on cubs’ skills acquisition through the observation of adults’ natural behaviors, in a scenario where the demonstrator does not have the intent to teach and is often not aware that is being watched. In this case, the demonstrated behaviors (cues) did not evolve to convey information regarding choices and performance of more experienced adults. It is suggested that inadvertent teaching evolves to intentional teaching when learning facilitation becomes adaptive, in other words when the possibility of acquiring the same knowledge in the inadvertent way is relatively inefficient, or when there are fewer chances for social or individual learning. This may explain why in species recognized for their social abilities regarding learning, like chimpanzees and other non-human primates, it is less frequent to find evidences of intentional learning. Since they spend a long depend period with their mother it seems like they have numerous opportunities to learn by observing others’ behaviors. In chimpanzees (Pan troglodytes), the adults allow the youngers to observe what they are doing, although they don’t interact with them, nor change their own behavior in their presence. The only clear evidence of intentional teaching in other non-human primates had been observed in the golden lion tamarin (Leontopithecus rosalia). This leads us to ask if there is any other non-human primate species where it might have been adaptive to evolve the ability to teach intentionally. Since the information available is scarce and contradicting, it would be relevant to study more species, to understand how frequent is this behavior and in which conditions it best evolves in this taxonomic group. In this project our main goal is to investigate how the offspring of a highly social primate species - Hamadryas baboon (Papio hamadryas) in Jardim Zoológico de Lisboa - are taught, to understand how relevant is the facilitation of learning in this species. We performed three statistical analyzes, which allowed us to answer the three questions of our study: if there is teaching in the studied population and how often; what types of intentional and inadvertent teaching are observed in the study population and how often; and in which contexts each type of teaching, whether intentional or inadvertent, is more common. Statistical tests Wilcoxon rank sum (Mann-Whitney U test) and Kruskal-Wallis test were used. We observed that the Hamadryas baboon population of the Lisbon Zoo shows three types of intentional teaching behavior ("Local Enhancement", "Coaching" and " Opportunity Providing") and four types of inadvertent teaching behavior ("Local Enhancement", “Imitation", "Observation Conditioning" and "Opportunity Providing"). The context had a strong influence on how often these behaviors occurred. Social information transmission seems to play an important role in this Hamadryas baboon populations, with evidence that this transmission may occur intentionally from older individuals to younger ones. The fact that these evidences arise in a captive environment allows us to reinforce the importance of providing this species with the most enriched environment possible to allow these behaviors to be expressed. In addition, our results reinforce the idea that any in-situ intervention on hamadryas baboons should consider any form of teaching that the species can express to maximize the changes of being successful.pt_PT
dc.identifier.tid201911086
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10451/32644
dc.language.isoporpt_PT
dc.subjectAprendizagem socialpt_PT
dc.subjectEnsinopt_PT
dc.subjectPapio hamadryaspt_PT
dc.subjectConstrangimentos ecológicospt_PT
dc.subjectConservaçãopt_PT
dc.subjectTeses de mestrado - 2018pt_PT
dc.titleBabuíno-hamadrias no Jardim Zoológico de Lisboa: como são ensinadas as crias?pt_PT
dc.typemaster thesis
dspace.entity.typePublication
rcaap.rightsopenAccesspt_PT
rcaap.typemasterThesispt_PT
thesis.degree.nameMestrado em Biologia da Conservaçãopt_PT

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