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Orientador(es)
Resumo(s)
Anger is one of the most frequent neuropsychiatric disorders after stroke and one that could have a stronger negative impact on stroke patients and their informal caregivers. In a previous study, we found that 35% of the patients (N = 202) with acute stroke presented anger, without it being associated with any demographic, clinical, imaging, psychiatric and functional variables studied. We found significant dissociations between the emotional-cognitive and behavioral components of anger and between anger expressed by the patients and the one that was clinically observed. This work encouraged us to formulate a multifactorial model of anger in stroke, including four triggering factors: (1) brain injury; (2) stroke as a non-normative life event that disturbs the patient and requires him to integrate the new demands arising from the disease and the expectations about the future; (3) anger as a pre-morbid personality trait in patients who frequently express anger in their interactions / relationships, (4) anger as a reaction to a hostile, real or perceived hospital environment and related to the degree of patient satisfaction about this environment and care. Thus, we proposed to carry out the present study, whose main objective was to determine the frequency of anger in stroke, to identify its determinants, testing the above model, and its impact on treatment adherence and on the well-being of the patient's informal caregivers. We assessed the presence of anger, its components (emotional, cognitive and behavioral, state-anger and trait-anger), forms of expression and control in 114 consecutive patients with stroke (ischemic or hemorrhagic) in the acute phase (up to 7 days after stroke) and 12 months after stroke. We used the State-Trait Anger Expression Inventory-2 (STAXI-2), a specific, widely used and recognized anger assessment scale. We also assessed the perception of the environment (acute phase), the presence of cognitive impairment, anxiety and depressive symptoms and satisfaction with the care (acute phase and at 12 months), adherence to treatment and beliefs about treatment and healthcare education (12 months). The first work concerns the results obtained in the acute stroke, with 18% of patients presenting state-anger and 20% trait-anger. The predictive variables of anger were age, hypertension, complaints about the environment, the presence of anxiety symptoms and functional disability at discharge. The second work refers to the results obtained 12 months after the stroke, with 17% of the patients presenting state-anger and 8% trait- anger. At this stage, having a posterior ischemic stroke, trait-anger and considering stroke sequels as relevant were predictive factors for anger. Patients with higher levels of anger had lower adherence rates. The anger profile was slightly different between the two phases, with more intense and frequent anger in the acute stroke, probably due to differences in anger control. In both moments, anger was essentially experienced as an intense internal feeling, avoiding its expression. The third work presents the results obtained by the informal caregivers of the patients, 12 months after stroke. The objective was to assess the impact that the presence of anger in patients had on the caregivers' well-being, specifically on burden, anxiety and depressive symptoms, quality of life and coping strategies. Anger was perceived by 37% of the caregivers, who presented higher levels of depressive symptoms, burden, worse quality of life and use dysfunctional coping strategies. The predictors of burden were the presence of anger and the use of dysfunctional coping strategies. Conclusion: Anger is a frequent and relevant neuropsychiatric symptom since the acute phase to a chronic phase after stroke. Over time the importance of stroke as a non-normative, acute and unexpected disease decreases as patients deal with it, remaining the more objective impact of brain injury, symptoms that interfere with daily life, and previous experiences of anger (trait-anger). For caregivers, the presence of anger in patients makes difficult the already complex process of caring, contributing to diminish their well-being and increase the burden. The results presented here have an important clinical implication, highlighting the importance of the early detection and anger management, in order to prevent its negative impact on care and recovery of the patients and on the well-being of their informal caregivers.
A ira é uma das alterações neuropsiquiátricas mais frequentes após o AVC uma das que mais impacto poderá ter nos doentes e seus cuidadores informais. Em estudo prévio, verificámos que 35% dos doentes (N=202) com AVC agudo apresentavam ira, sem que esta se associasse a nenhuma das variáveis demográficas, clínicas, imagiológicas, psiquiátricas e funcionais estudadas. Foram encontradas dissociações significativas entre as componentes emocionalcognitiva e comportamental da ira e, entre a sua expressão subjetiva pelos doentes e a ira clinicamente observada. Este trabalho motivou-nos para a formulação de um modelo multifactorial da ira no AVC, incluindo quatro fatores precipitantes: (1) a lesão cerebral; (2) o AVC enquanto acontecimento de vida não normativo, que perturba o sujeito e exige que ele integre as novas exigências decorrentes da doença e as expectativas em relação ao futuro; (3) a ira enquanto traço de personalidade pré-mórbida, em sujeitos que a expressam frequentemente nas suas interações/relações, (4) a ira enquanto reação a um ambiente hospitalar hostil, real ou percebido, e relacionada com o grau de satisfação do doente face a esse ambiente e aos cuidados recebidos. Desta forma, propusemo-nos realizar o presente trabalho, cujo objetivo principal foi determinar a frequência da ira no AVC, identificar os seus determinantes, testando o modelo acima enunciado, e o seu impacto na adesão ao tratamento e no bem-estar dos cuidadores informais dos doentes. Avaliámos a presença de ira, suas componentes (emocional, cognitiva e comportamental, ira-estado e iratraço), formas de expressão e de controlo em 114 doentes consecutivos com AVC (isquémico ou hemorrágico), na fase aguda ( 7 dias) e 12 meses após o AVC. Recorremos ao State-Trait Anger Expression Inventory-2 (STAXI-2), específico para avaliação da ira, extensamente utilizado e reconhecido. Avaliámos ainda a perceção do ambiente (fase aguda), a presença de alterações cognitivas, sintomatologia ansiosa e depressiva e a satisfação com os cuidados (fase aguda e 12 meses), a adesão ao tratamento e as significações face ao diagnóstico e ao tratamento (12 meses). O primeiro trabalho diz respeito aos resultados obtidos na fase aguda do AVC, com 18% dos doentes a apresentarem ira-estado e 20% ira-traço. As variáveis preditoras da ira foram a idade, hipertensão arterial, queixas sobre o ambiente, presença de sintomatologia ansiosa e funcionalidade à data da alta hospitalar. O segundo trabalho refere-se aos resultados 12 meses após o AVC, tendo 17% dos doentes apresentado ira-estado e 8% ira-traço. Ter um AVC isquémico posterior, tendência prévia para sentir e expressar ira (ira-traço) e considerar as sequelas do AVC como relevantes foram os preditores da ira. Os doentes com níveis mais elevados de ira apresentaram taxas de adesão ao tratamento e a outras medidas de promoção da saúde mais baixas. A ira foi essencialmente experimentada como um sentimento interno intenso, evitando-se a sua expressão, embora a ira tenha sido mais intensa e frequente na fase aguda. O terceiro trabalho apresenta os resultados obtidos pelos cuidadores informais dos doentes, 12 meses após o AVC. O objetivo foi avaliar o impacto que a presença de ira nos doentes tinha no bem estar dos cuidadores, ao nível da sobrecarga, presença de sintomatologia ansiosa e/ou depressiva, qualidade de vida e estratégias de coping usadas. A ira foi percepcionada por 37% dos cuidadores, que apresentavam níveis mais elevados de sintomatologia depressiva, sobrecarga, pior qualidade de vida e uso de estratégias de coping disfuncionais. As variáveis preditoras da sobrecarga foram a presença de ira e o uso de estratégias de coping disfuncionais. Conclusão: A ira é um sintoma neuropsiquiátrico frequente e relevante desde a fase aguda até a uma fase crónica após o AVC. Ao longo do tempo, a importância do AVC enquanto doença não normativa, aguda e inesperada diminui, à medida que os doentes lidam com isso, permanecendo o impacto mais objetivo da lesão cerebral, dos sintomas que interferem com a vida diária e das experiências prévias de ira (ira-traço). Para os cuidadores, a presença de ira nos doentes dificulta o complexo processo de cuidar, contribuindo para diminuir o seu bem-estar e aumentar a sobrecarga. Os resultados apresentados têm uma relevante implicação clínica, destacando-se a importância da deteção precoce e monitorização da ira, no sentido de prevenir o seu impacto negativo nos cuidados e recuperação dos doentes e no bem-estar dos cuidadores informais.
A ira é uma das alterações neuropsiquiátricas mais frequentes após o AVC uma das que mais impacto poderá ter nos doentes e seus cuidadores informais. Em estudo prévio, verificámos que 35% dos doentes (N=202) com AVC agudo apresentavam ira, sem que esta se associasse a nenhuma das variáveis demográficas, clínicas, imagiológicas, psiquiátricas e funcionais estudadas. Foram encontradas dissociações significativas entre as componentes emocionalcognitiva e comportamental da ira e, entre a sua expressão subjetiva pelos doentes e a ira clinicamente observada. Este trabalho motivou-nos para a formulação de um modelo multifactorial da ira no AVC, incluindo quatro fatores precipitantes: (1) a lesão cerebral; (2) o AVC enquanto acontecimento de vida não normativo, que perturba o sujeito e exige que ele integre as novas exigências decorrentes da doença e as expectativas em relação ao futuro; (3) a ira enquanto traço de personalidade pré-mórbida, em sujeitos que a expressam frequentemente nas suas interações/relações, (4) a ira enquanto reação a um ambiente hospitalar hostil, real ou percebido, e relacionada com o grau de satisfação do doente face a esse ambiente e aos cuidados recebidos. Desta forma, propusemo-nos realizar o presente trabalho, cujo objetivo principal foi determinar a frequência da ira no AVC, identificar os seus determinantes, testando o modelo acima enunciado, e o seu impacto na adesão ao tratamento e no bem-estar dos cuidadores informais dos doentes. Avaliámos a presença de ira, suas componentes (emocional, cognitiva e comportamental, ira-estado e iratraço), formas de expressão e de controlo em 114 doentes consecutivos com AVC (isquémico ou hemorrágico), na fase aguda ( 7 dias) e 12 meses após o AVC. Recorremos ao State-Trait Anger Expression Inventory-2 (STAXI-2), específico para avaliação da ira, extensamente utilizado e reconhecido. Avaliámos ainda a perceção do ambiente (fase aguda), a presença de alterações cognitivas, sintomatologia ansiosa e depressiva e a satisfação com os cuidados (fase aguda e 12 meses), a adesão ao tratamento e as significações face ao diagnóstico e ao tratamento (12 meses). O primeiro trabalho diz respeito aos resultados obtidos na fase aguda do AVC, com 18% dos doentes a apresentarem ira-estado e 20% ira-traço. As variáveis preditoras da ira foram a idade, hipertensão arterial, queixas sobre o ambiente, presença de sintomatologia ansiosa e funcionalidade à data da alta hospitalar. O segundo trabalho refere-se aos resultados 12 meses após o AVC, tendo 17% dos doentes apresentado ira-estado e 8% ira-traço. Ter um AVC isquémico posterior, tendência prévia para sentir e expressar ira (ira-traço) e considerar as sequelas do AVC como relevantes foram os preditores da ira. Os doentes com níveis mais elevados de ira apresentaram taxas de adesão ao tratamento e a outras medidas de promoção da saúde mais baixas. A ira foi essencialmente experimentada como um sentimento interno intenso, evitando-se a sua expressão, embora a ira tenha sido mais intensa e frequente na fase aguda. O terceiro trabalho apresenta os resultados obtidos pelos cuidadores informais dos doentes, 12 meses após o AVC. O objetivo foi avaliar o impacto que a presença de ira nos doentes tinha no bem estar dos cuidadores, ao nível da sobrecarga, presença de sintomatologia ansiosa e/ou depressiva, qualidade de vida e estratégias de coping usadas. A ira foi percepcionada por 37% dos cuidadores, que apresentavam níveis mais elevados de sintomatologia depressiva, sobrecarga, pior qualidade de vida e uso de estratégias de coping disfuncionais. As variáveis preditoras da sobrecarga foram a presença de ira e o uso de estratégias de coping disfuncionais. Conclusão: A ira é um sintoma neuropsiquiátrico frequente e relevante desde a fase aguda até a uma fase crónica após o AVC. Ao longo do tempo, a importância do AVC enquanto doença não normativa, aguda e inesperada diminui, à medida que os doentes lidam com isso, permanecendo o impacto mais objetivo da lesão cerebral, dos sintomas que interferem com a vida diária e das experiências prévias de ira (ira-traço). Para os cuidadores, a presença de ira nos doentes dificulta o complexo processo de cuidar, contribuindo para diminuir o seu bem-estar e aumentar a sobrecarga. Os resultados apresentados têm uma relevante implicação clínica, destacando-se a importância da deteção precoce e monitorização da ira, no sentido de prevenir o seu impacto negativo nos cuidados e recuperação dos doentes e no bem-estar dos cuidadores informais.
Descrição
Tese de doutoramento, Ciências e Tecnologias da Saúde (Desenvolvimento Humano e Social), Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina, 2018
Palavras-chave
Acidente vascular cerebral Ira Adesão Cuidadores informais Estratégias de coping Qualidade de vida Teses de doutoramento - 2018
