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A look into the 3D world of a cell: how 3D simulations can shed lights on morphogenesis

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Resumo(s)

A cĆ©lula Ć© a unidade bĆ”sica da vida. Estudar a biologia e a fĆ­sica por trĆ”s do comportamento celular Ć© da maior importĆ¢ncia, de forma a obtermos um conhecimento mais profundo a cerca de qualquer problema biológico. Neste estudo trabalhamos com um modelo (Cellular Potts Model) em 3D de uma cĆ©lula onde vamos observar algumas das mais bĆ”sicas propriedades da cĆ©lula. Para trabalharmos com um modelo, primeiro precisamos de perceber o que Ć© um modelo, para que serve e quais sĆ£o as suas limitaƧƵes. Com isto em mente, um modelo pode ser definido como uma representação ou descrição simplificada de algo com estrutura conhecida. Nesta representação serĆ£o aplicados cĆ”lculos e prediƧƵes com o objectivo final de perceber aquilo que estivemos a simplificar. Devido Ć  elevada complexidade dos sistemas biológicos, a modelação Ć© uma ferramenta fundamental para nos ajudar a compreender o mundo Ć  nossa volta desde macro a micro sistemas. Ao utilizarmos modelos como ferramentas para testar as nossas hipóteses temos ainda a vantagem dos custos destas experiencias serem mais baixos do que experiencias realizadas in vivo/in vitro, mais rĆ”pidas e podemos assumir com um maior grau de confianƧa quais as variĆ”veis que estĆ£o a influenciar a nossa experiĆŖncia. Neste trabalho vamos usar o Cellular Potts Model (CPM) para tentar perceber algumas propriedades celulares relacionadas com a forma da cĆ©lula e com a adesĆ£o desta a outras superfĆ­cies. O CPM define a estrutura de uma cĆ©lula biológica com base no arranjo ou configuração de um conjunto de cĆ©lulas generalizadas. Cada uma destas cĆ©lulas generalizadas Ć© representada numa grelha celular como um domĆ­nio de locais na grelha (pixels/voxels) que partilham o mesmo Ć­ndice (o ID da cĆ©lula), um conjunto de estados internos e um conjunto de campos auxiliares. Este sistema celular evolui ao alterar aleatoriamente e a cada intervalo de tempo, uma amostra de locais na grelha, transformando-os (ou nĆ£o) num dos vizinhos que o rodeia (o local vizinho tambĆ©m Ć© escolhido aleatoriamente). O processo que escolhe estas transformaƧƵes Ć© guiado pela equação Hamiltoniana, uma equação de energia efectiva. Esta equação Ć© o aspecto fundamental deste modelo e descreve o comportamento e as interacƧƵes celulares. Ɖ na equação Hamiltoniana que consideramos os termos que guiĆ£o a adesĆ£o celular, uma função que Ć© fundamental e essencial para qualquer tipo de vida complexa existir. Ɖ tambĆ©m na equação Hamiltoniana que tomamos em consideração o volume e a conservação de volume celular. A evolução do sistema, explicada muito sucintamente em cima, Ć© guiada pelo algoritmo de Metropolis. A cada ciclo do algoritmo de Metropolis temos aquilo a que chamamos de MCS (ou Monte-Carlo Step) que representa o nosso intervalo de tempo bĆ”sico. A cada ciclo do algoritmo calculamos a diferenƧa energĆ©tica na equação Hamiltoniana entre duas conformaƧƵes celulares, antes do processo de transformação (explicado em cima) e depois do processo de transformação. Finalmente, aceitamos ou nĆ£o a transformação se esta for favorĆ”vel Ć  cĆ©lula segundo os princĆ­pios de minimização de energia a que o modelo obedece. Um dos aspectos principais deste trabalho foi o de este ter sido desenvolvido num modelo a trĆŖs dimensƵes. Isto Ć© importante pelo facto de a maior parte do trabalho cientĆ­fico desenvolvido actualmente continuar a ser em duas dimensƵes. Os argumentos que suportam este acontecimento sĆ£o o facto de apesar de um estudo ou modelo em 3D nos fornecer mais informação, esta informação pode nĆ£o ser de grande valor, relevante ou ser demasiado complexa. A explicação em 2D Ć© suficiente para explicar os fenómenos mais interessantes do objecto de estudo e o esforƧo computacional para correr uma simulação em 3D Ć© demasiado elevado para valer a pena. No entanto pensamos que deixar uma dimensĆ£o inteira de parte num sistema como o de uma cĆ©lula animal Ć© uma aproximação demasiado simples a um sistema onde se sabe que a forma, volume e posição da cĆ©lula tĆŖm uma grande influĆŖncia no seu comportamento. Para entendermos como o CPM funciona e em que se baseia, temos que perceber o seu background biológico. As cĆ©lulas eucarióticas podem em geral ser definidas por trĆŖs componentes principais, o nĆŗcleo, a membrana plasmĆ”tica e o citoplasma. Neste trabalho focamo-nos em dois destes componentes, a membrana plasmĆ”tica e o córtex celular, uma camada especializada do citoplasma que se observa na face interior da membrana plasmĆ”tica. Ɖ com estes dois componentes que as molĆ©culas de adesĆ£o celular (CAMs) interagem principalmente. As CAMs podem ser divididas em dois grandes grupos, as CAMs que controlam interacƧƵes cĆ©lula-cĆ©lula e as CAMs que controlam interacƧƵes cĆ©lula-matriz extra-celular. O primeiro grupo Ć© maioritariamente composto por proteĆ­nas transmembranares da famĆ­lia das caderinas, enquanto o segundo Ć© composto por proteĆ­nas transmembranares da famĆ­lia das integrinas. As CAMs interagem principalmente com os filamentos de actina presentes no córtex celular, sendo a actina a principal proteĆ­na do citoesqueleto que controla a forma e estabilidade da cĆ©lula, entĆ£o esta interacção Ć© da maior importĆ¢ncia para entendermos como a cĆ©lula se comporta quando adere a algo. No nosso modelo conseguimos de uma forma generalizada, reproduzir o comportamento das CAMs e do córtex celular. Conseguimos tambĆ©m, controlar outros factores como o volume da cĆ©lula e a dinĆ¢mica dos filamentos de actina. A relação que fazemos entre parĆ¢metros biológicos e parĆ¢metros computacionais tĆŖm por base as mecĆ¢nicas que controlam a superfĆ­cie celular. CĆ©lulas e tecidos, atĆ© um certo nĆ­vel de abstracção, podem ser descritos como tendo um comportamento semelhante ao de bolhas e espumas, sendo que tentam minimizar a sua superfĆ­cie celular de modo a adquirirem uma configuração energĆ©tica mĆ­nima. Esta minimização Ć© guiada pelo córtex celular, formando uma espĆ©cie de tenção superficial celular. Esta tenção superficial (celular), semelhante Ć  que os lĆ­quidos apresentam, pode ser usada para inferir e interpretar comportamentos celulares e vice-versa. Neste trabalho, para alĆ©m das simulaƧƵes que desenvolvemos, criĆ”mos tambĆ©m dois mĆ©todos de visualização que ajudam Ć  leitura e interpretação dos resultados visuais obtidos pelo modelo. Os dois mĆ©todos sĆ£o aplicados nas simulaƧƵes em 3D. O primeiro numa representação em 3D da cĆ©lula a ser simulada e mostra-nos como a cĆ©lula se vai distribuindo pelo espaƧo ao longo do tempo. O segundo mĆ©todo – tambĆ©m aplicado em tempo real - mostra-nos uma representação da cĆ©lula a 2D, nas quais conseguimos ver vĆ”rios dados sobre a cĆ©lula. No nosso ambiente de simulação somos capazes de criar cĆ©lulas com a forma e na posição que pretendemos. Podemos tambĆ©m mudar o substrato, tornando-o heterogĆ©neo, neste contexto, temos substrato normal (com fraca interacção com a cĆ©lula) e fibronectina (com forte interacção com a cĆ©lula). Tal como com a cĆ©lula, podemos alterar a forma e posição dos diferentes tipos de substrato assim como a sua forƧa de interacção com as cĆ©lulas. Neste ambiente de simulação somos capazes de representar cĆ©lulas com diferentes caracterĆ­sticas, assim tentamos comparar as cĆ©lulas que conseguimos criar no nosso sistema com outras previamente descritas num estudo numa representação a 2D do CPM. Durante este processo, descobrimos que, ao contrĆ”rio do que estava descrito no estudo, as experiĆŖncias com as quais estĆ”vamos a tentar comparar resultados nĆ£o representavam a cĆ©lula de uma forma biologicamente viĆ”vel. ProcurĆ”mos entĆ£o outros parĆ¢metros que mostrassem diferentes comportamentos celulares e que ao mesmo tempo fossem biologicamente viĆ”veis. Esperamos com este trabalho despertar a curiosidade do leitor para o campo da modelação em 3D no Ć¢mbito da biologia celular. Para alĆ©m disto, introduzimos novos mĆ©todos de visualização enquadrados no CPM e finalmente discutimos e comparamos dados com investigação feita previamente.
We live in a 3D world, yet we are taught most of the classical biology in 2D. Our vision of biological cells, is often taken from histological cuts or 2D confocal slices. This has led to biophysical models of the cell to often being made in only two dimensions as well. In this work I use and adapted a computational biophysical tool, the Cellular Potts Model, into 3D. I used it to recreate a cell spreading on a protein lattice to which it can adhere to a bigger or a lesser extent. This very controlled experiment is often used as a paradigm to probe essential biophysical properties of cells. Tuning several cellular parameters, like adhesion, membrane tension and internal osmotic pressure, I investigated to what extent a minimal description of biophysical properties could capture steady state cell behaviour and developed visualization tools so that a better understanding could be provided through the model. Importantly, I was able to compare and contrast my findings to previous interdisciplinary efforts performed in 2D. This shed light on basic properties of the Cell Surface Mechanics, and generated predictions regarding the biological experiments. Finally, we suggest how new experiments should be performed that could report 3D-dependent behaviour (which would pass unnoticeable in 2D).

Descrição

Tese de mestrado, BioinformÔtica e Biologia Computacional (Biologia Computacional), Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2014

Palavras-chave

Teses de mestrado - 2014

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