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Atualmente as doenças transmitidas por vetores estão entre as mais relevantes no contexto da saúde pública global. A dengue (DENV), uma doença de que o mosquito Aedes albopictus é vetor, é particularmente preocupante estimando-se que em 2013 tenham ocorrido entre 60 e 140 milhões de casos desta doença (Gould et al., 2017). O estudo da distribuição do Ae. albopictus em meio urbano é de extrema importância, sendo que nas regiões do mundo onde a espécie é não-nativa, a sua ocorrência está fortemente associada à presença humana (Ayllón et al., 2018). Deste modo a análise estatística de associações entre os dados de distribuição da espécie com variáveis descritoras do ambiente urbano a um elevado detalhe espacial apresenta um potencial de utilidade elevado. Esta utilidade será ainda maior se a análise abranger múltiplos contextos urbanos, por exemplo a totalidade de um continente, ao invés de uma única área urbana. Neste contexto, procedeu-se à análise dos padrões de distribuição de Ae. albopictus no conjunto das cidades europeias. Esta análise permitiu diferenciar fatores que têm um efeito à macro-escala (i.e., determinantes de variação na forma de distribuição entre diferentes áreas urbanas) e de fatores que atuam à escala local (i.e., fatores que determinam a distribuição da espécie no interior de todas as áreas urbanas). O resultado final foi o desenvolvimento de um modelo estatístico da distribuição do Ae. albopictus, identificando os fatores ecológicos e ambientais mais relevantes na explicação da distribuição das populações conhecidas. Tendo obtido uma estimativa estatística da importância de cada fator ambiental representa na distribuição do Ae. albopictus nas principais áreas urbanas europeias, passou-se à projeção da distribuição da espécie para o concelho de Lisboa. O concelho de Lisboa foi selecionado por 5 razões chave: i) no contexto português, Lisboa, para além de ser capital administrativa, tem um contexto único de centralidade; ii) todas as variáveis ambientais consideradas nos modelos estão disponíveis para este concelho; iii) esta área apresenta também uma elevada diversidade de tipos e ocupações de solo, tecido urbano, áreas urbanas verdes, áreas florestais e proximidade a água; iv) possui também uma densidade populacional elevada, principalmente no contexto nacional; v) finalmente a questão de ser uma área onde ainda anão se conhecerem registos de ocorrência da espécie. A modelação preditiva para a cidade de Lisboa permitiu aferir dois tipos de resultados. Primeiro verificámos que que as áreas que apresentam uma tipologia urbana mais vincada são as exibem valores mais elevados de adequabilidade para a espécie. Inversamente, a área de menor adequabilidade corresponde ao Parque de Monsanto, caracterizado por uma ocupação de solo dominantemente florestal. Já os resultados referentes ao risco, que entram também em consideração com a distribuição da população humana, destacam-se pelos seus valores elevados as freguesias de São Vicente, Penha de França, Arroios, Campo de Ourique, São Domingos de Benfica e o Norte da freguesia de Benfica. Por outro lado, as áreas de menor risco correspondem ao Parque de Monsanto e à área do Aeroporto, refletindo uma população residente reduzida ou uma baixa suscetibilidade à ocorrência do mosquito.
Description
Keywords
Aedes albopictus biogeografia distribuição de espécies Lisboa modelação preditiva
Pedagogical Context
Citation
Carrilho, D. Santos, J.M. Rocha, J. Capinha, C. (2022). Modelação da adequabilidade de habitat da cidade de Lisboa ao mosquito Aedes albopictus, GeoSaúde 2022 Desigualdades em saúde, desigualdades no território: desafios para os países de língua portuguesa em contexto de pós pandemia, Lisboa, Portugal, Setembro 12-14.
