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Consideraciones entre el arte contemporâneo e la etnografia en un contexto hegemónico y colonialista: problemáticas y contradiciones en la escultura contemporánea como plataforma de crítica social

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Nesta dissertação, é analisada a problemática existente entre as práticas artísticas contemporâneas associadas ao campo da etnografia e da antropologia. A análise da dissertação concentrar-se-á no livro "El retorno de lo real: La vanguardia a finales de siglo XX" (2001), de Hal Foster (1965), nomeadamente no capítulo "El artista como etnógrafo". Para desenvolver esta temática, o texto é dividido em três partes, com o objetivo de esclarecer conceitos considerados necessários à contextualização da noção de crítica pós-colonialista, concebida dentro do campo da arte contemporânea. Na investigação são estudados os precedentes nos quais o discurso colonialista que fundamenta as ciências humanas, do período iluminista na América Latina, é instituído e como esses precedentes permanecem em vigor em certas práticas artísticas atuais. Para isso, são analisadas questões relacionadas ao processo de consolidação das ciências modernas na América Latina entre os séculos XVI e XVIII. Inicialmente, são abordados os referentes fundamentais para o processo de consolidação do conhecimento europeu da Ilustração, como foi feita a construção das ciências rigorosas baseadas na noção de objetividade universal e a conformação de metodologias experimentais e cartesianas. Esta reflexão será determinada pela descrição de teorias filosóficas e analíticas que serviram de base científica para a construção desse imaginário eurocêntrico. Na pesquisa é tratado o livro de Santiago Castro Gómez (1958) “La hybris del punto cero: ciencia, raza e ilustración en la Nueva Granada (1750-1816)” (2005), onde se analisa o conceito de cosmópolis no pensamento moderno entre os séculos XVI e XVIII, um dos pilares da ciência esclarecida para configurar uma mentalidade hegemonicamente eurocêntrica. O conceito de negação da simultaneidade é também abordado, como parte de um discurso que será formulado na Europa para legitimar uma única linha de pensamento possível na história, eliminando e descartando outros conhecimentos não europeus. Em seguida delimita-se, de modo amplo, as diferenças que Castro Gomez apresenta entre o conceito de orientalismo de Edward Said (1935-2003) e o ocidentalismo de Dussel (1934) para identificar como se constituem os diferentes sistemas geopolíticos entre a América e a Europa em relação aos sistemas geopolíticos de outros territórios como a Ásia e a Europa. Numa segunda fase, são analisadas as práticas de resistência a esses discursos colonialistas nos movimentos artísticos e de insurgência latino-americanos entre os anos 60 e 80, com base em diferentes mecanismos de enfrentamento em relação aos regimes políticos do momento. Nesta segunda parte, o livro de Luís Camnitzer (1937) “A didática da libertação: arte conceitual latino-americana” (2005) é utilizado como um referente para identificar como foram estabelecidas as políticas de insurgência que procuravam unificar a América Latina e reconstruir uma identidade fora de um pensamento eurocêntrico. Para isso, são abordadas questões relacionadas a alguns movimentos e grupos de artistas insurgentes latino-americanos que resistiram à imposição de certas narrativas colonialistas hegemónicas e políticas estatais na América Latina durante as décadas de 60, 70 e 80. Essa reflexão levará em consideração a perspectiva segundo a qual Luís Camnitzer diferencia as linhas de pensamento e produção artística latino-americanas em relação às linhas de pensamento e produção artística oficiais da Europa e da América do Norte. A análise que iremos realizar identificará como os discursos de insurgência são constituídos e como se questionam as linhas de pensamento dos discursos oficiais que assumem uma estrutura hierárquica, com uma linha histórica de arte generalista e reducionista. Junto com isso, pretendemos determinar em que medida as correntes artísticas paralelas diferem em função das várias geografias, por exemplo, o caso da arte conceptual latino-americana em relação à arte conceptual norte-americana. A terceira parte da pesquisa identifica como, entre os anos 80 e 90, a introdução e institucionalização da etnografia no cenário artístico e cultural toma as bases do pensamento esclarecido. Examina-se como a arte se relaciona com uma prática etnográfica, utilizando como apoio alguns conceitos que o autor Hal Foster destaca sobre a questão. Entre eles, expõem-se como certas práticas artísticas replicam políticas culturais de alteridade, a relação das práticas etnográficas com a construção de suposições da realidade e as implicações que derivam da implementação dessas lógicas de pensamento na produção artística. Também são discutidos alguns conceitos estabelecidos por Hal Foster, através das reflexões do antropólogo George Marcus (1943), no seu livro “Betwen art and anthropology” (2010) e a teórica Miwon Kwon (1961) no “One step after another” (2002), textos em que os autores abordam questões relativas à virada etnográfica na arte contemporânea, especialmente num contexto em que a indústria cultural começa a exercer mais pressão sobre a posição dos artistas em situações sociais de repressão ou marginalização. Para identificar o escopo apresentado na virada etnográfica que ocorre na arte contemporânea, o desenvolvimento do terceiro capítulo concentrar-se-á na exposição de Melanie Smith, "Farsa y Artifício" (2018-2019), realizada no MACBA (Museo de Arte Contemporâneo de Barcelona) e no Museu Amparo e na exposição "História natural y política: conocimientos y representaciones em la naturaleza americana" (2008), realizada no Museu do Banco da República em Bogotá com a curadoria de Manuel Nieto. Com estes exemplos, o escopo do trabalho artístico é identificado sob uma abordagem sujeita à contextualização e crítica do imaginário social latino-americano, sob diferentes perspectivas de abordagem. Com base nesses modelos, são apresentados os aspectos mais significativos sugeridos por autores como George Marcus, sobre a importância de integrar a arte em diferentes plataformas de trabalho no campo antropológico, e como estes métodos de criação artística favorecem o manejo de linguagens mais relevantes e pertinentes, dependendo de cada contexto, local ou comunidade nos quais os trabalhos são desenvolvidos. Ao final da investigação, são reconhecidas uma série de contradições presentes na figura do artista contemporâneo e as dificuldades que surgem com o papel do artista como expoente do mecenas ideológico. Também são identificados processos relevantes de mudança que apresentam, por exemplo, como novas dinâmicas da criação em arte foram estabelecidas, como a insistência numa relação de trabalho entre o publico, o artista e a comunidade com que trabalha, promovendo mudanças na dinâmica social do processo de criação artística, mas um imaginário pós-colonialista permanece presente, ligado em parte ao perfil do etnógrafo, tanto no seu discurso quanto na sua prática artística. A última parte deste projeto enfoca uma descrição do meu processo de trabalho escultórico realizado durante a fase curricular do Mestrado em Escultura, no ano lectivo de 2018/19. O processo de trabalho está ligado a diferentes métodos de reconstrução de imagens, objetos e fósseis. A partir da gestão de materiais residuais, são identificados diferentes processos de resignificação de representações icónicas de Lisboa. Cada proposta configura imagens com diferentes idiomas que recorrem ao gerenciamento de imaginários arqueológicos. O processo de trabalho funciona como um reconhecimento de um contexto urbano específico e utiliza uma satirização de certos métodos etnográficos, arqueológicos e botânicos, criando uma exageração no processo de reconstrução de imagens em determinadas metodologias científicas. Assim, usa-se a referência clássica do gabinete e do levantamento arqueológico, que servem para acentuar a construção de um imaginário ficcional de um lugar ou de um ser vivo, mas que, por sua vez, pode ser real e possível, porque a partir dessas formas e imagens pode ser construída uma noção de identidade dum lugar fragmentado, mas credível. Para o processo de escultura, são utilizados resíduos e imagens da cidade, como folhas secas de plátano, cascas de banana, penas de pombo, beatas de cigarro, entre outros fragmentos dispersos pelo chão da cidade, estabelecendo uma ponte entre a imagem atual de Lisboa e um discurso pós-colonialista latente, usando esse contraste para questionar a idealização de Lisboa, entendida como uma cidade homogénea e emblemática, tanto na sua aparência quanto no seu legado histórico.

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Palavras-chave

Tucumán Arde, Argentina, 1968 Grupo CADA Grupo Huayco E. P. S. (Grupo de artistas) Tupamaros Arte contemporânea Escultura Colonialismo Hegemonia Conceptualismo Etnografia Antropologia Sociologia da arte Crítica social América Latina - séc. 16-20 Activismo

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