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Projeto de investigação
A EPIGRAFIA DA HISPANIA NA CORRESPONDÊNCIA EPISTOLAR ENTRE JOSÉ LEITE DE VASCONCELLOS E EMÍLIO HÜBNER
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A epigrafia da Hispania na correspondência epistolar entre Emílio Hübner e José Leite de Vasconcelos
Publication . Marques, Pedro Miguel Correia; Guerra, Amílcar Manuel Ribeiro
Esta dissertação de doutoramento tem como objectivo editar e analisar a correspondência epistolar trocada entre Emílio Hübner e José Leite de Vasconcelos.
A escolha dos dois correspondentes relaciona-se com a importância que detêm no âmbito da História da Epigrafia, assim como pela quantidade e qualidade da documentação epistolográfica, que até este momento se mantinha virtualmente inédita. As cartas de Hübner guardam-se no Museu Nacional de Arqueologia. As epístolas de Leite de Vasconcelos preservam-se na Sociedade Martins Sarmento.
Não dispomos da totalidade das missivas, sendo que umas cartas se terão perdido – sete de Hübner e oito de Leite de Vasconcelos –, outras extraviaram-se – seis de Hübner –, e talvez existissem ainda outras, das quais não temos notícia, mas da nossa análise foi possível reconstituir um conjunto epistolar composto por 131 cartas, sendo 65 enviadas pelo sábio alemão e 66 endereçadas pelo erudito lusitano. A correspondência iniciou-se no dia 21 de Abril de 1888, com uma missiva de Hübner, e terminou em 18 de Dezembro de 1900, com uma epístola de Leite de Vasconcelos, distribuindo-se por todo esse período. Somente não possuímos cartas do ano de 1889.
As missivas apresentam-se numa variedade de línguas. O erudito germânico escreveu principalmente em francês, mas a partir de 1893 redigiu também em alemão e no ano seguinte começou igualmente a escrever em latim. O conservador da Biblioteca Nacional favoreceu a sua língua materna, que Hübner compreendia, mas não se atrevia a utilizar. No ano de 1893, Leite de Vasconcelos iniciou a redacção de cartas em latim, a partir de 1898 escreveu também em alemão e redigiu ainda parte de uma missiva em francês.
No estudo da correspondência epistolar analisa-se o seu âmbito temático, no qual a Epigrafia se destaca largamente. As alusões centram-se em particular na Epigrafia latina, mas abarcam também a Epigrafia paleocristã, as inscrições “ibéricas” (Escrita do Sudoeste) e a Epigrafia grega. Esta diversidade decorre naturalmente do empenho de Hübner na elaboração dos diferentes corpora epigráficos e da preocupação de rigor
Pedro Miguel Correia Marques, A Epigrafia da Hispania na Correspondência Epistolar
entre Emílio Hübner e José Leite de Vasconcelos
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neles colocada. Leite de Vasconcelos não deixou de aproveitar o contacto para esclarecer dúvidas de leitura e análise epigráficas, aprendendo com o seu correspondente.
A diversidade temática atesta-se nos outros domínios presentes: a Arqueologia (englobando a Mosaística e a Numismática), a História Antiga (abarcando a Geografia Antiga), a Etnologia, a Filologia, a Literatura e ainda a temática das Religiões (especialmente da Lusitânia), tão cara a Leite de Vasconcelos. Muitas destas menções correspondem a pedidos e trocas de bibliografia, que se relacionam directamente com as necessidades do conservador da Biblioteca Nacional em adquirir obras científicas e actualizar-se bibliograficamente.
Uma outra componente relevante concerne às viagens dos dois correspondentes, em número destacado as que o investigador lusitano concretizou. Leite de Vasconcelos viajava por Portugal com o objectivo de recolher os materiais com que construía o Museu Etnográfico Português e as bases da sua investigação. Nas suas deslocações ao estrangeiro, verificamos um interesse em conhecer o património, visitando museus e monumentos, mas também contactando pessoalmente com estudiosos e aprendendo com eles. Numa destas viagens, no ano de 1899, deslocou-se à Alemanha, onde pode privar com Hübner. Também por esta razão, são mencionadas bastantes personalidades, cujas obras constituem por vezes objecto de crítica científica.
A partir de 1893, surgiram novos assuntos na correspondência: o Museu Etnográfico Português, depois denominado Museu Etnológico Português, e o seu periódico O Arqueólogo Português, importante meio de comunicação científica.
Como corolário da análise dos conteúdos e como enquadramento destas cartas, traça-se um breve panorama dos estudos epigráficos ao longo dos séculos XVIII e XIX. Constata-se o peso extraordinário dos correspondentes locais, sendo decisivos na realização das obras de cariz epigráfico do erudito germânico.
Uma vez que lidámos com um conjunto substancial de epígrafes, fundamentalmente latinas, achámos que seria interessante, como complemento deste trabalho, estudar o conjunto epigráfico do período romano referido nas cartas, o que concretizamos no Anexo 1.
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Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
Número da atribuição
SFRH/BD/64293/2009
