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Prática avaliativa de uma professora na promoção da autorregulação da aprendizagem dos alunos em matemática
Publication . Semana, Sílvia Maria dos Santos, 1983-; Santos, Leonor, 1949-
Nesta investigação, procuro compreender a prática avaliativa de uma professora com o intuito de promover a autorregulação da aprendizagem dos alunos em matemática. A prática da professora é integrada numa intervenção de ensino concebida e planificada num contexto de trabalho colaborativo entre cinco professores de matemática do 3.º ciclo do ensino básico e eu, enquanto investigadora. Nesse âmbito são consideradas estratégias orientadas para três vertentes centrais: (i) promoção de uma comunicação oral intencional em discussões matemáticas coletivas; (ii) apropriação dos critérios de avaliação pelos alunos; e (iii) desenvolvimento de autoavaliações escritas pelos alunos. Numa metodologia de abordagem qualitativa, paradigma interpretativo e design de estudo de caso, estudo a prática avaliativa da professora Joana (caso), na concretização da intervenção de ensino ao longo de dois anos letivos, numa turma do 8.º ano de escolaridade (9.º ano no segundo ano). A recolha de dados inclui a observação e o registo vídeo de aulas e sessões de trabalho colaborativo, entrevistas aos participantes, questionários aos alunos, e recolha documental. A análise de dados é concretizada através de um sistema de categorias, definidas durante o processo de análise, com base no referencial teórico do estudo. Joana promove uma comunicação oral intencional em discussões matemáticas coletivas, através da regulação da participação e interação orais e do foco matemático das discussões, e ainda de modos específicos de questionar, ouvir e responder aos alunos. No sentido de promover a apropriação dos critérios de avaliação pelos alunos, Joana dinamiza processos de negociação no que se refere, quer ao significado dos próprios critérios, quer ao nível do reconhecimento e uso dos critérios pelos alunos como referentes para a regulação da aprendizagem. Já para o desenvolvimento de autoavaliações escritas pelos alunos, Joana propõe, tarefas de autoavaliação diferentes, sob condições variáveis e suportadas por estratégias múltiplas (em particular, ao nível das orientações e feedback), em função de necessidades e objetivos específicos, que têm como fim último um aumento da regulação interna pelos alunos. Na concretização da intervenção de ensino em sala de aula, Joana experiencia desafios associados com fatores diversos, entre eles: gestão dos tempos; hábitos/rotinas instalados na sua prática; natureza da tarefa matemática e dificuldades dos alunos; e nível de interesse/empenho dos alunos. Ao longo da intervenção de ensino e em relação com a prática de Joana, os alunos tendem a apresentar um desempenho de melhor qualidade nas discussões coletivas, caminham em direção à apropriação dos critérios de avaliação e revelam melhorar a sua capacidade de autorregulação, num percurso individualizado e não linear.

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