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Projeto de investigação

ESTRANGEIROS NA LÍNGUA MATERNA: JAMES JOYCE, SAMUEL BECKETT E NUNO BRAGANÇA

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Uma aproximação à ideia de estranheza
Publication . Pedreira, Frederico; Figueiredo, João R., 1973-
A estranheza encontra-se geralmente associada a momentos de hesitação ou de confusão conceptual, em que o que seria à partida familiar e comum apresenta contornos imprecisos, pouco habituais, propensos a uma rejeição inicial, não só pela novidade que sugere como também por uma certa tendência para criar um afastamento perceptual. É também comum associar a estranheza (com o factor da novidade que lhe é inerente) a situações de desconforto intelectual e a inquietações expressivas, cuja manifestação é não raras vezes conducente a uma noção vincada de autenticidade, não só na forma de nos relacionarmos com os outros como também no modo como nos confrontamos com a criação de objectos artísticos e com o domínio da interpretação. A presente tese procura afastar estas associações e tornar explícita a ideia de que a estranheza parte sobretudo do confronto entre as sucessivas interpretações a que nos prestamos, sendo que estas dizem respeito não a um suposto carácter excepcional da experiência, mas ao hábito e a uma convivência continuada com os objectos da percepção. Em muitos casos, a novidade associada à estranheza decorre da natureza reactiva da interpretação, e essa natureza é o resultado da contingência da individualidade e do reconhecimento que fazemos das nossas alterações perceptivas. As aproximações à ideia de interpretação por parte de autores como Marcel Proust, Ludwig Wittgenstein e Stanley Cavell ajudam-nos a entender como o que à partida nos parece uma estranheza intrínseca a um objecto ou experiência em particular é sobretudo uma estranheza que parte do reconhecimento sistemático que fazemos dos nossos hábitos, crenças, expectativas e convicções, manifestado através de movimentos retrospectivos e prospectivos, fundamentados na memória e na imaginação. Estes movimentos, longe de se relacionarem com sensações reveladoras de confusão, terror ou mal-estar intelectual, estão intimamente ligados às noções de convicção, redescrição e autocriação, e a uma posição autoral reconhecida nas nossas vidas que é indissociável da ideia de estranheza.

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Fundação para a Ciência e a Tecnologia

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Número da atribuição

SFRH/BD/68335/2010

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