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Projeto de investigação
“Renovar Fora das Escolas”: o Núcleo de Matemática, Física e Química
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Renovar entre a luta surda
Publication . Xavier, Manuel; Leitão, Henrique; Salgueiro, Ângela Sofia Garcia
Neste trabalho, procuro mostrar que alguns dos fracassos científicos das universidades portuguesas durante tempos de autoritarismos (1929–1947), em particular no que toca à implementação de práticas de investigação científica, não se deveram apenas a externalidades como a falta de meios materiais ou a perseguição política, mas também a um ethos hostil à integração dos mais competentes. A universidade portuguesa era avessa ao escrutínio externo, à implementação de critérios científicos internacionais e à profissionalização do investigador, por estes elementos levarem a uma diferenciação de valores científicos, algo que não seria tolerado por muitos catedráticos investidos de prestígio. Numa altura em que a política de ciência portuguesa dava os primeiros passos, descrevo como o aparecimento da Junta de Educação Nacional (JEN) e do seu sucessor, o Instituto para a Alta Cultura (IAC), criou condições para expor esta verdade inconveniente sobre as universidades portuguesas. Foco-me sobretudo nos atores do movimento científico em física e matemática. A criação de centros de estudos com maior autonomia das universidades e o envio sistemático de bolseiros para o estrangeiro expôs aquilo que denomino de “ficção do prestígio académico português.” Em poucos anos, gerou-se uma crise de sucessão nas universidades, em que os novos elementos — bolseiros e investigadores europeizados que procuravam a renovação científica do meio — foram sendo sabotados pelos elementos da velha ordem, tipicamente os catedráticos e os carreiristas académicos que não admitiam ser relegados para segundo plano. A sabotagem, motivada pela inveja e pelo despeito, começava por ser interna, através da alimentação de intrigas, da não renovação de contratos ou do corte de bolsas — travava-se uma “luta surda,” nas palavras de alguns investigadores. A crise foi sendo saneada através da apropriação dos mecanismos de repressão do Estado Novo, em particular com as purgas académicas de 1935 e 1947. As relações entre ciência e política são analisadas, particularmente no que se refere ao envolvimento político dos protagonistas e sua relação com o Partido Comunista Português
(PCP). Em momentos de tumulto político, as agendas políticas, fossem à esquerda fossem à direita, não contribuíam para um bom ambiente de trabalho científico. Em última instância, a linha de fratura entre a universidade e os investigadores assentava na competência científica e não no cisma ideológico entre “antissituacionistas” e “colaboracionistas.”
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Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
Número da atribuição
SFRH/BD/146266/2019
