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O stress ocupacional dos jornalistas : estudo exploratório no contexto diário e em cenários críticos
Publication . Monteiro, Susana; Pinto, Alexandra Marques, 1963-
A presente dissertação é o produto final da investigação com o título “Stress1 ocupacional dos jornalistas – Estudo Exploratório no Contexto Diário e em Cenários Críticos”. Tendo por base o modelo holístico de stress ocupacional de Nelson e Simmons (2003), esta dissertação incide no estudo, na identificação e na comparação de variáveis de stress profissional percebidas pelos jornalistas no seu trabalho diário, e também nos cenários críticos para onde são destacados como enviados especiais. Uma vez que os dois contextos são distintos, com as suas especificidades e realidades diferenciadoras, urge caracterizar similitudes e diferenças nas fontes de stress, nas reações emocionais ao stress, nas estratégias utilizadas para lidar com as fontes de stress, nos impactos na saúde e bem-estar e, por último, no suporte organizacional percebido, neste grupo de profissionais. Os desastres naturais e causados pelo Homem são cada vez mais frequentes, pelo que aquilo que antes era uma experiência pontual, para alguns jornalistas apenas, é cada vez mais uma realidade ocupacional regular para os jornalistas. Por outro lado, atentados recentes como o de 2015, ao Charlie Hebdo, em França, revelam que este tipo de evento traumático é cada vez mais frequente no trabalho diário dos jornalistas, trazendo os riscos e o perigo iminente, típicos dos cenários críticos (como os cenários de guerra e o rescaldo de desastres naturais) para o contexto profissional regular dos jornalistas. Uma vez que o foco científico sobre o stress ocupacional dos jornalistas é ainda recente, comparativamente a outros profissionais que também intervêm em contextos idênticos, e designados como first responders2, o primeiro dos três estudos desta dissertação incide numa revisão sistemática de literatura, relativa aos artigos publicados após o 11 de setembro e até julho de 2015 sobre stress profissional dos jornalistas. Dos 28 estudos identificados, nos quais se analisaram as semelhanças e diferenças no que se refere às fontes de stress, estratégias de coping e impactos, verificou-se que nenhum se baseou num modelo teórico conceptual, nenhum comparou os dois contextos ocupacionais dos jornalistas, a maioria recorreu a metodologia quantitativa e todos incidiram na valência negativa do stress. Dos 28 estudos, 13 foram sujeitos a uma meta análise referente à relação entre a exposição repetida a eventos críticos e o trauma, tendo-se verificado um efeito pequeno a moderado. O segundo e o terceiro estudos incidem na caracterização e comparação de variáveis de stress ocupacional percebidas pelos jornalistas em cada um dos contextos profissionais, tendo por base o modelo holístico de stress ocupacional. Mais especificamente, no segundo estudo pretende-se analisar as perceções dos jornalistas relativamente às fontes de stress, às reações emocionais de stress, negativas ou positivas, e aos impactos dessas experiências na sua saúde e bem-estar, também de valência negativa ou positiva, quer no contexto diário, quer em cenários críticos. O terceiro estudo foca as perceções dos jornalistas, nos dois contextos, no que concerne a estratégias para lidar com o stress negativo (coping) ou positivo (savoring) e ao suporte organizacional. Nestes dois estudos é considerado, ainda, o número de incursões em cenários críticos como uma variável individual – uma outra variável de stress ocupacional do modelo de Nelson e Simmons (2003) - que pode ter impacto nas outras variáveis mencionadas. Também em ambos os estudos se recorre a metodologia qualitativa, concretamente a entrevista semiestruturada, para aceder às perceções dos jornalistas sobre as variáveis em análise. Assim, 25 jornalistas Portugueses, todos com experiência reconhecida em cenários críticos, para além da sua experiência profissional diária, integram a amostra do segundo e do terceiro estudo. Os resultados obtidos revelam que há uma predominância de respostas para os cenários críticos, parecendo ser este um contexto primordial de realização ocupacional para os entrevistados. As fontes de stress identificadas para cada um dos contextos são negativas, bem como as reações emocionais negativas ou de distress no contexto diário. Nos cenários críticos, porém, são as respostas emocionais positivas ou de eustress que predominam. As estratégias de coping foram mais mencionadas nos dois contextos, sendo que as estratégias de savoring só foram mencionadas para os cenários críticos. Apesar de terem sido referidos impactos positivos na saúde e bem-estar dos entrevistados, a maioria das respostas centrou-se nos impactos negativos. Quanto ao suporte organizacional foi possível identificar três grandes vetores de apoio por parte da organização, na perceção dos participantes: apoio material, burocrático e logístico; apoio psicológico; e formação. Relativamente ao número de incursões em cenários críticos verificaram-se diferenças estatisticamente significativas (p < .05) em algumas das fontes de stress, apenas no contexto dos cenários críticos, nas reações emocionais negativas, também nos eventos críticos, em alguns dos impactos no contexto diário, numa das estratégias de coping (por negação e evitamento) em ambos os contextos, em algumas das estratégias de savoring, e em algumas das categorias do suporte organizacional, mas apenas nos cenários críticos. Com os dados obtidos é possível contribuir, adotando uma perspetiva holística, para a reflexão sobre o papel das organizações de comunicação social no suporte e apoio aos jornalistas tendo em vista um desempenho profissional de qualidade em qualquer dos contextos laborais em que se inserem, bem como na criação de medidas de prevenção da doença e de promoção da saúde ocupacional destes profissionais.
Unidades organizacionais
Descrição
Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
SFRH
Número da atribuição
SFRH/BD/41454/2007
