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Recursos hídricos superficiais vs subterrâneos na Várzea da Nazaré : implicações na qualidade da água
Publication . Caroça, Carla Maria de Paiva Chaves Lopes; Cabral, João Manuel Lopes Cardoso, 1953-
A água é um recurso natural imprescindível à vida, ao desenvolvimento económico e ao bem-estar social. É um património público que deve ser protegido, defendido e tratado como tal, e não considerado como produto comercial. (Ponto (1), Directiva n.º 2000/60/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 de Outubro de 2000 que estabelece um quadro de acção comunitária no domínio da política da água) Portugal tem o compromisso com a União Europeia em garantir o acesso à água potável segura, ao saneamento e promover a gestão integrada dos recursos hídricos. Para o efeito necessita de conhecer os seus recursos hídricos.A Várzea da Nazaré localiza-se no litoral centro de Portugal continental, no extremo norte do troço compreendido entre a Nazaré e o Cabo Carvoeiro. Pertence ao distrito de Leiria e aos concelhos de Nazaré e de Alcobaça, inserida na zona de grande prestígio de produção agrícola, nomeadamente de fruticultura (maçãs e pêras). Corresponde à área ocupada pela antiga laguna da Pederneira que assoreou a partir do século XVIII. Actualmente é uma zona baixa (altitudes inferiores a 13 m), plana com ligeiro declive para oeste. É delimitada a norte por vertentes suaves com limite pouco nítido e a sul e a leste por vertentes de declive acentuado. Apresenta-se preenchida por sedimentos aluvionares do Quaternário e rodeada por sedimentos arenosos modernos e Plio-Plistocénicos a norte, vários complexos detríticos do Cretácico a leste e formações de alternância de calcários margosos e margas do Jurássico a sul. Geologicamente, a Várzea da Nazaré insere-se na bacia Lusitaniana, na extremidade NNE do Diapiro das Caldas da Rainha.Hidrogeologicamente, a Várzea da Nazaré, de acordo com o DL n.º 117/2015 de 23 de Junho (alteração do DL n.º 347/2007 de 19 de Outubro), passou a localizar-se na Região Hidrográfica (RH) com o código RH5, designada por Tejo e Ribeiras do Oeste, na Bacia do Rio Alcobaça, incluída na Bacia Hidrográfica «das ribeiras da costa localizadas entre o limite sul da bacia hidrográfica do rio Lis e o Cabo Raso e os respectivos espaços localizados entre estas bacias» e distribuídas por quatro massas de água «subterrâneas localizadas no interior do limite da bacia hidrográfica atrás identificada»: - Caldas da Rainha - Nazaré (código de massa de água PTO33); - Alpedriz (código de massa de água PTO19); - Orla Ocidental Indiferenciada das Bacias das Ribeiras do Oeste (código de massa de água PTO04RH5); - Maciço Calcário Estremenho (código de massa de água PTO20_C2). A Várzea da Nazaré é ocupada pela actividade agrícola e pecuária. É atravessada por várias linhas de água naturais (rio Alcobaça, rio de Areia, rio do Meio, rio de S. Vicente) e artificiais (rio das Tábuas, Vala da Lavadinha, Vala Larga, troços dos rios Alcobaça, Areia e do Meio, vários canais) que contêm vários tipos de contaminantes provenientes das actividades agro-pecuárias, industriais (cerâmica, vidro, metalúrgica, têxtil, curtimentos, ETAR) e domésticas. É também atravessada por rodovias e ferrovias. O estudo pioneiro nesta área teve como base as análises físico-químicas, análises aos elementos vestigiais e aos isótopos de oxigénio 18 e de hidrogénio 2, numa só fase de colheita no tempo e no espaço, distinguindo diferentes contribuições de água (superficial e subterrânea) e as diferentes contaminaçõesnaturais e antrópicas, de modo a auxiliar a elaboração de programas de correcção e de gestão integrada dos recursos hídricos. O resultado revelou que os recursos hídricos analisados apresentaram diferentes composições físico-químicas, dependendo do tipo de litologia, do clima quente e seco e da contaminação pelas várias actividades antrópicas. As águas superficiais foram as que revelaram maiores contaminações, embora existissem também alguns furos e poços em zonas de forte actividade antrópica. As águas superficiais estudadas dirigem-se para o interior da várzea e confluem umas nas outras, acabando no rio Alcobaça, que desagua no mar. São principalmente usadas para a rega agrícola. As águas subterrâneas circulam em direcção à várzea, saindo por nascentes localizadas no limite da várzea. São utilizadas para a agro-pecuária, indústrias e uso doméstico. O estudo realizado ao longo deste trabalho contribuiu com dados, observações, interpretações e críticas numa área mais reduzida da região hidrográfica (RH5) Tejo e Ribeiras do Oeste, na qual ainda não haviam sido realizados estudos hidrogeológicos. No futuro, os dados apresentados auxiliarão a desenvolver outras metodologias para a resolução dos problemas actuais e/ou futuros, nomeadamente no ordenamento regional e planeamento/gestão das massas de água.
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Descrição
Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
SFRH
Número da atribuição
SFRH/BD/70957/2010
