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Projeto de investigação

NARRATIVAS, IMAGENS E LENDAS: AS DESCRIÇÕES DOS GRANDES ANIMAIS MARINHOS NOS RELATOS DAS VIAGENS PORTUGUESAS NOS SÉCULOS XV A XVII

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Observação e descrição de elementos naturais ao longo das viagens dos descobrimentos
Publication . Picanço, Cristina Isabel de Caré; Leitão, Henrique José Sampaio Soares de Sousa
Esta tese procura trazer um contributo ao conhecimento da ciência europeia dos séculos XV-XVII. Estuda-se nesta dissertação as descrições de elementos naturais observados durante as viagens portuguesas de longa distância realizadas nesses séculos, essencialmente na chamada Carreira da Índia. Por elementos naturais entendem-se mamíferos marinhos ou peixes, aves ou borboletas, ou mesmo detritos vegetais arrastados por correntes marítimas e que eram frequentemente mencionados nos vários documentos analisados. Este trabalho teve por objetivo adicionar novos dados aos estudos sobre a história científica no período da expansão marítima europeia, mais especificamente o tentar compreender as circunstâncias e a natureza do ato de observar durante estas viagens. Este processo era muito complexo e compreendê-lo exige analisar as condições em que as observações eram feitas, por quem e com que propósitos. Para tal, foram utilizados como fontes diários da autoria dos pilotos destas viagens, numa leitura feita com uma abordagem diferente e no contexto próprio da história da ciência. O nosso estudo mostrou como estas observações estavam determinadas pelas condições de localidade em que eram levadas a cabo. As descrições e referências aos diferentes elementos naturais surgem subordinadas às exigências mais urgentes da navegação: a necessidade de saber a posição no mar – por isso procuravam aves, mamíferos marinhos ou imundices de terra que funcionavam como sinais característicos de determinados locais. Era também importante saber o tempo com que se poderia contar – procuravam aves pousadas ou borboletas que vinham trazidas pelos ventos e trovoadas de terra. E ainda, porque a alimentação era uma necessidade básica diária e comum a todos os que iam embarcados – referiam peixes e os locais onde eles existiam em abundância. Verificou-se uma acentuada disparidade entre os relatos daqueles que efetivamente navegavam, quando comparados com os relatos dos que ficavam em terra ou escreviam a posteriori, mostrando a importância da experiência existencial.

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Fundação para a Ciência e a Tecnologia

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Número da atribuição

SFRH/BD/72559/2010

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