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1961 - Sob o viés da imprensa : os jornais portugueses, britânicos e franceses na conjuntura da eclosão da guerra no império português
Publication . Alves, Tânia; Garcia, José Luís, 1955-
Em várias investigações que têm concentrado a sua atenção no chamado colonialismo tardio português, num tempo dominado pela viragem anticolonial do pós-guerra e pela dissolução dos impérios coloniais europeus, é geralmente assumida a importância do novo clima da opinião internacional enquanto fator que terá condicionado a soberania colonial portuguesa. Contudo, as alusões ao que se sugere ser a diferente disposição das opiniões trazida pelos ventos de mudança anticoloniais carecem de fundamentação empírica. A presente pesquisa propõe-se superar o papel marginal muitas vezes consignado aos meios de comunicação e analisar um amplo acervo de artigos de jornais recolhidos da imprensa portuguesa, britânica e francesa sobre a conjuntura de 1961, o annus horribilis do Estado Novo. Através de uma abordagem que combina a sociologia, a história, as ciências da comunicação e os estudos de media procura-se estudar a situação interna e imperial portuguesa nesse período a partir de um ângulo que privilegia as imbricações entre a imprensa – a sua capacidade para construir acontecimentos mediáticos, as suas formas de agendamento, os seus enquadramentos e linguagem, a sua potência propagandística –, o exercício político do governo de Salazar e as dinâmicas internacionais em matéria colonial e imperial. Como é que um conjunto de episódios que levaram o regime a uma situação limite em redor de um vetor fundamental da sua política tomaram forma na imprensa portuguesa, em plena vigência da censura, e na imprensa britânica e francesa, países onde vigorava a liberdade de imprensa e que tinham iniciado os seus processos de descolonização? A pertinência de um estudo comparativo encontra fundamento na hipótese de a conjuntura de 1961 que conduziu ao deflagrar da guerra em Angola e à queda do Estado Português da Índia ter engendrado textos de sentidos certamente muito distintos. As similitudes e divergências nos textos impressos devem ser pensadas como permeáveis a condições diversas de regime político e às transformações que marcaram as diferentes formações imperiais. Mas o “viés da imprensa”, expressão que integra o título da investigação, remete para a faculdade deste medium de modelar os eventos e os conflitos de poder, de condicionar a vida coletiva pelo que torna visível e pelo modo como enforma e deforma informações e conhecimentos, e de constranger diversos atores a algum tipo de acomodação aos seus critérios e ao seu ritmo, quer para tentar usá-los, quer para os controlar. A análise comparativa harmoniza-se com o pressuposto teórico deste estudo: o de que o início do derrube do império português, além de uma história política e militar, é também a história de uma luta do poder político para direcionar o público num âmbito interno e de uma luta obstinada pela opinião internacional.
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Fundação para a Ciência e a Tecnologia
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SFRH
Número da atribuição
SFRH/BD/81728/2011
